As passagens aéreas ficaram mais baratas após a cobrança de bagagem?

Infelizmente, a prometida redução no valor da passagem aérea a partir da cobrança da franquia de bagagem extra ainda não confirmou, segundo a ANAC. O motivo: os outros custos

Por: - 8 meses atrás

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A prometida redução do valor da passagem aérea em consequência da cobrança da franquia da bagagem extra não até o fim do segundo semestre de 2017, segundo um recente levantamento trimestral dos preços produzido pela Agência Nacional de Aviação Civil (ANAC). O motivo: os outros custos das empresas.

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Segundo a ANAC, a tarifa aérea média doméstica fechou 2017 em R$ 357,16. Na comparação com o mesmo período de 2016, a redução foi de 0,6%, ou seja, praticamente estável. Por outro lado, esse é o menor valor da passagem desde 2011.

Ao longo de 2017, mais da metade das passagens aéreas efetivamente vendidas (ou 52,9%) foram comercializadas abaixo de R$ 300. Do total de 2017, apenas 6,6% estiveram abaixo de R$ 100 e 0,7% das passagens vendidas tinham valores acima de R$ 1,5 mil.

Os culpados: querosene e o dólar

Mas afinal por que a prometida redução do valor da passagem não ocorreu de fato? Segundo o levantamento da ANAC, o principal motivo foi o aumento do querosene e que é responsável por 30% dos custos e despesas dos serviços de transporte aéreo no Brasil. No primeiro semestre do ano passado, o valor médio do litro do querosene oscilou entre R$ 1,51 e R$ 1,60, atingindo R$ 1,81 no final de 2017. Esse valor ficou em 24% acima da média verificada em 2016.

Além disso, os custos das companhias aéreas são suscetíveis à variação do dólar, com reflexo direto sobre combustíveis, arrendamento de aeronaves e seguro da frota – itens que representam, em conjunto, 50% dos custos e despesas da indústria aeronáutica. Em 2017, embora o dólar tenha mostrado queda em relação a todos meses na comparação com 2016, com exceção de outubro (alta de 0,2%), sua cotação subiu de R$ 3,20 em janeiro para R$ 3,29 em dezembro.

E o impacto da cobrança da bagagem?

Infelizmente, a ANAC não conseguiu mensurar o impacto da cobrança de bagagem extra nesse levantamento. Segundo a entidade, o início da comercialização de passagens sem franquia não foi rapidamente incorporada nas empresas. A cobrança ocorreu entre junho e setembro do ano passado e isso dificultou a análise de dados no último semestre.

“A constatação das causas que levam a variações nos preços das passagens aéreas, como a desregulamentação da franquia de bagagem, exige uma série temporal robusta de dados que permita isolar e analisar os impactos de todas as variáveis envolvidas. As tarifas aéreas oscilam a todo momento em razão de inúmeros fatores, como mudança nos custos das companhias, distância de rota, nível de concorrência, baixa e alta temporada, comportamento da demanda, infraestrutura aeroportuária e de navegação aérea, entre outros. As bagagens transportadas são apenas um dos itens que compõem os custos de um bilhete aéreo”, informou a ANAC no estudo.