Uma casa noturna também pode inovar

Famosa boate de música eletrônica de São Paulo, a D-Edge garimpa DJs por outros boates e até dá cursinho de aprendizes de músicos

Por: - 2 anos atrás

André Jankavski

Os desafios são grandes para abrir uma casa noturna no Brasil. Encontrar um espaço, cumprir com todos os alvarás necessários, criar um conceito, estruturar a casa, decorar, encontrar funcionários e chamar as pessoas para as festas são, resumidamente, alguns deles. A lista de tarefas é praticamente a mesma para todos os estabelecimentos, independentemente do estilo musical.

Então, fica a pergunta: como inovar em um mercado um tanto quanto engessado?

A casa noturna D-Edge, localizada na Zona Oeste de São Paulo, se especializou em música eletrônica. Fundada em 2003, se tornou uma das principais boates do estilo da capital paulista. Para ter esse título, no entanto, a empresa não foi atrás apenas de produzir boas festas no seu espaço localizado no bairro da Barra Funda. Para ser sempre disputada pelos clientes e ter filas na sua porta, a empresa investe nos artistas desde o início da carreira delas.

Há uma série de representantes da D-Edge pelo país. Eles vão para as baladas e escutam a qualidade dos DJs. Caso eles gostem do som, vão logo atrás dos contatos. A partir daí, começa o agenciamento dos artistas. Eles passam por entrevistas com os profissionais da D-Edge, que tentam entender quais são as ambições dos músicos.

“Tem que entender para quem eles gostam de tocar e onde querem chegar”, diz Arjana Vrhovac, responsável pelas relações públicas da D-Edge. “Existem aqueles que aspiram tocar no Rock in Rio, por exemplo, e outros que preferem apenas tocar para amigos, então precisamos alinhar as expectativas.”

Com essa estratégia, a casa já possui mais de 90 músicos em seu portfólio, que se revezam nas noites em que a casa está aberta. Em um sábado, por exemplo, até oito DJs se alternam durante a noite. “Existem salas para cada nível de músico”, diz Vrhovac. “Tocar na pista principal é o último estágio que eles alcançam na D-Edge.”

Escolinha de DJ

Além de garimpar novos talentos Brasil a fora, a D-Edge oferece uma oficina para quem se interessa pela música eletrônica. São 16 horas para um novato se transformar um aprendiz de DJ. Os preços vão de R$ 1,1 mil, para aulas em grupo, até R$ 3,2 mil, este valor inclui um professor particular.

Todas as aulas são feitas na própria D-Edge, com direitos às luzes e os aparelhos de sons usados durante as noites de festa. Os participantes também recebem VIPs para participarem das festas e analisarem as músicas tocadas pelos residentes.