O impacto das startups em grandes mercados

Executivos de grandes empresas debatem como as startups e seus novos modelos de negócio e de inovação estão impactando a cultura das concorrentes

As startups são uma realidade no mundo dos negócios e tanto saber, por um lado, como competir e colaborar com elas, quanto, por outro, englobar aspectos de sua cultura, é um desafio que está colocado na mesa das grandes empresas. A maneira como estas pequenos e poderosos negócios estão obrigando as veteranas a se reinventarem foi o tema debatido no painel “A startup nossa de cada dia – vale a pena ter uma dentro da empresa?”, que aconteceu durante o segundo dia do CONAREC 2017.
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“Somos uma empresa de quase 95 anos, num mercado que é uma commodity, o serviço financeiro. Se reinventar é o nosso maior desafio”, disse o diretor de tecnologia do Itaú Unibanco, Lineu Andrade. “Sempre tivemos o hábito de enviar os nossos executivos para o Vale do Silício e vimos que poderia ser pouco produtivo se não conseguíssemos converter isso em transformação na empresa. Nossos anticorpos matam as ideias. Os anticorpos das grandes organizações são muito poderosos.”
Andrade cita a fundação do Cubo, a incubadora de startups criada há dois anos pelo Itaú, como um ponto de virada na cultura do banco. “Essa proximidade nos provocou bastante a mudar nosso processos. Hoje temos uma equipe interna de 6 mil profissionais e estamos mudando nossa forma de trabalhar, aproximando a tecnologia muito mais dos negócios.”

Barreiras em queda

O CEO da VR Benefícios, Estanislau Bassols, conta que o trabalho dentro da empresa de benefícios atualmente tem sido no sentido de derrubar barreiras hierárquicas e garantir a diversidade entre as pessoas. Isso, defende, é a base para continuar inovando. “Quando cheguei éramos um ecossistema de centenas de pessoas faturando algumas dezenas de milhões de reais; hoje somos milhares com um faturamento nas centenas de milhões”, disse. “O desafio é conseguir continuar com o espírito de startup, ou seja, nunca chegar no ponto em que a estabilidade se torna o principal inimigo”, disse.
O CEO da Livraria Cultura, Sérgio Herz, que também participou debate, lembra que, apesar do glamour que as envolve hoje, as startups possuem pontos fortes e fracos, e que a troca de aprendizados se dá nos dois sentidos – entre as grandes e as pequenas. “A inovação não vem só da empresa pequena, ela vem da pequena e da grande. É que com o mundo digital as empresas de menor porte ganharam visibilidade e potencial de crescimento”, afirmou. “Toda satrtup pode ser grande e toda grande organização já foi uma startup. O que nós queremos é aprender com o que cada uma tem de bom e tem de ruim.”
“Hoje há uma impressão de que tudo acontece muito mais rápido, tudo parece que pode acabar com um negócio inteiro amanhã”, disse Alfredo Redondo, CEO da Altitude Software. “No fundo, estamos falando de soluções que trazem simplicidades para nossas vidas mas que na verdade embutem uma grande complexidade por trás, de tecnologia, análise de dados e de informações.”
“A tecnologia é um ponto vital e ela veio para ficar”, acrescentou Alessandro Toledo, presidente da Associação Nacional das Adminsitradores de Benefícios (Anab), que contou como o segmento de planos de saúde, representado pela associação, vem aos poucos conquistando dentro de sua regulação o direito de poder ser comercializado online. “Por isso as startups são grandes aliadas e é importante que estejam dentro das empresas, ajudando-as a entender melhor o negócio e o cliente.”
“Há uma coisa que sempre esteve no core de qualquer empreendedor e que nunca mudou, que tem a ver com resiliência e com acreditar que as coisas darão certo”, disse o presidente da ABStartups, amure Pinho, que mediou o debate. “O que temos hoje, e que antes não existia, é o empreendedor que está  mudando o modelo dos negócios. este mindset de disrupção que é novo.”
“A verdade é que nenhuma empresa, de nenhum setor, pode navegar na velocidade de um cruzeiro e achar que vai ter sucesso”, acrescentou André Svartman, diretor geral de marketing do Walmart Brasil, uma companhia que soma 2 milhões de funcionários em todo o mundo e que, segundo o executivo, também está em constante mudança. “A mudança cultural é a maior dificuldade das megaempresas, mas é necessário romper isso com equilíbrio”, disse. “Se elas possuem anticorpos que ‘combatem’ novas ideias, vale lembrar também que as vacinas vêm do próprio vírus. Então ela tem que saber abarcar o novo sem abrir mão de sua história.”

Confira aqui a cobertura completa do CONAREC 2017, que tem como tema “Somos todos Millennials”






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