Seguro 3.0: insurtechs que fazem a diferença no mercado

Em um segmento de revolução permanente, as insurtechs surgiram como alternativa com produtos que, até então, ofereciam pouca personalização ao consumidor

Por: - 5 meses atrás

As insurtechs despontaram com produtos que se moldaram mais facilmente ao bolso e aos anseios do consumidor. Com proposta de oferecer soluções rápidas que cruzam fornecimento de dados e inteligência artificial, essas empresas causaram grande reflexão nas companhias que oferecem seguros nos moldes tradicionais.

Confira a edição online da revista Consumidor Moderno

A Consumidor Moderno mapeou alguns exemplos no Brasil e no exterior de empresas que usam tecnologia para melhorar a experiência do consumidor. Confira:

020bots: IA para aproximar corretores e segurados

Um dos principais problemas para a dinâmica de trabalho dos corretores é a repetição de processos. Para otimizar considerável parte desses trâmites, a O2Obots surgiu com matriz “o to o”, em que o foco é colocar robôs com inteligência artificial para trabalhar para o corretor, como uma espécie de assistente pessoal. “Capturamos usuários on-line, conversamos e qualificamos com inteligência artificial, e entregamos para o mundo off-line vender mais”, explica Leonardo Rochadel, CEO & founder da companhia. A O2O – sua quarta startup – é resultado de um longo processo de pesquisa que compreendeu as brechas existentes no mercado brasileiro. “Esse é um mercado de R$ 430 bilhões e 82% da população brasileira não possui nenhum tipo de seguro. Quando eu olho para esse mercado, vejo que esses R$ 430 bilhões estão na mão de 39 mil corretoras — pessoas jurídicas, e cerca de 66 mil corretores de seguros, pessoas físicas. Somando esses dois grupos, nós temos mais de 105 mil pessoas que perdem, no mínimo, 65% do seu tempo com tarefas operacionais e repetitivas”, destaca.

Digital Insurance Group: fusão de gigantes europeias

A Digital Insurance Group é uma plataforma líder no cenário das insurtechs na Europa. O Grupo é resultado da fusão entre a Knip – primeira seguradora digital do mundo – e a Komparu, principal insurtech da Holanda. Em palestra durante o CQCS, Ingo Weber, CEO do Grupo, falou sobre o foco da companhia e como ela se organiza nessa nova dinâmica de mercado. “Nossa missão é ter impacto na vida de milhões de pessoas. Surgimos da fusão de duas empresas no cenário europeu e temos um portfólio digital com recursos interessantes, como ferramentas para rever contratos”, explica. Ao refletir sobre a rapidez de transformação do segmento, ele reforça que muitas empresas com grandes aportes financeiros não souberam como aplicar inovação em suas linhas de produção. “Todo mundo está lutando pelo seu cliente. As empresas estabelecidas têm dinheiro, mas não sabem o que fazer. Há muito dinheiro, mas a inovação não acontece. Por isso, é preciso passar do hype para o impacto. A transformação já aconteceu e a digitalização real começa no cliente. Pense no problema dele e em como resolvê-lo”.

Zim: conexão digital entre corretores e clientes

Com proposta 100% digital, a Zim possui uma plataforma na qual o corretor pode centralizar todos os dados de seus clientes. A ferramenta permite que ele vincule suas apólices e seus clientes e visualize onde suas vendas estão performando melhor. Mais de 3.500 corretores utilizam a plataforma para administrar a carteira de clientes. Para Heverton Peixoto, CEO da empresa, os consumidores desse mercado não estão mais dependentes de marcas para fazer suas escolhas. “As vendas não serão mais baseadas em marcas, pois o cliente já não é tão dependente delas. O cliente é digital e a empresa deve ser ágil e moderna. As oportunidades serão desafiadoras e os bancos tradicionais têm perdido espaço para fintechs e bancos inovadores. Quem não se reformular, não conseguirá segurar seus clientes”, afirmou Peixoto durante o CQCS.

