Fim do receituário de papel: a transformação digital chegou ao setor de saúde

Fenômeno da Revolução da Longevidade acontece simultaneamente com o que os pensadores têm chamado IV Revolução Industrial

Por: - 3 meses atrás

Estamos preparados para viver até os 130 anos? Como as tecnologias poderão interferir na nossa longevidade e, principalmente, na nossa qualidade de vida? Para Alexandre Kalache, médico e pesquisador em saúde pública, o fenômeno da Revolução da Longevidade acontece simultaneamente com o que os pensadores têm chamado IV Revolução Industrial. “Esse momento é definido como mudança inexorável entre as várias tecnologias, elas vão se conectar e é neste contexto que o envelhecimento acontece”, explica. Em uma sociedade com todas as informações disponíveis, a prevenção deve ser a grande tônica dos cuidados com a saúde no processo de envelhecer.

Já Sri Prem Baba – líder espiritual com atuação global – diz que o ciclo do tempo será fortemente marcado pela busca por respostas em todos os aspectos da vida. O guru alertou que estamos diante de um desafio civilizatório onde precisamos transitar do medo para a confiança, de modo que o mundo dos negócios também deve seguir essa busca por um objetivo maior. “Todos os desafios do mundo têm peso do medo e ódio que nos habita. A resposta para isso é uma revolução de consciência. Estamos com o desafio de criar riqueza através do propósito, onde precisaremos usar a tecnologia para praticar o bem”, refletiu.

Em tempos onde pessoas com bons cargos e boas condições financeiras renunciam aos seus bens na busca por respostas, encontrar a felicidade no que faz parece ser o grande desafio nesse processo. Prem Baba explica que esse movimento deve se intensificar. “Estamos falando de uma revolução da consciência que já começou, já estamos nos questionando. Cada vez mais surgem pessoas buscando respostas sobre o que fazer com o tempo e como ganhar dinheiro dentro desses propósitos. Isso vai fazer com que você descubra seu lugar no mundo”, conclui.

Transformação digital na área da saúde

As consultas com papel e caneta estão com os dias contados. A transformação digital já começa a interferir diretamente sob vários aspectos da medicina contemporânea, inclusive usando Inteligência Artificial para diagnósticos não invasivos. A startup brasileira Braincare desenvolveu tecnologia para aferir pressão intracraniana de forma não invasiva. “Recentemente fechamos uma parceria com o Hospital Sírio Libanês”, explicou Plinio Targa, CEO da companhia.

“O hiato entre as revoluções está diminuindo e a velocidade de avanço tende a aumentar nessa área (da saúde). O tempo para que as patentes se tornem produtos passou de 20 para 2 anos”, diz o pesquisador sobre tendências nas áreas de negócios Guy Perelmuter.

O futuro da memória

A psicóloga Julia Shaw é especialista em memory hacking (ou haqueamento de memórias) e ganhou destaque pelo foco em memória e perícia criminal. Autora do best seller “A Ilusão da Memória”, Shaw fala sobre o futuro da memória e levantou aspectos multi-sensoriais na experiência de memórias inventadas. Em seu estudo principal sobre o tema, Shaw fazia perguntas sobre episódios que ocorreram na vida dos participantes com alguns elementos alterados, de modo que conseguiu convencer 70% dos participantes de que cometeram algum crime. “Todas as memórias interferem entre si e a combinação com falsas memórias é recorrente. Ao simplesmente imaginar o que não aconteceu de forma repetida, você cria essa rede e torna essa memória real”, argumenta.

Na perspectiva de manter a veracidade das memórias, Shaw criou a Spot, startup de ciência da memória e inteligência artificial. A companhia ajuda empresas a documentarem relatos de assédio no ambiente de trabalho.