4 dicas para equilibrar o orçamento (ou diminuir as dívidas) no início do ano

Lidar com gastos de Natal e contas sazonais de início de ano nem sempre é uma tarefa fácil – principalmente sem organização. Veja como não se tornar refém das dívidas

Por: - 11 meses atrás

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Equilíbrio financeiro muitas vezes é um tema espinhoso para os brasileiros – e falta de planejamento geralmente vem acompanhado de dívidas. Neste 2018, apenas 15% dos consumidores apontam ter condições de pagar as despesas sazonais de início de ano com seus próprios rendimentos. Nessas contas entram itens como IPTU, IPVA e material escolar dos filhos. Os dados são de uma pesquisa do Serviço de Proteção ao Crédito (SPC Brasil) feita junto a Confederação Nacional dos Dirigentes Lojistas (CNDL).

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O levantamento também mostra que 17% dos entrevistados não fizeram nenhum planejamento para lidar com esses gastos extras. Levando em consideração as compras de Natal, esse quadro pode ser bastante complicado. Em média, o consumidor que parcelou as compras de fim de ano vai terminar de pagar as parcelas entre abril e maio. São consideráveis meses com o orçamento comprometido junto a tantos outros compromissos financeiros do início do ano.

Dependendo do número de pendências, o risco de endividamento pode ser bastante alto. E esse mal traz outra preocupação: quando o consumidor fica em débito com uma empresa, seu nome pode ser enviado para órgãos de Proteção ao Crédito, ocasionando o famoso “nome sujo”. Isso causa, por exemplo, taxas de juros mais altas na hora de buscar crédito, bem como restrições no CPF para outros tipo de compras maiores, como um carro ou um apartamento. Como fugir do ‘vermelho’ antes de ficar com o nome negativo? Confira quatro dicas:

1- Tenha noção da dívida

É preciso saber o quanto se deve. Se o mês está para fechar e você percebeu que não conseguirá pagar todas as contas, faça uma análise cautelosa da situação. Faça continhas, literalmente, coloque cada valor na ponta do lápis. Veja que contas ainda precisam ser pagas e quanto ficou disponível para quitá-las. É melhor encarar os números de frente do que ignorar os dígitos negativos da conta e correr o risco de pagar mais juros. Para a economista-chefe do SPC Brasil, Marcela Kawauti, mesmo quem não se planejou para o início de ano ainda consegue se organizar. “O primeiro passo é fazer um mapeamento pensando no futuro, mas sempre de olho no retrovisor, pois janeiro é um mês com muito acumulo de gastos, como viagens do período de festas e parcelas remanescentes do Natal”, destaca.

2- Tenha disciplina

A partir do momento que a dívida existe, é preciso cuidado para que ela não fique ainda maior. Entenda que gastos podem ser cortados e faça um controle das necessidades financeiras para não gerar novas dívidas. Organização é fundamental para retomar a saúde financeira. Uma boa dica é listar todos os gastos obrigatórios (possíveis contas e dívidas), necessários (supermercado, saúde, educação) e opcionais (como atividades de lazer), cortando aquilo que não é possível manter neste momento. Mesmo que seja difícil abrir mão de uma distração no fim de semana, é sempre bom lembrar que é apenas uma fase e com o reequilíbrio das contas tudo tende a voltar para o seu lugar.

3- Conheça os juros das suas dívidas

Se a dívida estiver relacionada com o cheque especial, rotativo do cartão de crédito ou financiamento de algum bem, é importante entender quanto de juros e Custo Efetivo Total será pago em cada uma das contas. Isso é muito importante na hora de entender qual será o novo valor da dívida e, assim, começar a procurar alternativas para pagá-la.

Uma das recomendações do SPC Brasil é uma negociação de dívidas com o credor, com o intuito de viabilizar novas condições e formas de pagamento dentro do orçamento atual. Vender bens ou procurar um serviço extra podem ser opções para ajudar a cobrir a dívida.

4- Conheça opções de empréstimo

Se a situação está realmente difícil e não tem jeito de controlar a dívida, mesmo que faça cortes a partir de agora, é hora de ir atrás de opções de empréstimos com taxas mais baixas do que as que você tem para pagar atualmente. José Vignoli, educador financeiro do portal ‘Meu Bolso Feliz’, lembra que um novo financiamento para quitar dívidas deve ser encarado como última opção.

“Se o consumidor estiver inadimplente no cartão de crédito ou no cheque especial, a troca da dívida por outra com juros menores como o empréstimo pessoal ou consignado é uma opção que compensa”, explica. “Assim, ele pode contrair um empréstimo pessoal ou consignado para quitar a dívida e evitar que ela se transforme em bola de neve”.

É interessante simular a contratação do crédito nos bancos e também em sites de empréstimo online. “De posse dessas propostas, será possível saber se há condições melhores em instituições financeiras e trocar a dívida atual por uma mais barata”, aponta Marcelo Ciampolini, CEO da Lendico. O site do Banco Central tem informações sobre as taxas de juros de todos os bancos.