Meios de pagamento: uma visão disruptiva

Conheça Startups que estão na linha de frente dos meios de pagamento. Elas se apresentaram no Shoptalk 2018

A mobilidade é terreno fértil para inovação. O comércio conectado, digital e multicanal está motivando uma série de mudanças na forma pela qual os consumidores podem pagar pelos produtos e serviços. É hora de olhar mais atentamente para a evolução dos meios de pagamento, incluindo o checkout sem pagamento, a partir da visão de startups que estão à frente da nova onda de inovação no setor.

Falamos de empresas como Standard Cognition, uma IA que remove a necessidade de checkout, usando machine vision para reconhecer e monitorar o cliente na loja, fundada por Jordan Fisher. Já a MishiPay, de Mustafa Khanwala, levantou $ 2 milhões de investimento para oferecer um processo de seleção, compra e pagamento que acontece inteiramente por meio de app instalado no smartphone do cliente. A tecnologia está integrada ao RFID existente no sortimento da loja.

As duas startups se apresentaram no Shoptalk, evento que debate o novo varejo e que ocorre nesta semana em Las Vegas (EUA). Eles mostram que a nova experiência de pagar leva a pensar em como será um modelo de loja do futuro.

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O fim do checkout

A Standard Cognition propôs-se a eliminar o checkout da experiência da compra. As pessoas precisam ir à uma loja, pegar o que quiserem e saírem. Nada causa mais atrito do que a fila do caixa. Ao contrário do que Amazon Go pensou, a Standard Cognition não trabalha com muitas câmeras, nada de sensores nas gôndolas ou reconhecimento facial.

A tecnologia de machine vision consegue compreender a atitude do cliente, seus movimentos, identificando o que ele manipula nas mãos e depois coletando a informação que será a base do pagamento sem checkout. Uma solução aparentemente mais simples que a Amazon Go. Será que a Standard Cognition conseguirá fazer sua ideia ganhar mercado?

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O smartphone registra a compra e pronto

A MishiPay, por sua vez, foi criada sob o mesmo princípio, para reduzir a fricção do momento da compra, combinando um aplicativo MishiPay ou outro no smartphone do cliente e etiquetas RFID no sortimento da loja. O cliente escolhe o produto, escaneia o código de barras e o leva, com pagamento habilitado de forma simples. Um piloto na Leroy Merlin gerou 300 vendas em seis dias, com um total de 16.000 euros movimentados.

A ideia é simples, mas passa pela adoção dos consumidores e certamente vai esbarrar na resistência dos varejistas em colocarem todo o seu sortimento em RFID. Claro, a redução de custos com frente de caixa pode ser significativa, mas ainda assim, será que varejistas, particularmente de mercearias, supermercados, hipermercados e farmácias concordarão em perder a venda na última milha?

Há fatores culturais que precisam ser estudados para adoção mais intensa de ideias – boas – como o MishiPay. Outro aspecto importante, normalmente negligenciado nos vídeos demonstrativos das soluções sem checkout, é a saída da loja. Quem entrega sacolas para o cliente? Ele pega?

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Farfetch e a loja do futuro

Sandrinne Devaux, diretora geral do projeto Farfetch, se apresentou no Shoptalk e falou sobre o alcance do marketplace de moda, que hoje está presente em 190 países – um negócio que detectou a oportunidade de expansão do consumo de luxo em plataformas online e conquistou um crescimento de 8% para 25% em cinco anos, com uma participação de até 80% dos consumidores que vão priorizar as compras em lojas nas quais confiam.

Os clientes querem personalização, experiência, facilidade e gratificação instantânea – seu conceito de valor. Isso representa a busca por lojas intuitivas, emocionais, pagamento sem fricção.

Por outro lado, os varejistas pensam em trabalhar melhor o chão de loja e como aproveitar o produto a ser vendido no espaço de modo eficiente, assim como pensam em aproveitar melhor os dados do consumidor, bem como a oferta de serviços. Para as lideranças do varejo, o mercado está repleto de competidores, é complexo e demanda tempo e esforço para se manter no negócio.

Os estudos da Farfetch levaram a empresa a pensar em uma loja que consiga capturar todos os sinais do consumidor. Um grande “cookie off line”, construído sobre 4 pilares: centralidade do cliente, ausência de canal, modular e cheio de interação humana. A ideia é motivar os clientes a se identificarem nas lojas para que possam usufruir de uma experiencia superior. A plataforma Farfetch é a base para promover uma nova experiência de customização, pagamento, controle e compreensão da jornada do cliente.

Há muita inovação em curso no mundo. O varejo saiu da inércia há três anos e hoje vem se sofisticando rapidamente.

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