A grande jornada da IA em nossa vida e nosso mundo

Os limites da IA não foram sequer imaginados. O SXSW mostrou algumas possibilidades dessa tecnologia que fascina e assusta

Por: - 1 ano atrás

Imagine um grupo de talentos científicos falando animadamente sobre as possibilidades e as questões mais quentes envolvendo a evolução da inteligência Artificial. Agora, desembarque em Austin, e veja o resultado dessa conversa surpreendente no SXSW. Adam Cheyer, co-fundador da Viv Labs, Daphne Koller, Chief Computing Officer da Callco Labs, Loic Le Meur, CEO da Leads.rs e Nell Watson, Membro da unidade de Robótica e IA da Singularity University e filósofa tecnológica, fizeram o painel “Explorando a inovação em Inteligências Artificiais”, um debate esclarecedor sobre as aplicações da IA mais inesperadas possíveis. Os cientistas falaram muito sobre aplicações no trabalho, na biologia e muito mais.

O que está acontecendo de mais inusitado nas pesquisas sobre IA no mundo? Adam Cheyer diz que nunca houve uma onda de pesquisas e trabalhos e estudos tão intensos sobre uma tecnologia como aquela que se vê atualmente nos campos da Inteligência Artificial. As IAs estão evoluindo rápido ao ponto de responderem perguntas com contextos culturais e grande poder de sintetizar esses contextos. Os cães robóticos que reconhecem maçanetas e jogam futebol. Para ele, máquinas que se movem com tanta habilidade “superaram em muito minhas expectativas e medos”.

Confira a edição online da revista Consumidor Moderno!

Daphne Koller, por sua vez, comenta a evolução do entendimento e compreensão da linguagem pelas IAs. “Elas olham para imagens e conseguem descrevê-las, o que é impressionante sob todos os aspectos”. Elas não simplesmente identificam objetos em uma cena, mas sintetizam o que está em primeiro plano, o que a imagem diz e o contexto no qual ela se insere. Veem uma praia e identificam que pode ser do Caribe pela cor da água, que o dia era de sol, que ela é bonita e assim por diante.

Conteúdo e compreensão

Loic questiona de que forma a nossa inteligência tem correspondência com uma IA. Será que o objetivo dessa evolução das IAs é equiparar a inteligência humana. Koller discorda dessa posição. Cheyer concorda com isso. Ele cita o projeto Alpha 0 do Google, no qual as IAs jogam entre si. Por que entender a maneira pela qual humanos fazem as coisas não é a base ideal para o desenvolvimento das IAs. É preferível pensar que as IAs podem encontrar maneiras melhores de fazer as coisas, inclusive de jogar e vencer um jogo.

Um ponto interessante é entender como a robótica e a linguagem evoluem conjuntamente. Adam Cheyer conta um causo curioso sobre o desenvolvimento da Siri na Apple, conduzido por um engenheiro francês. Foi hilário verificar como sua pronúncia não era compreendida pela assistente virtual. Fazer as IAs compreenderem as diferenças entre os sotaques e pronúncias é um desafio, na medida em que elas não conseguem decodificar modulações de voz.

Paradoxos da IA

Um dos paradoxos da indústria de tecnologia está no fato de que as empresas investem bilhões de dólares para desenvolver máquinas que aprendem. Mas o que aprendem e em que medida esse aprendizado será utilizado de modo inteligente ou produtivo por nós? “Como eu planejo uma viagem para o casamento da minha filha”, pergunta Cheyer. “Posso sentar com meu notebook ou celular e buscar as informações necessárias, mas até que ponto a assistente virtual conseguirá compreender as necessidades de, por exemplo, 4 pessoas que façam essa viagem juntas?”

Koller diz que uma criança aprende facilmente com 3 exemplos. Uma IA precisa avaliar, ainda que velozmente, milhares de exemplos e referências antes de tomar uma decisão. É por isso que nossa inteligência não pode ser copiado, porque descartamos facilmente informação inútil e as IAs consideram todas elas antes de tomarem uma decisão.

As IAs vão superar as Inteligências Humanas?

“Não antes de 1000 anos afirma Adam Cheyer. Nem mesmo nós temos certeza sobre o que significa consciência. Não poderemos esperar que essa consciência seja desenvolvida nas IAs. Mal tocamos a superfície dessa pesquisa sobre origem e funcionamento da consciência. Essa questão nos inquieta e sempre coloca a criação de “exterminadores” da raça humana em perspectiva.

Mas, e se colocarmos uma super inteligência em robôs e como evitar que nos machuquem? Nell Watson diz que é dificílimo fazer com que as IAs compreendam e assimilem valores, ética e socialização. Noções de moral, de vivência em sociedade, que passam pela relativização de decisões e de comportamentos não estão no escopo da programação das máquinas. Como fazer uma máquina compreender o que uma religião significa?

O grande risco é o da humanidade, ela mesma, perder seus valores e então programar máquinas que possam ser usadas para oprimir e exercer poder do homem sobre o homem. Isso quer dizer que as máquinas poderiam ser usadas para atentar contra quem não concorde conosco, por exemplo.

Mais perigoso que o Exterminador é o Controlador

Nesse sentido, é preciso, sim, temer IAs que exerçam o poder de discriminar os seres humanos e não o de exterminá-los. Nell Watson afirma que somos uma forma biológica de IA, na medida em que não há similares próximos na natureza.

Ela diz que as IAs podem gerar super-estímulos nos seres humanos, a ponto de nos deixar dopados a um nível que não seja possível gerenciar. Os palestrantes falaram de um sistema de pornografia tão excitante, tão arrebatador que aprisione os humanos em um ciclo infindável de prazer virtual que substitua o prazer real. Uma forma eficiente e perversa de controle.

E o trabalho?

No âmbito do trabalho, quais os riscos de extinção de profissões e postos de trabalho com o desenvolvimento e proliferação das IAs. Para Koller, a história humana está cheia de rupturas entre padrões de trabalho, como a passagem da era agrícola para a comercial é dela para a industrial. Nell Watson diz que novos postos e modelos de trabalho serão criados, associados à criatividade e inovação, mas não há caminho seguro para prever esse futuro. Mas ela provoca: e se as máquinas forem capazes de gerenciar negócios, capazes de contratar humanos para trabalharem em negócios que dirigem? E se forem os CEOs o limite do uso das IAs nas corporações?

O fato é que as IAs estão em processo de evolução acelerada. Agricultura inteligente, energia inteligente, alimentação inteligente, saúde inteligente estão na pauta. Há uma avenida de oportunidades e polêmicas, de desafios e inovação. As IAs estão definitivamente integradas à nossa vida. A questão fundamental é: estamos prontos para dividir nosso espaço é nosso protagonismo com elas?