Marcas devem ser cada vez mais autênticas para conquistar o consumidor

Em tempos de atenção distribuída e bolhas virtuais ideológicas, criar uma identidade é chave para aproximar relação com o pós-consumidor

Por: - 3 meses atrás

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“Os consumidores querem que se fale com eles. Já tem variadas pesquisas mostrando que eles topam pagar mais por marcas que tem a ver com o propósito com que eles se identifiquem”. Este é o conhecimento que deve guiar as empresas para chamar a atenção dos consumidores em um momento do fim da propaganda direta, acredita a ouvidora do Santander Brasil, Monique Bernardes.

Ao lado do co-founder e CEO da Nutty Bavarian, Daniel Miglorancia, da VP de Planejamento da WMcCANN, Luciana Padovani e do mediador Cadu Lemos, fundador da Team Coach, discorreram sobre como lidar com um consumidor que quer ver apenas o que lhe interessa, durante o Conarec, congresso internacional sobre inovação no relacionamento empresas e clientes, promovidos pelo Grupo Padrão, e que acontece entre esta terça-feira (04) e quarta-feira (05) em São Paulo.

Os painelistas lembram do case ‘Rick da água’ do banco espanhol, que aproveitou um vídeo viral de um vendedor de água na praia para tocar o cliente. E, ainda que viral, uma boa parcela da plateia presente desconhecia o vídeo e a campanha, exemplificando o alto grau de bolhas virtuais ou da pulverização da distribuição da atenção que o consumidor tem com as mídias hoje. “A complexidade da jornada com o cliente é gigantesca”, avalia Monique.

O desafio de capturar o cliente é ainda maior para a Nutty Bavarian, que tem a maioria de seus pontos em local de passagem, como corredores de shoppings e aeroportos. Mas a marca tem um trunfo poderoso: o cheiro característico e sedutor de suas nuts caramelizadas. “Criamos uma relação em que as pessoas sentem o cheiro quando veem a imagem do produto. Essa conexão foi muito bem criada”, acredita Daniel.

A marca também apostou nas redes sociais como canal de contato direto com seus consumidores, para acolher mais do que ‘propagandear’. “Essa cultura de que o que repercute é o que fala mal, é o lado negativo, é uma coisa ultrapassada. Hoje é sensacional ver o quanto as pessoas compartilham coisas boas sobre a marca”, relata o CEO.

Para Luciana Padovani o caminho para as marcas é o da autenticidade. “Sofremos [as agências de publicidade] muito com o conceito de que a coisa é marketeira, por isso falamos para que as marcas não divulguem nada que não seja mesmo parte de sua identidade. Precisamos construir uma consistência”, diz a executiva da WMcCANN.

Cadu Lemos resumiu a estratégia para as marcas em três Cs: confiança, conexão e coragem. “Isso vai construindo reputação”, junto com ouvir o consumidor e criar um canal transparente com ele. “Ouvir em atenção plena e ouvir sem julgar”, orientou o coach.