DNA de inovação X Cultura do resultado

O desafio de estabelecer uma cultura de inovação dentro de uma empresa que não espera os resultados que aparecem no longo prazo

Por: - 5 meses atrás

Ser uma empresa que inova não é fácil. Requer organização, processos bem definidos, mas flexíveis, e claro, criatividade. Achar as pessoas corretas para inovar também é uma tarefa difícil, mas despertar um espírito inovador nos colaboradores que já estão na empresa há algum tempo pode ser um desafio ainda maior.

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Construir um DNA de inovação vai além do que os clientes veem, sejam eles empresas ou consumidores. É ter atitudes disruptivas em áreas onde os processos são vistos como intocáveis, como os departamentos financeiros e contábeis.

O Grupo Boticário, por exemplo, inovou dentro da própria área de inovação. Lá, as apresentações de projetos de pesquisa eram feitas de forma tradicionais – apresentação em power point, muitos gráficos e projeções. Para mudar, a empresa implantou pitches. Os pesquisadores têm cinco minutos para apresentar seus projetos.

Expectativa x Realidade

Vivemos na cultura dos resultados. No futebol brasileiro, uma das maiores queixas dos treinadores é a falta de paciência dos dirigentes. Basta uma sequência de derrotas para que o técnico seja demitido, diferente da cultura europeia, onde Sir Alex Fergunson dirigiu o Manchester United por 27 anos. Essa cultura dos resultados pode atrapalhar a inovação nas empresas.

A solução da Co-Viva para isso é investir nas pessoas. A intenção da consultoria de inovação não é resolver um problema para as clientes, e sim resolver um problema com as clientes. Clara Bianchini, Engenheira da Imaginação da Co-Viva, explica que existe uma diferença substancial entre as duas ações. “Muitos dos nossos clientes tiveram crescimento porque as pessoas estão trabalhando de uma forma diferente”, afirma.

Fabiana Zuanon, Diretora Executiva Comercial, Inovação e Novos Negócios do Grupo Padrão, lembra que a cultura do resultado é mais cruel com empresas menores. “Quando nós falamos de médio e pequeno porte, o risco deve ser medido de outra forma”, explica. Alexandre Roberto Silva, Gerente de Design e Redes de Inovação do Grupo Boticário, defende que os erros são aceitáveis, em alguns casos. “Na inovação a gente tem que errar. O erro tem que ser permitido em algumas etapas, não em todas”.

Para Gustavo Fonseca Ribeiro, Head de inovação e Projetos Digitais do Grupo Fleury, o debate é um grande paradoxo. Durante um painel no Whow! – Festival de Inovação, ele disse que é importante enxergar a inovação como um portfólio. “É preciso deixar claro que o resultado não vai surgir no curto prazo”.

Já Fábio Câmara, professor da ESPM (Escola Superior de Propaganda e Marketing), ressaltou o esforçou da instituição em formar alunos que inovam. “Na ESPM, inovação é um assunto transversal, está em todos os cursos. Queremos colocar alunos inovadores no mercado”.

Olhar para o Grupo Boticário nos ajuda a entender como é possível equiparar o lado romântico da inovação com a necessidade de gerar receita. A empresa possui várias ações para provocar que seus colaboradores sejam mais inovadores. Ações como uma semana de desenvolvimento para contar quais são os tipos de inovação dentro do Grupo Boticário foram criadas. Além disso, a empresa separa periodicamente todas as pessoas que trabalham com inovação e produtos para falar sobre tendências em palestras.