Saiba como o Facebook quer lucrar com a Black Friday no Brasil

Rede social expande ferramentas para auxiliar varejistas na data de vendas e pretende influenciar ainda mais as compras dos consumidores

O Facebook está presente em boa parte das nossas vidas, quer você queira ou não. Mesmo se você não tiver uma conta na rede social de Mark Zuckerberg, muito provavelmente deve ter um perfil no Instagram. Caso você negue que poste alguma foto por lá, ainda existe uma possibilidade maior ainda de você conversar com os seus amigos pelo WhatsApp. E agora na Black Friday, a rede social quer estar ainda mais próxima de você – e colocar as empresas ao seu lado.
A influência do Facebook nas vendas do varejo vem crescendo exponencialmente. Segundo um estudo encomendado pela empresa chamado “The Blue is the new black”, 60% dos brasileiros admitem que o Facebook influencia de alguma maneira as suas compras pela internet. Já o Instagram impacta 33%. Isso também é evidente nas transações feitas por celular. No fim do ano passado, segundo a rede social, 80% daqueles que fizeram as primeiras compras por meio do smartphone tiveram algum tipo de empurrãozinho do Facebook.
Até por conta disso, a companhia enxerga a Black Friday como uma grande oportunidade de ampliar ainda mais os seus negócios por aqui. “O Facebook e o Instagram se fortalecem como canais onde as marcas podem alcançar potenciais compradores de maneira precisa”, diz Gabriela Comazzetto, líder de vendas do Facebook no Brasil.
O potencial, de fato, é gigantesco. Enquanto o Instagram conta com “apenas” 45 milhões de usuários em sua base brasileira, o Facebook ultrapassa as 120 milhões de pessoas. E as ferramentas que a rede vêm colocando em prática promete atingir grande parte deles.

Por mais vendas

Uma grande aposta do Facebook é o conceito de machine learning, que vem sendo aprimorado nos últimos anos. Essa inteligência artificial resultou em produtos como os Anúncios Dinâmicos, que dá a liberdade das empresas criarem um catálogo completo de produtos que serão veiculados em plataformas como o próprio Facebook, Instagram e no Audience Network. Ou seja, um único anúncio pode mostrar todo o portfólio de uma companhia.
Esta última ferramenta, aliás, teve uma expansão no Brasil anunciada no mês passado. O diferencial do Audience Network permite que anunciantes consigam produzir campanhas além do feed de notícias do Facebook. “Análises mostram que o alcance de campanhas aumenta em média 16% quando anunciantes utilizam o Audience Network em conjunto com O Facebook e o Instagram”, diz Gabriela.

Um novo consumidor (ou vários)?

De acordo com a executiva, é impossível desenhar um perfil de consumidor pela internet. Existem aqueles que estão para descobrir marcas, produtos e serviços, por exemplo, para depois irem até uma loja física. Outros ficam pela internet. E assim segue a vida.
Por conta dos clientes terem comportamentos tão distintos, o Facebook vende para as empresas um conhecimento mais assertivo desses consumidores. Já que o Facebook e o Instagram permanecem ativos nos smartphones, a companhia consegue compreender diversos sinais de interesse dos indivíduos – informações que valem ouro para as empresas.
“Isso garante que os anunciantes, de forma anônima e agregada, consigam encontrar com mais precisão grupos de pessoas”, afirma Gabriela. “Conseguimos conectar indivíduos com objetivos dos negócios, permitindo que as marcas sejam descobertas por novos clientes.”
E esse reconhecimento do consumidor feito pelo celular pode representar um grande salto nas vendas para o varejista, segundo o Facebook. Para provar isso, a empresa encomendou um estudo da GfK que mostrou que a maioria dos entrevistados utilizarão o smartphone para compras na Black Friday e para o Natal. Apesar de apenas 29% das pessoas admitirem pretender concluir a transação pelo celular, 67% afirmam que vão pesquisar produtos nos e-commerces pelo aparelho. Outros 59% dizem procurar informações de produtos e serviços no celular.

Vigilância sadia?

Ao mesmo tempo em que o Facebook traz diversas soluções e informações valiosas para as empresas, há companhias que começam a se sentir pressionadas pela influência da rede social e também do Google. “Atualmente, é possível dizer que há um duopólio da publicidade da internet”, diz um consultor que não quis se identificar. “E as empresas não estão gostando de ficar na mão de apenas duas empresas com tantos dados.”
Além disso, a empresa, assim como o Google, sofre com críticas a respeito da disseminação de notícias falsas e fraudes em sites de compras. Esses casos, aliás, são considerados uma espécie de calcanhar de Aquiles dessas companhias – que tiveram até as suas ações afetadas por conta dessas adversidades.
Quanto a esses problemas, Gabriela, do Facebook, admite que é um tema complexo e que todos os envolvidos – empresas de tecnologia, mídia, academia, governos e ONGs – têm a responsabilidade de buscar soluções. No caso do Facebook, segundo ela, a companhia vem trabalhando em três frentes.
“Acabar com os incentivos econômicos, já que a maioria das notícias falsas são disseminadas por motivação financeira; desenvolver novos produtos para reduzir a propagação de notícias falsas e aumentar a diversidade de informações; e ajudar as pessoas a tomar decisões conscientes quando se deparam com notícias falsas”, diz Gabriela.
Se a empresa de fato vai conseguir diminuir o problema, é tema para um próximo capítulo.

MAIS LIDAS

VEJA MAIS

ÚLTIMAS

VEJA MAIS

Vídeos

VEJA MAIS

Revista Consumidor Moderno

VEJA MAIS