Finalmente uma inovação que muda tudo e não é uma tecnologia

Uma nova maneira de encarar o mundo e a expansão da nossa percepção estão no cerne de uma grande inovação anunciada no Cannes Lions. Vale a pena saber:

Por: - 5 meses atrás

Jacques Meir

A percepção sustenta todo o nosso modelo mental, incluindo preconceito, vieses e preferências. A percepção influencia o que acreditamos, diz muito sobre o que conhecemos e também quem nós amamos. Mas a compreensão desse processo é complexa para a maior parte das pessoas. Ao revelar as surpreendentes verdades sobre o cérebro e suas percepções, Beau Lotto, CEO e fundador da Lab of Misfits, descobriu que a próxima grande inovação capaz de mudar a sociedade não é uma nova tecnologia: será apenas uma maneira de ver e interpretar o mundo, algo que irá revolucionar a maneira como as pessoas em geral se veem ou enxergam o mundo. Confira a edição online da revista Consumidor Moderno! A apresentação de Beau Lotto com o tema “Design diversionista: a próxima grande inovação não é uma tecnologia” mostrou que as percepções podem resultar em novas tecnologias de realidade aumentada, produzidas por nós mesmos e não a partir de dispositivos eletrônicos. Mais: isso deve mudar as nossas experiências de vida que não apenas informam, mas transformam a gente por completo. Realidade dispersa Beau acredita que a nossa realidade é dispersa em contextos complexos. O executivo exibiu imagens que demonstram as ilusões que as nossas mentes assimilam e, assim, enganam as nossas percepções. “O contexto é essencial para a nossa compreensão da realidade. A vida está no movimento. Logo, se ele não existe, nosso cérebro se desinteressa porque depende de relacionamentos e as relações entre as coisas”, enfatiza Lotto. Informação, para o CEO, não tem sentido, ela nunca nos diz o que devemos fazer, mesmo diante do que vemos. Em função do que vemos e percebemos, a informação é apenas um conjunto de dados que não nos permite fazer nada de prático.  Quando lemos um texto, as letras são símbolos que só ganham significados a partir da nossa interpretação. Isso ocorre porque fomos condicionados a compreender esses símbolos a partir de letras. Algo que seja diferente da língua que aprendemos, como o aramaico, por exemplo, não faria sentido nesse texto. Reflexo do ponto de vista A nossa percepção de mundo tem a ver com o que vemos. Se conseguimos definir o que estamos enxergando, logo procuramos associações que façam sentido ao campo de visão. E as nossas reações representam um reflexo do ponto de vista bem particular de cada pessoa. Afinal, nossas premissas nos definem. Mas como podemos ver o mundo e os contextos de forma diferente ou mesmo melhorar nossas percepções para tomarmos as nossas decisões melhores? A nova normalidade Beau Lotto propõe redefinimos a ideia de “normalidade” a partir da mentira pela qual interagimos e percebemos o mundo físico. Tanto quanto o corpo, o cérebro precisa ser treinado e ativado constantemente. “O cérebro é um músculo que consome muita energia e não pode viver acomodado. Temos que mudar nossas percepções, vieses e iluminar outros aspectos dos contextos que vemos. Temos de nos esforçar para ver claramente o que nos aparece como borrão ou sombra”, afirma Beau. Mas nada é mais difícil do que mudar nossos vieses e a maneira pela qual aprendemos a ver o mundo. Mudar nossa visão de mundo consome muita energia. Os preconceitos estão escondidos e normalmente nos impedem de ver o poder do diferente. “O poder é outro”, defende Beau. Por outro lado, é difícil lidar com essa premissa, uma vez que odiamos a incerteza, e, por extensão, o desconhecido. A incerteza estressa e tira o bem-estar da mente. Além disso, ela nos coloca em conflito e tira a gente da zona de conforto. Fim da ansiedade? O que fez do Uber um sucesso global foi reduzir a incerteza e a ansiedade diante da espera de um táxi – ou da mobilidade como um todo. É uma solução evolucionária, que talvez nos faça superar a incerteza. Outro exemplo de atividade que confronta a incerteza é o ato de brincar. A brincadeira celebra a incerteza, encoraja a diversidade, abre possibilidades, promove a cooperação e nos torna intrinsecamente e intencionalmente motivados. Nesse sentido, é possível criar “experiências experienciais” em si mesmas, algo que nos tornem mais adaptáveis e adaptadores diante de cenários de mudanças? O trabalho de Beau é divulgar a ciência como uma atividade que traz no cerne as mesmas virtudes do brincar. Ele acredita que não devemos mudar, mas expandir nossa mente e abri-la para outros grupos e possibilidades, além de expandir nosso espaço de convivência. Poder do design Beau Lotto acredita no poder do design e na capacidade que essa disciplina tem de fazer melhores perguntas. Além disso, ele defende a premissa que essa disciplina nos conduz para as melhores soluções, algo que normalmente somos capazes de lidar como incerteza. Segundo ele, esse jeito de pensar é justamente a grande inovação da tecnologia, algo que faz a nossa mente lidar e superar a partir dos conflitos nas nossas vidas – especialmente aqueles que geram e causam incerteza. Sempre temos que lembrar que as melhores ideias não fazem sentido. Mas até que ponto isso não faz sentido porque pensamos como pensamos ou porque fomos condicionados pelos nossos preconceitos e impedidos de ampliar nosso espaço perceptivo? “Vida é movimento. E precisamos estar abertos para nos movimentar.