Tecnologia e futebol: Big Data ganha importância fora das quatro linhas

Professor da Fundação Getúlio Vargas (FGV) explica como análise de dados interferiu diretamente na performance das equipes

Por: - 10 meses atrás

A tecnologia no futebol tem pautado as discussões sobre os jogos na Copa da Rússia. Entretanto, essa reflexão vai muito além do que acontece após o apito inicial. Os setores de inteligência de clubes e federações têm utilizado informações preciosas adquiridas via Big Data para mapear desempenho de atletas e estudar adversários.

Confira a edição online da revista Consumidor Moderno!

“Muito se fala do árbitro de vídeo e do chip na bola, mas o Big Data está se tornando cada vez mais relevante no futebol. Já é comum técnicos usarem dados para analisar as características de cada jogador da sua equipe e dos adversários para traçar estratégias de jogo”, afirma André Miceli, coordenador do curso de MBA em Marketing Digital da Fundação Getulio Vargas (FGV) do Rio de Janeiro.

Segundo Miceli, o Big Data possibilitou que as equipes de análise de desempenho se tornassem peça chave nos grandes clubes. “As estatísticas colhidas durante a partida sobem para a nuvem e abastecem a ferramenta. Assim, o treinador e sua equipe podem usufruir de dados como algoritmos preditivos, redes neurais, programas que registram padrões para fazer projeções futuras”, explica.

Case de sucesso

Certamente você se recorda do amargo 7 a 1 que a Alemanha impôs sobre o Brasil na Copa de 2014. Ocorre que a performance avassaladora da equipe alemã não se deu ao acaso. Miceli relembra que o trunfo do time comandado por Joachim Löw na competição passou diretamente pela análise de dados sobre seus adversários. “A seleção alemã usou o SAP Match Insights para vencer a Copa de 2014. Os dados permitiram melhorar a velocidade da equipe”, explica. Os tetracampeões, por exemplo, foram capazes de saber que os franceses concentravam seu jogo no meio e deixavam espaços nos flancos. “Assim, venceram as quartas-de-finais. Na semifinal com o Brasil, eles já sabiam as jogadas preferidas da nossa seleção e as reações de seus jogadores em situações adversas”, conclui.