As aplicações do blockchain que vão além das criptomoedas

O blockchain pode ser usado na proteção de dados pessoais, aprovação de orçamentos públicos e na proteção de propriedade intelectual

Por: - 5 meses atrás

Desde a popularização do bitcoin, o blockchain está em alta. O assunto está ligado à primeira criptomoeda, criada em 2008, mas possui várias possibilidades de aplicação. Apesar de o blockchain do bitcoin ser o mais conhecido, existem variações da tecnologia, cada uma com suas próprias características.

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Além de características diferentes, a tecnologia também pode ter diversos usos. “Primeiro foi aplicado em transações financeiras porque é o que a gente sabe fazer”, explica Carl Amorim, Presidente do Blockchain Research Institute Brasil. Roberto Stern, Sócio-fundador da Adamos Tecnologia, defende que “o blockchain ainda é uma tecnologia muito misteriosa e confundida com as criptomoedas”.

Aplicações

Um dos atributos mais valorizados do bitcoin – e das criptomoedas, em geral – é a segurança. As transações feitas com as moedas digitais são registradas em diversos computadores espalhados pelo mundo. As máquinas agrupam as informações em blocos criptografados, que formam um grande banco de dados públicos e invioláveis.

Por isso, a tecnologia pode ser útil em várias áreas. “Da moeda, estamos passando para proteção de privacidade, propriedade intelectual, etc. Cada um desses ramos vai ser afetado por essa tecnologia”, afirma Amorim. Plataformas como o Pier (Plataforma de Integração de Informações das Entidades Reguladoras), do Banco Central, que facilita a troca de informações na supervisão de dados do sistema financeiro, mostram como o blockchain pode ser usado fora das moedas virtuais.

A tecnologia também pode ser aplicada para resolver problemas da administração pública. Para Gustavo Paro, Executivo de Contas Estratégicas e Entusiasta de Blockchain da Microsoft, a ferramenta pode ser importante para a forma que lidamos com os dados pessoais. Ele explica que para cada instituição existe uma identidade – cartórios, hospitais, receita federal. Com o uso da ferramenta, “o indivíduo passa a ser dono do seu registro e fornece para o serviço que desejar”.

Dessa forma, o blockchain poderia ser usado na atuação política de cada cidadão. As campanhas poderiam ser auditadas por todos e o voto de cada um seria registrado com mais facilidade. Durante o painel no Whow! Festival de Inovação, uma das sugestões foi usar a ferramenta para viabilizar a consulta a todos os cidadãos para aprovação de orçamentos públicos. “Com o blockchain a gente não precisa mais de representantes”, diz Natália Garcia, Diretora Jurídica da Foxbit”.

Imutabilidade

Não é possível desfazer uma transação de bitcoins. Todas as operações estão vinculadas a outras que vieram antes delas. Ao remover uma operação do sistema, todas as outras seriam invalidadas. O princípio se aplica para qualquer tipo de blockchain, o que é considerado um ponto controverso.

Em março deste ano, pesquisadores alemães encontraram arquivos relacionados a pornografia infantil no blockchain do bitcoin. A notícia gerou muita discussão em torno da imutabilidade, já que não é possível apagar os arquivos. Apenas os computadores que mineram a criptomoeda tiveram acesso aos links, que representam oito dos 1.600 arquivos armazenados no blockchain do bitcoin até março.

Gustavo Chamati, CEO da Mercado Blockchain, diz que ainda não há uma resposta para o problema. Ele defende que é preciso ter paciência, já que a tecnologia vem mudando o status quo. “Essa mudança está sendo entendida para ser legislada”, afirma. Já Carl Amorim defende que as pessoas precisam tomar cuidado com seus dados. “Você vai precisar ter um comportamento que você não queira apagar seus registros”, argumenta.