21 Razões para começar a praticar mindfulness amanhã

Especialista detalhou o conceito e seus diversos benefícios para a vida humana durante apresentação no Conarec. Conheça e pratique

Grandes empresas do mercado estão aderindo ao Mindfulness. A mais famosa, talvez, seja o Google, mas outras companhias como 3M, Bayer e diversas outras também abraçaram o conceito. Marcelo Batista de Oliveira, psicólogo e instrutor de Mindfulness do Centro Paulista de Mindfulness/Mundo Mindfulness leva pessoalmente a prática para as organizações. Durante o Congresso Nacional das Relações Empresa-Cliente, o especialista explicou porque toda a sociedade – e também o mundo dos negócios – pode se beneficiar com a técnica, que alinha atenção plena e compaixão.

Para começar, é preciso entender o contexto que vivemos. O executivo recordou um experimento realizado pela Universidade de Virgínia levou voluntários para ficar 15 minutos sentados em uma sala sem fazer nada. Depois da experiência, 60% dos participantes afirmou que ficou muito desconfortável durante esses minutos. As mesmas pessoas foram levadas para outra sala, na qual havia um botão (que quando apertado dava choque). Mais da metade das pessoas preferiram a sala com o botão (e o choque) em vez de simplesmente ficar 15 minutos em silêncio no ambiente. O que compaixão e mindfulness têm a ver com isso?

Para responder, Oliveira citou uma famosa frase do matemático Blaise Pascal: ““Todos os problemas da humanidade decorrem da incapacidade do homem de sentar-se calmamente em uma sala sozinho”. “É imprescindível viver o presente. E, apesar de estarmos falando sobre viver o presente e compaixão, esse é um assunto totalmente científico”, explicou. “Quando falamos de mindfulness, estamos falando de 40 anos de pesquisas. O parlamento inglês tem uma sessão de mindfulness por semana”.

Afinal, o que é mindfulness?

Mesmo com a popularização do conceito nos últimos anos, ainda existem muitas dúvidas e confusões com relação ao seu significado. Assim, o especialista trouxe dois conceitos diretos da ciência. A ideia de Jon Kabat-Zin que define como “A consciência ou estado mental que surge ao se prestar atenção, de forma intencional, à experiência ou fenômeno presente, sem julgá-la, criticá-la ou reagir a ela”. E a visão de Scott Bishop que afirma que a prática é uma “regulação intencional da atenção, focada na vivência imediata”, uma “orientação para a experiência, caracterizada por curiosidade, abertura e aceitação”.

Basicamente: estar atento ao momento presente com atenção, abertura e aceitação, sem julgamento. Viver o agora. “A técnica, na verdade, já é conhecida há mais de dois mil anos, faz parte de culturas orientais milenares. O que aconteceu foi que o Jon Kabat-Zin tirou a roupagem religiosa e passou a usar e estudar a técnica para ajudar pessoas com problemas crônicos, dores e outros problemas”, explicou Oliveira.

Por que viver o presente?

É importante destacar que o mindfulness em si não é uma meditação, mas um estado de consciência. “As pessoas costumam me dizer que estão sempre assim. Quem pratica pouco, acha que está as vezes, quem pratica muito, costuma dizer que está assim raramente”, brincou. “A ciência explica que quanto mais mindfulness uma pessoa fizer, maior será sua saúde e qualidade de vida. Menos será o nível de estresse, menos ansiedade, menos burnout…”.

A meditação, claro, ajuda na busca pelo mindfulness, existem técnicas voltadas para isso, é um treinamento. Literalmente um treinamento para o cérebro. Porque mesmo que uma pessoa acredite que realmente está prestando atenção no momento atual, muitas vezes não está. Muitas vezes, está pensando nas contas para pagar, no horário de ir embora, em um determinado problema qualquer. Esse pensamento inconsciente leva a pessoa para aquele estado corpóreo.

“Quando lembramos de uma situação ruim na vida, não simplesmente temos a lembrança, nós temos a vivência biológica e fisiológica daquele momento. O cérebro não entende muito bem quando estamos vivendo algo realmente e quando estamos lembrando, portanto, lembrar de algo estressante é fazer com que o corpo seja bombardeado novamente por adrenalina e hormônios de estresse”, ressaltou o psicólogo.

Pesquisadores de Harvard desenvolveram um aplicativo que de tempos em tempos emite um sinal sonoro e questiona: você está contato com o que está fazendo agora? Os resultados mostraram que 47% do tempo não estamos conectados com nossos atos – estamos no passado ou no futuro. Ao aplicar uma escala de felicidade nos usuários, eles perceberam que quanto menos a mente de alguém divaga, mais feliz essa pessoa é.

Por que não estamos sempre em contato com o presente?

Quando acontece um fato estressante em um dia comum – como um pneu furado no caminho do trabalho quando já estamos atrasados – é bastante provável que fiquemos o dia todo repassando aquele momento ruim na cabeça. O pneu fura, ocorre o estresse do atraso, a preocupação com o que dizer ao chegar no escritório e geralmente a história é repetida durante o dia todo para várias pessoas diferentes. Enquanto isso, o cérebro revive toda a sensação corpórea que ocorreu naquele primeiro momento de estresse – e geralmente não estamos conscientes disso.

