A verdade está com quem tem o poder: o consumidor

“Até quando empresários vão fingir que a internet é apenas um dos caminhos para seus negócios avançarem e serem bem-sucedidos?”

Shutterstock

Fala-se muito sobre empoderamento do consumidor e da crescente importância do ambiente digital na vida das pessoas – e por consequência, para as empresas, sejam elas multinacionais ou pequenos negócios locais. Desde que Jim Lecinski, vice-presidente de vendas de serviços para os EUA do Google, criou o conceito do Momento Zero da Verdade ? ZMOT, da sigla em inglês ?, retratado com brilhantismo em seu livro homônimo lançado em 2011, todos sabem, ou deveriam saber, que a maior parte das pessoas decide, se informa e avalia as possibilidades de compra em consultas à internet. Ou compra online mesmo, ou dirige-se à loja ou prestador de serviço escolhido e realiza o negócio.

Dados oficiais do Google indicam que massacrantes 98% do público global pesquisa na internet antes de adquirir ou contratar algo. E não há porque desmerecer o dado ou querer segmentá-los por regiões ou faixas etárias. É óbvio que há variações, sobretudo em um país com dimensões continentais e tantas diferenças como o Brasil, mas esse comportamento já está arraigado no cotidiano do brasileiro, faz parte de seus hábitos: consumir informação e referências sobre negócios, produtos e serviços locais.

Confira a edição online da revista Consumidor Moderno!

Na empresa que presido, a Lista Mais, temos convivido com esta realidade de maneira brutal. E não estamos em grandes centros tecnológicos ou metrópoles, ou lidando somente com a geração Z. Atuamos em Presidente Prudente, Araçatuba, Birigui e cidades ao redor. Quer outro elemento marcante? Não temos grandes empresas entre as listadas em nossa plataforma ou clientes, são micro ou pequenos negócios locais: encanadores, eletricistas, restaurantes, lojas, salões de beleza, pet shops, buffets etc. Mas contamos com 30 milhões de acessos e mais de 2,7 milhões de empresas e empreendedores cadastrados!

Antes, produtos e serviços de qualidade e bem comunicados eram os vencedores, conquistando primeiro o “share of mind” para depois avançarem e conquistarem o “share of market”, no que chamávamos no “mundo analógico” de Primeiro Momento da Verdade, aquele que tratava da compra física, da decisão do consumidor baseada no reconhecimento pela marca e preço do produto exposto. Agora, o que importa é a reputação online, construída de maneira clara, planejada e específica, somada às manifestações legítimas, espontâneas ou não, de consumidores que, de fato, mais do que nunca, detêm o poder nas mãos, com a capacidade de fazer a melhor escolha, sempre: informação. Acessam não apenas dados básicos, como endereço, contatos, preço, condições, características específicas dos produtos e serviços; como também a qualidade final do que está sendo vendido, do atendimento, pós-vendas e tudo mais que envolver a negociação, incluindo valores implícitos.

Diante desse cenário, pergunto: até quando empresários vão fingir que a internet é apenas um dos caminhos para seus negócios avançarem e serem bem-sucedidos? Até quando pensarão “minha empresa é analógica ou presencial e não tenho necessidade de estar no digital”? Quantas oportunidades de negócios se perdem diariamente por não estarem corretamente expostos e visíveis na web?

Pensem nisso e façam diferente, façam melhor, façam mais. Se discordam de mim, entendam: seus clientes pensam e agem assim.

* João Paulo Gonçalves é CEO da Lista Mais, empresa que reinventou os serviços de listas telefônicas no Brasil, na qual ingressou como estagiário, adquirindo seu controle como sócio nove anos depois.

MAIS LIDAS

VEJA MAIS

ÚLTIMAS

VEJA MAIS

Quanto custa abrir uma franquia de varejo no Brasil?

Home office é tendência de trabalho para 2020: veja 5 dicas

“Parasita”: Pessoas, baratas, parasitas e a diluição da identidade

Manu Gavassi e sua brilhante estratégia de branding. O que as marcas podem aprender com ela?

Quais são as tendências para 2020. Veja a lista

VEJA MAIS