Vinil, CD, Spotify: os próximos passos da musica como experiência

A transformação vivida pela forma como a música é produzida e distribuída foi o tema de um painel realizado no Whow! Festival de Inovação. Confira

Por: - 2 anos atrás

Há três anos, a revista Rolling Stone lançou uma edição especial em seu aniversário de 8 anos no Brasil. Ilustrada com um disco quebrado, a capa trazia uma chamada – e um tema – que remetiam às mudanças vividas pela música, que saía da era física para a era imaterial. A revista que acompanhou a história da música anunciava a chegada definitiva do streaming, celebrada pelo lançamento de um novo álbum do U2, que simplesmente apareceu nos iPhones do mundo todo, via Apple Music.

Hoje, em pleno 2017, essa é uma questão que ainda intriga muita gente: ficaremos sem os CDs? A resposta é “sim” – cada vez mais. Não por acaso, Paulo Cavalcanti, editor da Rolling Stone no Brasil, começou o painel “Das gravadoras ao streaming: qual será a próxima ‘batida’?” contando sobre essa emblemática capa da revista. A interação com a plateia começou logo e o painel foi marcado por um saudosismo misturado com a aceitação de que daqui para a frente a tendência é o CD virar uma raridade – o vinil, então, nem se fala!

Confira a edição online da revista Consumidor Moderno!

Também presente no painel, Renata Gomes, gerente de Comunicação e Marketing da Habro Music, comenta que até mesmo a forma de fazer música está mudando. Cavalcanti concorda: até o rock mudou. “Quando ouvi Sgt. Peppers (Lonely Hearts Club Band, álbum da banda The Beatles) a minha vida mudou”, exemplifica. “Havia um culto ao aparelho de som”, comenta. Hoje, não existe mais ritual.

Marina Kadooka, gerente de marketing da Levi’s, comenta sobre as transformações da música que a marca acompanhou. “Quando falamos da mudança de perder do físico para o imaterial, remetemos a uma só palavra-chave: acesso”, diz. “Quando você fala em prover acesso, é uma forma de democratizar a música”.

Novo modelo de negócio

Izabel Marigo, gerente de negócios da Onerpm, lembra que sua primeira camiseta de banda foi da banda The Beatles, e ela tinha 8 anos. Desde aquela ideia ela sabia que queria participar da música, mas não tinha talento musical e não sabia como trabalhar na área. Virginiana e cheia de cuidados, quis trabalhar com Direito e foi contratada pela Warner Music, acompanhando direitos autoriais e royalties, vendo o CD perder espaço. “Lá, tive uma visão mais técnica, e me deu espaço para fazer o que a Onerpm faz: ajudar independentes a ganhar mercado”.

A empresa começou como startup há sete anos e hoje é uma das maiores do mundo”, diz. Prova disso é que fazer o upload de 300 álbuns por dia. O negócio funciona assim: o artista leva o álbum à Onerpm e a empresa o envia para canais de streaming, fazem um pouco de marketing, sem contar com gravadoras. “Ficou mais democrático, apesar de mais trabalhoso”, diz Izabel. “Por mais que você tenha que se esforçar mais, seu talento pode chegar a algum lugar”.

Outro cenário

Mas, afinal, o que é fazer música hoje? É ter uma a plataforma? É a sensação que a música traz? Diante dessas questões, Cavalcanti comenta que o objetivo das pessoas varia – desde ter sucesso a querer fazer um trabalho bom. Ou seja, a resposta varia.

Contudo, Izabel – que é apaixonada por CDs – comenta que hoje as pessoas precisam se promover, seja qual for o objetivo. Isso é basico, na opiniao dela. “As pessoas precisam, por exemplo, se ligar a marcas para ganhar visibilidade”, afirma. E é esse o tipo de coisa que a Levi’s faz. Mas, Marina destaca: a marca precisa ter noção de que quem tem que ter visibilidade é o artista. Ou seja, fiquem tranquilos: a plataforma vai mudar, mas a música não vai morrer.

Confira a cobertura completa do Whow! Festival de Inovação