Ciclic: previdência complementar

De acordo com dados do IBGE, a expectativa de vida do brasileiro aumentou em mais de 30 anos e, atualmente, é de 75,8 anos. Com isso, a discussão sobre aposentadoria e previdência é recorrente, especialmente nesse período pós-crise econômica. Raphael Swierczynski, CEO da Ciclic, explica que a discussão sobre o tema em escala nacional foi uma oportunidade para colocar o negócio em prática. “Começamos por previdência por estar em evidência por conta da reforma. O serviço (de contribuição complementar) disponível hoje está nos bancos, mas o processo é todo muito burocrático. Viemos para editar, no sentido de levar informação relevante e ser uma alternativa bem mais simplificada no mundo da previdência” detalha. A plataforma permite realizar simulações em produtos que se enquadram ao interesse do consumidor, de modo que ele possa escolher o formato e finalizar as informações necessárias em menos de cinco minutos e sem a exigência de aporte único.

Thinkseg: novos clientes, novos produtos

O cenário pouco flexível para inovações fez com que o mercado oferecesse variações escassas de produtos ao público que busca proteger seus bens. A Thinkseg se une às seguradoras para oferecer produtos com condições mais interessantes ao público final. “A dita revolução digital tem como premissa o ‘empoderamento’ do consumidor, deslocando o eixo para o produto feito de acordo com as necessidades de cada um. A Thinkseg é um exemplo disso. Nascemos com a missão de criar produtos individualizados e entregá-los através da melhor experiência possível ao cliente”, relata André Gregori, CEO da Thinkseg. A insurtech nasceu em 2016 e impulsionou suas ações após a compra da Bidu, em junho deste ano. Neste novo mercado, Gregori afirma que as grandes empresas demoraram um pouco para entender as exigências do novo consumidor. “A indústria de seguros é bastante conservadora e, de certa forma, demora um pouco para reagir. Não por ineficiência, mas por modelo de negócio. Ela precisou de um tempo para entender o novo consumidor. O que vejo agora é um movimento bastante forte, quase que unânime para se atualizarem rapidamente”, acrescenta.

Youse: seguro contra haters

Plataforma de venda de seguros on-line da Caixa Seguradora, a Youse se diferencia das seguradoras tradicionais ao permitir que o cliente não só contrate o serviço on-line como escolha as coberturas e as assistências que melhor cabem no seu bolso. O valor é cobrado mensalmente. No último mês, a insurtech anunciou que, além dos seguros automóvel, residencial e vida, passará a oferecer um contra haters para proteger os usuários das mensagens de ódio na web. A solução, desenvolvida pela Youse em parceria com a Superare, irá mapear os conteúdos on-line e esconder aqueles que forem ofensivos. “Queremos ajudar os nossos clientes em todas as suas escolhas, por isso oferecemos um seguro sob medida. Com esse plug-in, queremos dar ainda mais liberdade para eles também na internet”, destaca Leandro Claro CMO da Youse.

Clear Sale Insurence Index: análise de comportamento digital

A Clearsale, especialista em soluções antifraude, criou um mecanismo que permite melhorar o processo de aceitação de uma proposta mapeando a probabilidade de sinistros e fraudes do cliente. Trata-se do Digital Insurence Index, que tem como foco o seguro-automóvel. “A plataforma ajuda a seguradora com um score comportamental para melhorar a precificação. Além de acompanhar o comportamento de e-commerce, conseguimos aferir e correlacionar o risco que a pessoa apresenta na proposta que ela solicita”, explica Gilmar Hansen, diretor de produtos da Clearsale. O Digital Insurence foi lançado no fim de 2017 e tem uma parceria com a Minuto Seguros, que realiza mais de 100 mil consultas por mês. “O score de risco é feito a partir do cruzamento de dado, com a ajuda do nosso machine learning”, explica Hansen.