Especial liderança: o CEO precisa motivar a equipe, diz presidente da BB e Mapfre

Em entrevista à CM, o executivo Luis Gutiérrez fala sobre as suas visões a respeito de liderança, suas inspirações e até de conflito entre gerações

Foto: Douglas Luccena

Em janeiro de 2017, o espanhol Luis Gutiérrez se tornou o principal executivo da área de automóvel, seguros gerais e affinities do Grupo Segurador Banco do Brasil e Mapfre, também conhecido como BB e Mapfre. Os doze meses já ajudaram Gutiérrez a entender o complexo mercado brasileiro. Isso, no entanto, não aconteceu sem ter um estilo de gestão mais aberto.

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O executivo abraçou a ideia de ser um exemplo para os seus funcionários. No caso da BB e Mapfre, isso é mais do que necessário. Cerca de 65% da empresa é formada por jovens das gerações Y e Z. E esses profissionais precisam estar inspirados para render mais.

Segundo um levantamento da Bain & Company, um colaborador inspirado é 125% mais produtivo do que um funcionário apenas satisfeito – algo ainda mais comum entre os jovens.

Confira, a seguir, a entrevista de Gutiérrez, a primeira do especial de liderança da Consumidor Moderno. Nas próximas semanas, você acompanhará diversas entrevistas com grandes executivos do mercado brasileiro a respeito de gestão, motivação de equipes e até mesmo conflito de gerações.

CONSUMIDOR MODERNO – Como o sr. avalia o perfil do executivo de hoje?

Luis Gutiérrez – Hoje as mudanças ocorrem a todo momento e de forma cada vez mais rápida. Como os ciclos de mudanças são mais curtos, é necessária a renovação recorrente. Dentro deste contexto, o líder tem o desafio de antecipar as tendências e trazer a corporação sempre para o futuro.

CM – Conversa é mais efetiva do que ordens?

LG – Todo esse processo requer diálogo, diversidade e muita observação. Sem dúvida, a conversa é mais efetiva e também essencial para potencializar a participação ativa das equipes. É impossível parar um time que acredita nos mesmos sonhos que o seu líder.

CM – Como o sr. se enxerga como principal executivo na questão de liderança?

LG – Temos o papel de liderar a empresa para o melhor caminho e, para isso, é preciso contar com os talentos que compõem a organização. Uma gestão aberta ao diálogo, que prega a diversidade – por meio da integração entre todos, incluindo gerações, gêneros etc. – é fundamental para a sustentabilidade dos negócios. No grupo, prezo pela conexão com todos.

CM – Como define o seu trato com os funcionários?

LG – Integro um dos grupos de debate do Conselho de Diversidade – iniciativa interna que tem como objetivo fortalecer a cultura de respeito às diferenças. Também participo do programa de mentoring reverso – ação que permite que jovens talentos levem conhecimento e informações para profissionais sêniores da seguradora.

Ainda tenho relacionamento com os diversos públicos como prioridade – programas como o “Falando com o Presidente” e “Colaborador de Destaque” são excelentes espaços para o compartilhamento de conhecimentos e visões. Portanto, é fundamental a capacidade de criar laços e desenvolver equipes. Sozinho é impossível trilhar qualquer trajetória de sucesso.

CM – Há algum líder em que o sr. se inspira? Qual seria?

LG – Minha mãe é meu grande exemplo. Foi ela que me ensinou a olhar nos olhos das pessoas, desde pequeno, independentemente da situação, e a zelar pelo meu nome em todas as circunstâncias.

CM – Em sua opinião, o perfil do líder mudou de um tempo para cá?

LG – Sem dúvida. A liderança tinha o papel de dar a palavra final sobre temas, exercendo um papel mais de chefe. Hoje eu tenho uma postura de ouvinte, observador e consultor, alinhando os diferentes pontos de vista. É lógico que o poder de direcionamento sempre caberá ao líder, mas a tomada de decisões ao longo do processo deve ser realizada pelos talentos que estão gerenciando e operacionalizando as ações. A autonomia é saudável e rentável para a organização e para os colaboradores. Digo sempre que é preciso parar de fazer grupos de trabalho. É preciso ter grupos para fazer.

CM – Quais são as características essenciais para um CEO, na sua opinião? E os principais desafios?

LG – O CEO não pode perder o poder de reinvenção, a confiança na intuição, visão de futuro e a capacidade de motivar os talentos. Sinto que tenho o papel de motivar, incentivar para que todos acreditem em suas habilidades e na sua capacidade de superar as conquistas. Por outro lado, essa característica também é um desafio minuto a minuto. É preciso muita observação de outros mercados e de diálogo com os públicos internos e externos, além de estudo constante.

CM – Como o sr. lida com o conflito entre gerações – e qual o seu trato como uma delas?

LG – Me motiva lidar com diferentes gerações. Por um lado, temos talentos com ampla experiência e expertise de atuação no mercado. Do outro lado, temos jovens que nasceram na era da internet e das soluções rápidas. Como presidente de uma empresa líder, mas que não nasceu na era digital, vejo que a união desses públicos é fundamental para realizarmos a transformação da organização para este novo cenário.

CM – Uma geração tem que ser tratada diferente da outra?

LG – Apesar disso, importante pontuar que a sociedade é composta por seres híbridos. Não existe o perfil essencialmente digital ou offline, pois agimos de formas diferentes de acordo com as ocasiões. Portanto, este momento é, ao mesmo tempo, um desafio e uma chance única. Nossa geração é a primeira a vivenciar estas questões e aproveitar as oportunidades está em nossas mãos.

CM – Como o sr. se preparou para assumir a cadeira de presidente?

LG – Eu sempre acreditei que dependia de mim, do meu esforço. Nasci em uma família de origem humilde e conquistei meu sucesso profissional com estudo, muitas horas de trabalho e perseverança. Sempre fui inconformado e nunca me abalei com as dificuldades que surgiram ao longo da trajetória, pois tracei minha meta e nunca desisti. Busco sempre cuidar para que essa energia se mantenha em mim e caminho todos os dias para conservar minhas conquistas e alcançar os novos objetivos. Acredito que tenho e ainda terei muitos desafios pela frente e estou muito feliz por ter a oportunidade de enfrentá-los.

CM – Como o sr. enxerga o líder do futuro? Qual é o perfil que o sr. espera?

LG – O líder do futuro será aquele que acredita na superação de desafios e conquistas, consegue engajar seus talentos para a constante renovação de conhecimentos, de forma a transferir essas características para o negócio, e nunca desiste diante dos fracassos. Outra característica fundamental é a capacidade de adaptação. Enxergo que será em um líder flexível, confiante e que age por meio do seu conhecimento para enfrentar os entraves do dia a dia, e não somente como forma definida de atuação, além de ser um profissional disponível para reagir com sucesso diante das questões diárias.

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