O chinês que encara a Amazon de cima para baixo

Conheça a força e o poder inovador do Alibaba, o gigante chinês de e-commerce que encara a Amazon do alto na disputa pelo mercado mundial

Já sabemos que a inovação na China ocorre em velocidade maior do que aquela verificada em mercados maduros. O país já tem mais de 700 milhões de usuários de internet e 1,4 bilhão de celulares ativos, o que o credencia a ser o maior mercado teste de inovação digital do mundo.

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Na linha de frente desse processo encontra-se o Alibaba, um titã do e-commerce e também agora do varejo tradicional. A empresa fundada em 1999 é o maior varejista eletrônico do mundo, incluindo o marketplace Taobao e a Tmall plataformas, dominantes na China.

Durante o Shoptalk, evento que debate o novo varejo e que acontece em Las Vegas (EUA), os passos colossais que a gigante chinesa tem dado na disputa pelo mercado mundial foi assunto nas falas de Souheil Badran, presidente da Alipay North America, braço de meios de pagamento da Alibaba, e de LeeMcCabe, vice-presidente do Alibaba para a América do Norte.

Cabem dois EUA no mercado on-line chinês

Lee McCabe lembrou que o número de chineses conectados à internet é o dobro da população dos EUA. Até 2020, os compradores on-line no mercado chinês corresponderão ao triplo da população americana: mais de 870 milhões de consumidores. Com isso, 57% das vendas on-line no mundo acontecerão na China.

No meio dessa expansão impressionante está o Alibaba e seus negócios adjacentes, AliExpress, Lazada, TMall, TMall TV, YOUKU e AliPay.

O TMall contabiliza 515 milhões de consumidores. O Alipay tem 520 milhões de usuários, o YouKu tem mais de 580 milhões de usuários. Números impressionantes, que revelam oportunidades e que a realidade do e-commerce mundial hoje passa pela força da China.

Hegemonia versus diluição do mercado

O Alipay, a plataforma de pagamentos do Alibaba tem o que há de mais avançado em tecnologia para identificação pessoal, análises em todas as dimensões e em todos os pontos de contato possíveis.

Quando se comparam os ecossistemas de mídia e conteúdo dos dois países, vemos que o mercado americano é mais diluído, com grandes empresas competindo de forma direta ou adjacente, enquanto na China há companhias tão dominantes nesses segmentos que empresas de bens de consumo precisam necessariamente considerá-las para ingressar nesse mercado.

Por outro lado, o serviço ao cliente da Alibaba é baseado em Inteligência Artificial, que por sua vez, aprimora a personalização, o desenvolvimento de produto e o comportamento da cadeia de valor.

A nova experiência do consumidor

Fluída do on-line para o off-line e vice-versa, a experiência de compra inspira necessidades latentes e se caracteriza por um modelo Consumer to Business (c2b). Essa é a nova experiência do consumidor na visão do Alibaba, que também já criou lojas físicas, inclusive de alimentos frescos – com caranguejos vivos, por exemplo – e cozinheiros preparando refeições na frente do cliente. Em lojas da rede, é possível fazer um pedido a domicilio e recebê-lo em 30 minutos.

Lojas inteligentes, com larga utilização das tecnologias mais modernas combinando apps com displays interativos, gôndolas na nuvem para compra eletrônica e entrega em dois dias. Ou seja, o ecossistema da Alibaba, conectou cada detalhe da operação varejista. Não há negócio de venda que não seja experimentado e trabalhado de forma digital pela Alibaba. Isso é convergência na veia, não encontrada em nenhum lugar do mundo, não com esse porte.

O single day da Alibaba é três vezes maior que a Black Friday americana, com faturamento superior a US$ 30 bilhões num único dia. Para se ter uma ideia, foram vendidos 100 Masseratis em apenas um dia.

Estilo de vida digital

O meio de pagamento preferido da China já é o celular. O Alipay é aceito em 10 milhões de lojas, 1,4 milhão de restaurantes e 10 milhões de táxis. Está presente em mais de 30 países, com 520 milhões de usuários com gastos de de US$ 45 milhões a US$ 75 milhões por ano. São 10 milhões de consumidores de alto nível, com grande valor de gastos.

O Alipay tem consumidores totalmente conectados e que crescem em velocidade inimaginável. Mais de 48% dos clientes AliPay são casados e com filhos e os hábitos de consumo contemplam produtos de beleza, refeições de qualidade, melhorias na residência, luxo, diversão, bem-estar e mobilidade. Quando estão no exterior, chineses procuram ofertas e produtos que não podem comprar na China, em especial em cosméticos, fraldas, comida de bebês, sapatos e malas.

A plataforma de pagamento chinesa também é integrada ao app Fliggy, que auxilia os usuários a contratar viagens. Dessa forma, é possível pensar em um plano de viagem, antes, durante e depois dela acontecer. As transações de uma loja específica, que tem ofertas veiculadas no AliPay, como recomendação, registraram 600% de aumento das vendas.

Finalmente, o retorno de impostos pagos em compras no exterior também se integra à plataforma do AliPay.

Sem segredos nos dados

A tecnologia é sofisticada em um nível espetacular. Todos os dados são facilmente coletados, cada comportamento ou compra do consumidor em suas atividades é registrado e fica disponível para análise.

Zia Wigder, do Shoptalk diz, com razão, que Alibaba encara a Amazon olhando-a de cima. Não há como pensar em inovação no varejo sem acompanhar muito de perto o que esse gigante está fazendo.

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