“Vamos celebrar as segundas-feiras”, diz gerente-geral da WeWork no Brasil

Startup americana de espaços de coworking chega ao Brasil prometendo revolucionar os locais de trabalho. Seu valor de mercado já ultrapassa os US$ 20 bilhões

créd: Midori de Lucca

A WeWork, startup de espaços de coworking, tem apenas sete anos de vida, mas seus números já são superlativos. Desde que foi fundada em Nova York, a empresa já recebeu US$ 4,5 bilhões em aportes. Seu valor de mercado, segundo um levantamento feito pelo jornal americano The Wall Street Journal, é de US$ 20 bilhões.

Essa quantia a coloca como quinta startup mais valiosa do mundo, atrás do Uber, do Airbnb e das chinesas Xiaomi, de produtos eletrônicos, e Didi Chuxing, rival do próprio Uber em transporte privado.

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Mas por que uma empresa que oferece “apenas” um local de trabalho para empresas está tão bem avaliada? De acordo com o gerente-geral da WeWork no Brasil, Lucas Mendes, a companhia está revolucionando a forma como as pessoas trabalham. Para ele, a conectividade e o networking que espaços abertos de trabalho proporcionam estão sendo fundamentais para uma mudança de comportamento.

“Estamos empurrando os trabalhadores para o futuro”, diz Mendes. “E isso independentemente do tamanho: pode ser de um funcionário ou passar dos 100 empregados.”

Mendes, que também ajudou a criar o espaço Cubo, do Itaú, tem a missão de popularizar o negócio de coworking no Brasil. A sua primeira unidade, localizada na Avenida Paulista, em São Paulo, já deu resultado. Os 850 locais de trabalho foram vendidos em dias. Outras cinco unidades estão previstas até 2018: três em São Paulo (região da Faria Lima, da Berrini e da avenida Juscelino Kubitschek) e duas no Rio de Janeiro (bairros da Carioca e Botafogo).

A empresa não divulga números financeiros e nem investimentos locais. No entanto, os valores para clientes eles já foram divulgados. Para ter um espaço no WeWork, o interessado precisará desembolsar de R$ 680, para um espaço de trabalho em área comum, até escritórios privativos que começam custando R$ 1,4 mil por pessoa.

Em conversa com a CM, Mendes fala sobre a sua visão de trabalho do futuro, tema que debaterá no evento Futures, da WGSN, e sobre os negócios e diferenciais da startup no Brasil. O evento Whow! também fará uma visita técnica ao espaço.

Confira, a seguir, sua entrevista:

Qual a sua concepção de trabalho do futuro?

O trabalho do futuro é o motor da We Work. As pessoas têm que aproveitar a vida enquanto trabalham. Não pode ser algo chato, que não nos sentimos pertencentes. No nosso caso, criamos ambientes e comunidades, que facilitam a troca e a operação. A ideia é que as pessoas se conectem e criem coisas novas. O trabalho do futuro terá um local mais adaptado para as nossas necessidades. Queremos que as pessoas gostem de trabalhar. Vamos celebrar as segundas-feiras!

E quais pontos você destacaria?

Existem pontos mais importantes. A flexibilidade e a modalidade são essenciais para o mundo de hoje. A nossa ideia é que uma empresa utilize a sede da WeWork na Paulista, mas que também tenha a possibilidade de reservar salas de reuniões ou espaços de trabalho em outras regiões, seja na Vila Olímpia, Berrini ou na Avenida Faria Lima, onde teremos novas unidades até o ano que vem. O mesmo vai acontecer no Rio de Janeiro. Ninguém quer pagar por algo que não vai usar, então temos que ficar sempre perto do cliente.

Por que essa conexão pode ser importante para as empresas?

O senso de comunidade é importantíssimo. Cada vez mais, as pessoas querem ir ao trabalho para se conectar com pessoas interessantes. Esses espaços de coworking permitem isso. O conceito antigo de trabalho não era algo que estava atraindo as novas gerações.

Hoje, a empresa está avaliada em US$ 20 bilhões, o que a coloca no patamar das cinco startups mais valiosas do mundo. Vocês já receberam US$ 4,5 bilhões em investimentos. Por que a WeWork chama tanta a atenção dos investidores, na sua opinião?

Eu vejo que a empresa está revolucionando a maneira como as pessoas trabalham. É um processo que está acontecendo no mundo inteiro e estamos vendo isso acontecer. E ao ser uma companhia que lidera esse movimento com uma plataforma como a nossa, temos atenção do mercado. Estamos empurrando as pessoas para esse futuro, independentemente desse tamanho: pode ser de um funcionário ou passar dos 100.

Que tipo de benefícios vocês oferecem para as empresas?

Além de toda a possibilidade de networking, temos um espaço concebido para os novos tempos. Temos todo o cuidado com a arquitetura e o design, pois o lugar tem que ser funcional, mas também bonito. Também possuímos espaços compartilhados como cozinhas, bicicletários, café e chopp liberados. Tudo isso serve para estimular as interações. Boa parte das paredes também são de vidro, para trazer esse clima de transparência. As pessoas precisam se ver. Também temos um aplicativo em que todos os nossos clientes se interligam por meio de uma rede social, onde podem prestar serviços para outras pessoas que também estão na WeWork.

Esse lado acaba atraindo mais empresas de tecnologia ou a meta é diversificar?

As empresas de tecnologia acabam se identificando mais, porém queremos mostrar que companhias de todo o setor podem se encaixar. No escritório da Avenida Paulista, por exemplo, temos empresas como a Porto Seguro, EDP, de energia elétrica, e agências de publicidade. A nossa missão é juntar todos no mesmo espaço. A WeWork não foi fundada por um programador, mas por um arquiteto (Miguel McKelvey) e um empreendedor (Adam Neumann). Nosso DNA é de ser uma comunidade inclusiva e tolerante.

E como ser mais inclusivo e tolerante?

Nos adequando aos novos tempos. Todos os nossos escritórios possuem salas de amamentação, por exemplo. Apoiamos a diversidade no local de trabalho e de maneira que todos se sintam mais à vontade. Também estimulamos a igualdade de gênero dentro da nossa empresa. Pelo menos metade dos nossos funcionários, inclusive em cargos de liderança, precisam ser mulheres.






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