“Ah meu! Pelo menos não perdemos, né?”

Essa foi a expressão da imigrante brasileira que assistia ao primeiro jogo da Copa em um bar próximo ao centro de Toronto

Por: - 5 meses atrás

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Assim como ela, a expressão de desanimo ou frustração quase não se via dentro daquele local, três ou quatro suíços acompanhavam o jogo ao lado de uns setenta brasileiros. Respeito e cooperação (entre os diversos imigrantes, que representam 45% da população) é o que mais se encontra por aqui em Toronto (Canadá) e, mesmo dividindo alguns metros quadrados, o clima entre os poucos suíços e os muitos brasileiros era apenas de alegria e diversão.

O bar (St. Louis bar and grill) instalou televisores na área externa devido ao calor (sensação térmica de 40 graus). Diversos pontos de refrigeração garantiram um ambiente agradável, sonorização impecável, mesmo dentro do banheiro você conseguia acompanhar o áudio do jogo e mesmo com um número considerável de pessoas o wifi foi disponibilizado para os cliente e em nenhum momento houve queda de sinal.

Foi comum ver pessoas falando através de vídeo com os amigos e familiares que acompanhavam o jogo de outros países. Normalmente, a estrutura de bares, hotéis, restaurantes, espaços públicos (parques, jardins, etc…) é impecável. Da limpeza à tecnologia, raramente você encontrará algo funcionando pela metade. Nessa altura do campeonato, o jogo já estava empatado, porém, a festa nunca acabava, uma brasileira chegou com cornetas, um outro com chapéu de cangaceiro tocava um pandeiro, parecia carnaval. “Nossa riqueza é isso!”, disse Janser, o pernambucano com nome de origem hebraica.

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E, de fato, ele estava certo, a alegria é o que faz do nosso povo, mesmo sofrido, um povo rico. Existe uma tristeza muito grande que acompanha quem toma a decisão de deixar seu país, familiares e amigos para tentar algo novo em uma terra desconhecida, mas cada um que leva consigo essa tristeza leva uma alegria muito maior, uma alegria que nos faz acreditar que esse sofrimento gerará frutos melhores para nós mesmo e para aqueles que tivemos que deixar (por um momento) para trás.

Fui ao banheiro e quando voltei o jogo tinha acabado, mas nada tinha mudado. As pessoas continuavam confraternizando, de longe ouvi um “Ah meu! Pelo menos não perdemos, né?”.  Talvez o jogo da copa, para quem estava ali, fosse apenas uma forma de encontrar outros guerreiros, sonhadores que dividem seus corações, idiomas e pensamentos (mesmo que incertos) entre dois países.

Fala “obrigado!”, disse o pai Diego para sua filha.

– Thank you, responde Dora, filha do Diego.

*Natanael Sena é fundador do Vai de Fusca e está em uma temporada no Canadá