“Há uma explicação fisiológica e biológica do porquê nosso cérebro foca no pior e não no melhor. Evoluímos essa característica por uma questão de sobrevivência”, explicou Oliveira. “Não tem problema falar várias vezes que o pneu furou, o problema é como fazemos isso. Se você não faz consciente, a sua mente te leva pra um determinado lugar. Quanto menos mindfulness você for, menos você consegue se perceber e controlar, mais você fica repetindo os eventos”.

E nós não precisamos nos colar a eventos passageiros. Não precisamos reviver tantas vezes uma situação de estresse. Quando temos a mente treinada e conseguimos ter consciência dos nossos atos e pensamentos, é possível diminuir a reatividade. Conseguimos respirar em uma situação, qualquer que seja ela, para perceber o que realmente estamos pensando e só então reagir. Diminui aquela sensação de “não deveria ter feito isso”.

Portanto: mindfulness é a habilidade de estar mais aqui, no presente, sair do automático de simplesmente reagir e, assim, ser menos destrutivo consigo mesmo. “É o que a ciência chama de metacognição, a habilidade de pensar sobre o próprio pensamento e assim não se colar a ele, simplesmente deixar ir”.

O que isso tem a ver com negócios?

Negócios são construídos por pessoas. Pessoas tem tudo a ver com mindfulness. “A depressão é a quarta principal doença do mundo. Especialistas dizem que em 2020 será a segunda e em 2030 a primeira. Depressão já é a doença que mais incapacita trabalhadores no mundo. Os remédios mais receitados do Brasil são ansiolíticos”, lembrou o psicólogo. Nesse contexto, mindfulness é fundamental – porque seus ganhos são diretos na saúde da mente.

A Universidade de Oxford percebeu em um estudo que mindfulness é capaz de evitar que as pessoas tenham recaídas de depressão, por exemplo.

Assim, aprender o mindfulness, colocar em prática meditações que possibilitam o alcance desse estado de consciência é exercitar o cérebro e cuidar da saúde e da felicidade pessoal. Treinando esse estado de consciência, diversas habilidades são melhoradas. “Os neurocientistas mostram que depois de um programa de oito semanas de mindfulness as áreas do cérebro ligadas a empatia, atenção, escolhas e outros benefícios ficam maiores. A amídala temporal, responsável por nossas reações impensadas, diminui”.

Assim, o especialista elencou diversos benefícios que um treinamento de oito semanas  de mindfulness traz:

1- Reduz a produção de cortisol (hormônio do estresse);

2- Melhora funções cognitivas e a memória;

3- Melhora a qualidade do sono;

4- Alivia  a ansiedade;

5- Retarda o envelhecimento cerebral;

6- Auxilia no combate a doenças mentais;

Em termos de colaboração:

7- Auxilia na redução de conflitos no local de trabalho;

8- Ajuda em um melhor gerenciamento de emoções;

9- Ajuda a desenvolver uma cultura mais colaborativa;

10 – Aumenta a resiliência;

11- Auxilia na felicidade e na satisfação com o trabalho;

Em termos de equilíbrio:

12- Ajuda a ter maior foco e atenção nas atividades diárias;

13- Auxilia na tomada de decisão e planejamento estratégico mais eficientes;

14- Reduz o absentismo;

15- Deixa seu praticante com menor vulnerabilidade ao estresse, ansiedade e depressão;

16- Diminui a incidência de doenças relacionadas ao estresse;

Em termos de desenvolvimento:

17- Aumenta a criatividade;

18- Aumenta a auto-consciência;

19- Melhora a capacidade de resolução de problemas;

20- Melhora a empatia;

21- Ajuda a desenvolver a compaixão.

“Uma pesquisa recente mostra que quando apenas uma pessoa na família faz um curso de mindfulness, a família toda é beneficiada. A mesma coisa acontece no trabalho”, lembrou o especialista. “Ellen Langer, uma pesquisadora especialista no assunto, também já mostrou que uma pessoa que trabalha mais mindfulness geralmente tem seu trabalho avaliado melhor que a média”.

O que a compaixão tem a ver com isso?

“Depois do mindfulness, a meditação da compaixão é a mais estudada no mundo. A ciência mostra que quando você direciona sentimentos de bem estar e bem querer mesmo para pessoas que você não gosta, o beneficiado é você”, destacou Oliveira.

A compaixão é algo natural e primitivo do ser humano. Crianças pequenas ajudam sem pedir nada em troca, por exemplo. “A agressividade vem do sentimento de proteção, do medo de perder uma determinada coisa”, analisou. “Se uma pessoa se mantém em um estado de estresse por muito tempo, é corroída por dentro. A adrenalina e o cortisol são destrutivos. A raiva pelo outro é muito pior que o estresse pelo pneu, ela se mantém, mexe biologicamente”, explicou. Por isso: não existe mindfulness sem compaixão e autocompaixão.

“Quando eu começo a me perceber, eu quero ajudar. Ao perceber o outro, eu me torno mais efetivo nessa relação”. Após tantas informações, o especialista finalizou com uma mensagem: “Pratique mindfulness como se sua vida dependesse disso – porque, em muitos sentidos, ela depende. Mindfulness não é sobre viver como se tudo fosse maravilhoso, é sobre ter escolhas em cima daquilo que nos faz mal. Como diz Jon Kabat-Zin, você não pode parar as ondas, mas pode aprender a surfar”.

*Confira a cobertura completa do evento aqui






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