8 Razões para a Amazon entrar com tudo no Brasil

O Banco BTG Pactual disse que o desembarque da Amazon acontecerá ainda este ano. Saiba quais motivos a varejista tem para desembarcar por aqui em definitivo

A Amazon tem ensaiado passos pelo Brasil há quatro anos, quando trouxe para cá a venda de livros por meio de uma plataforma local e centro de distribuição localizado na região metropolitana de São Paulo. A entrada da maior varejista eletrônica do Ocidente no País parece inevitável e o varejo nacional já se diz preparado para recebê-la quando Jeff Bezos resolver que é hora de ganhar dinheiro com a maior economia da América Latina e uma das dez maiores do mundo.

O BTG Pactual afirmou nesta semana, em relatório a seus clientes, que a Amazon deve ampliar sua atuação no País em outubro. A notícia chega depois de investigações que deram como certa a compra de um novo centro de distribuição no estado de São Paulo e a proximidade de um acordo com uma companhia aérea para fretes por todo o País.

Conheça os oito motivos para a Amazon desembarcar de vez no Brasil, segundo algumas das interpretações do professor de MBA em Digital Business da FIAP, Yves Moyen.

1. Marketplaces no Brasil crescem acima do mercado on-line como um todo

Os marketplaces experimentam um crescimento acima do e-commerce como um todo, que tem beneficiado os maiores mercados on-line do País, como Mercado Livre e B2W. A passos vagarosos, a Amazon vem plantando sua operação nesse nicho, tendo chegado com os eletrônicos, há um ano, e começado também suas operações de casa, cozinha e escritório. Mas é realmente o negócio de venda de roupas, que também já iniciado, que deve dar calda longa a seu marketplace aqui.

2. Moda pode ser o trampolim

O comércio de moda representa 47% do comércio on-line no Brasil e pode ser um trampolim para a Amazon. O segmento on-line cresceu 148% em novas lojas na internet (números do primeiro trimestre deste ano). As grandes varejistas on-line estabelecidas há mais tempo ainda dominam o mercado, mas o Alibaba mostra que o brasileiro é receptivo a novas lojas virtuais. O Aliexpress.com cresce acima dos 10% e já é o terceiro varejo on-line que mais vende ao mercado brasileiro.

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3. Tem espaço para crescer

O varejo eletrônico no País está atrasado e na transição para sua popularização. Nos EUA, o tráfego do consumidor na internet começa, em 80% dos casos, dentro da plataforma da Amazon. Embora a participação da Amazon aqui ainda seja modesta na comparação com os principais mercados no mundo, o tráfego no marketplace já corresponde à metade do registrado no da Magazine Luiza, por exemplo, e com uma taxa de crescimento de 30%, apesar dos esforços tímidos. Isso tudo num País que tem o quarto maior fluxo de usuários de internet no mundo.

4. Um dos maiores mercados do hemisfério sul ainda pouco desbravado

Bem como outros países de industrialização tardia e desenvolvimento tecnológico atrasado, o Brasil pulou do uso de computadores de mesa para os smartphones em larga medida, alcançando o 5º lugar entre os países com maior mercado de smartphones do mundo e o maior crescimento em linhas de banda larga mobile. As condições prévias para o desenvolvimento do comércio eletrônico já estão postas.

5. Oportunidade de crescimento inorgânico

A Via Varejo tem cerca de mil lojas e 26 centros de distribuição espalhados por norte a sul do País, uma estrutura física pronta para a Amazon alavancar suas operações. A rede brasileira (dona das Casas Bahia e do Pontofrio) foi colocada à venda cerca de dois anos atrás e há especulações sobre o interesse da americana na infraestrutura da marca nacional. Seria um processo semelhante ao que a empresa fez nos Estados Unidos com a compra da Whole Foods, que permitiu espalhar sua operação pelo mundo físico. Além da Via Varejo, estruturas do Carrefour e do Walmart podem ser a solução também para o crescimento inorgânico da empresa, já que construir loja por loja seria um trabalho hercúleo e pouco eficiente.

6. Mudanças logísticas à vista

Os Correios têm recebido críticas do setor privado. Há casos suspeitos de incêndios que podem indicar uma sabotagem do sistema público de entregas. De qualquer maneira, as empresas privadas estão avançando sobre esse mercado. A Fedex parece disposta a apoiar os planos de crescimento da Amazon no País, que poderia ser o trampolim para a tradicional empresa de entregas internacional abocanhar um pedação do mercado brasileiro.

7. Sistema de avaliações melhor que dos marketplaces locais

Os marketplaces nacionais ainda carecem de um sistema de avaliações interessante ao consumidor nessa nova maneira de consumir, cujo principal propagandista é o próprio comprador por meio de suas avaliações nos locais de compra. A Amazon já tem know-how nesse âmbito.

8. Sistema de nuvem com crescimento exponencial

O principal responsável por essa inteligência de mercado da Amazon é o AWS, serviço de nuvem da varejista americana. O serviço já é líder na América Latina e está crescendo no Brasil para ganhar mercado de empresas mais tradicionais nesse segmento, como Google, MS e IBM. A empresa precisa se apressar com isso, porque tem na sua cola o Alibaba, gigante chinês cujo serviço de nuvem é dos mais sofisticados do mundo e foi responsável por fazer explodir o mercado on-line na China. A  plataforma de pagamentos on-line do Alibaba (o Alipay) transformou um País analógico como a China dos anos 90 no maior mercado virtual consumidor do mundo. Deixar os chineses abrirem vantagem pode inviabilizar a operação nos próximos anos.

Algumas informações foram colhidas do artigo do professor Yves Moyen






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