Realidade Virtual e biometria: um diálogo sensorial

Cannes Lions apresenta conteúdo fortemente baseado na exploração dos limites das novas tecnologias. Saiba mais

Por: - 1 ano atrás

Jacques Meir

Enquanto compartilham experiências de Realidade Virtual aparentemente incompreensíveis, o Dr. Adrian Leu, da INITION, e Graeme Cox, da Emteq, mostraram, no Cannes Lions, como a biometria é a nova fronteira nas campanhas baseadas em RV.

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E o que há de novo nessa realidade? Desde a medição de movimentos imperceptíveis do músculo facial até a medição e aumento dos níveis de excitação, até dados de rastreamento que revelam quais elementos capturam mais interesse, a interseção incipiente, mas pioneira de biometria e RV, ajudará as marcas a aprimorar experiências enquanto abrem novas portas criativas. Esses foram os tópicos explorados no painel: “Biometria: a nova fronteira na experiência da marca RV”.

Por meio de debates informativos e demonstrações, os painelistas demostraram como usar a biometria ao vivo para criar um ciclo de feedback de um determinado projeto em tempo real, o que aumenta tanto a criatividade quanto o ROI. A sessão também mostrou como a biometria afeta o engajamento da marca / público ao medir a eficácia da campanha.

Desejos da audiência

Como relacionar maravilhosos conteúdos com os desejos da audiência? Viajando pelo mundo todo, os palestrantes comentaram que por meio da biometria é possível medir o quanto o conteúdo é assimilado pelas pessoas. Mais: usando a Inteligência Artificial, é possível entender a emoção humana e o quanto o conteúdo criativo pode influenciar as pessoas.

Adrien diz que pela primeira vez na história é possível entender como o cérebro funciona e também entender de que modo o conteúdo cria intimidade e empatia com as pessoas.

“Celulares são apenas caixas, mas se tornam interessantes quando ganham aplicações que trazem e mostram o contexto do mundo que nos envolve. As Realidades Virtual e Aumentada funcionam do mesmo modo”, disse Adrien. Graeme complementa falando sobre os estudos que procuram compreender porque as pessoas fazem o que fazem, por que tomam decisões e como são orientadas profundamente pelas próprias emoções. Ele comenta que nossa vibração quando ganhamos um jogo traz diversos indicadores biométricos, que definem nossas emoções e reações.

Seu aprendizado sobre o funcionamento da Realidade Virtual com nossas emoções mostra que é necessário trazer mais sensores cognitivos para compreender exatamente as emoções e reações das pessoas diante do conteúdo. Grame diz que a Emteq desenvolveu novos óculos de RV capazes de captar os movimentos da face para definir as sensações reais das pessoas submetidas ao conteúdo.

Desafios das marcas

“Um dos meios fundamentais para entender e dimensionar os desafios das marcas atualmente, é compreender exatamente como os consumidores tomam decisões. É curioso verificar como as pessoas tentar explicar logicamente suas escolhas, mas a observação cientifica de suas decisões revela a força das emoções”, comenta Adrian. Greame fala sobre um experimento da Microsoft, no qual pessoas vivenciando um conteúdo em RV baseado em avatares, trouxe muitos insights sobre as reações das pessoas diante de conteúdos diferentes.

É por isso que Adrian e Graeme defendem que o conteúdo deva ser concebido como uma paisagem emocional, com componentes que tragam maior atividade ao cérebro. “O conteúdo deve trazer urgência e interpretação para nossa vida”, opina Graeme. Nesse sentido, o storytelling deve ser concebido colocando o consumidor como testemunha real da história e isso pode ser alcançado combinando Realidade Virtual e biometria, para que as marcas possam entender como elas se engajam à história.

Emoções na interface

Adrian defende que as interfaces dos usuários deveriam claramente trazer emoções e ressaltar expressões faciais. O uso das emoções situa o futuro no uso exacerbado das emoções intensas e projeta um novo mundo físico. Imaginem o mundo devidamente escaneado e completamente redesenhado por Realidade Aumentada, mudando até mesmo as percepções. É curioso perceber que seremos completamente envolvidos por telas e elas serão imersivas.

Essa imersão será o futuro da mobilidade. Cada vez mais seremos também analisados em nossas reações emocionais sensoriais por meio dos conteúdos em RV: surpresa, naturalidade, calma, felicidade e medo serão novos indicadores de nosso engajamento, tudo isso medido em tempo real. As pessoas darão respostas positivas ou negativas de acordo com suas expressões e reações diante do conteúdo.

Os painelistas mostraram diversos gráficos que capturam a leitura das expressões humanas em tempo real. Impressiona ver o efeito da surpresa que antecede a reação positiva ou negativa, uma espécie de tempestade sensorial que atinge o cérebro.

Em resumo, podemos usar a biometria para entender como as pessoas se envolvem com as marcas e usam essa abordagem para criar um ciclo de feedback de design que, em última análise, aumenta tanto a criatividade quanto o ROI do conteúdo oferecido.