Os colaboradores não se engajaram no programa de inovação?

Entenda as possíveis causas desse problema que, muitas vezes, impede as boas possibilidades da inovação se manifestar em diferentes setores da empresa

Por: - 2 meses atrás

Converso com muitos líderes de grandes organizações que promovem programas de inovação nas suas organizações, e ultimamente venho escutando com frequência um dilema que parece comum entre eles: os colaboradores internos, ou seja, quem trabalha na organização, não se engaja com veemência nos programas de inovação, e assim, as ideias que surgem são poucas, quando surgem penam para sair do papel e virar realidade, e quando alcançam isso, não promovem aquela transformação esperada, gerando frustração para todos. Isso faz com que os novos programadas de inovação que surgem, na maioria das vezes, já são encarados com ceticismo, devido as más experiências do passado, e isso acarreta ainda mais falta de engajamento, alimentando um ciclo negativo para a organização.

Este cenário parece familiar para você? Se isso acontece na sua organização, ou no seu time, leia este artigo que escrevi como a primeira dica de como superar este cenário.

A solução pode estar na: Pergunta-Desafio correta

Todo processo de inovação que quer buscar o engajamento de colaboradores e/ou stakeholders deve começar na criação de uma boa pergunta, que irá traduzir o desafio que todos tem pela frente, e que precisa ser resolvido.

A pergunta-desafio tem 2 funções:

1) Apontar a direção: a pergunta deve mostrar a direção, para onde esse time e grupo deve mirar, ou seja, deve contar realmente qual é o desafio que se quer resolver. As pessoas participantes de um processo colaborativo de resolução de problemas nunca podem ter dúvida de onde devem chegar. Isso tem que estar sempre muito claro. É por isso que eu começo os meus laboratórios mostrando a pergunta-desafio
para todos os participantes, e me certificando de que todos entenderam o que iremos resolver juntos naquele workshop.

2) Convidar pelo positivo: a pergunta vai plantar a semente da motivação nas pessoas, e promover o tão esperado engajamento e união. O que precisa ficar claro para muitos líderes e gestores, é que se a pergunta tiver um cunho negativo, você vai liderar o seu grupo a um workshop de lamentações, e não de criação de soluções para superar o desafio. Não há cocriação ou colaboração num ambiente negativo. É
somente possível atingir esses níveis de dinâmica e engajamento num ambiente positivo. Então, desenvolver a pergunta-desafio correta é fundamental para que o convite a inovação e a colaborar fique bem claro, e promova o engajamento desejado. Assim, a pergunta-desafio deve conter uma pitada do futuro maravilhoso que se almeja construir juntos, assim transportamos as pessoas do problema
(perspectiva negativa) para a solução que é um futuro bem mas brilhante, com o problema resolvido (perspectiva positiva).

3) Nomear quem é parte da solução: muitos líderes e gestores que facilitam processos de inovação não se atentam que ao nomear um desafio, ou seja, ao convidar pessoas para resolver um problema de forma colaborativa, eles acabam abrindo um problema da organização, e se não for realmente cuidado a forma como este convite é feito, as pessoas entendem, de forma inconsciente, que elas são parte do problema. Por isso, é muito importante que a pergunta correta seja feita como já afirmamos acima, para deixar muito claro no convite que as pessoas estão sendo convidadas para resolver esse problema porque elas são parte da solução. Com a sutileza das palavras podemos motivar pessoas ao criar um imaginário positivo do qual elas fazem parte como agentes cocriadores e transformadores. Para ajudar a criar a pergunta-desafio correta, eu desenhei um manual com um passo-a-passo. Vamos lá.

Passo 1:

Analise o seu problema e formule uma pergunta que você gostaria de ver a resposta. Ou seja, pense: que pergunta, se resolvida, pode impactar positivamente o seu negócio?

Seguem aqui alguns exemplos que escutamos nas nossas consultorias:

a) Como minha empresa pode vender mais durante a crise?
b) Como minha empresa pode manter e atrair os melhores talentos?
c) Como manter meu negócio relevante na era digital?

Assim, sente com a sua equipe, e peça para cada um escrever uma pergunta. E votem
em qual seria a prioridade para agora.

Passo 2:

Agora que você já tem o problema acima, temos que imaginar aonde queremos chegar. Seguindo os mesmos exemplos acima, nós já escutamos dos nossos clientes:

a) Problema: Como minha empresa pode vender mais durante a crise? Onde queremos chegar: ser reconhecido pelo valor agregado que meu produto/serviço tem e prosperar mais que os meus concorrentes
b) Problema: Como minha empresa pode manter e atrair os melhores talentos? Onde queremos chegar: Ter os melhores talentos jovens trabalhando felizes e motivados na minha organização
c) Problema: Como manter meu negócio relevante na era digital? Onde queremos chegar: Prosperar na era digital com muita relevância para os meus cliente e parceiros. Faça o mesmo processo acima: sente com a sua equipe, e peça para cada um escrever o “onde queremos chegar” do problema votado como prioridade. E votem em qual seria o foco para agora.

Passo 3:

Agora que já temos o problema, e aonde queremos chegar, estamos prontos para escrever a Pergunta-Desafio que irá convidar a todos para a colaboração e gerar engajamento. O trabalho aqui é de construção de uma pergunta positiva, que irá conter as 3 funções acima: Apontar a direção, convidar pelo positivo, e nomear quem é parte da solução. Lembre-se, você quer fazer com que os participantes do processo de inovação se sintam parte da solução (e não do problema), e que eles possam vislumbra apenas pela pergunta o futuro brilhante que ele(a) esta sendo convidado(a) a cocriar.

Assim, seguindo os exemplos, poderíamos reescrever dessa forma:

a) Problema: Como minha empresa pode vender mais durante a crise? Onde queremos chegar: ser reconhecido pelo valor agregado que meu produto/serviço tem e prosperar mais que os meus concorrentes.
Pergunta-desafio positiva: Como podemos ser a empresa mais reconhecida do nosso setor, e prosperar mais que os nossos concorrentes?
b) Problema: Como minha empresa pode manter e atrair os melhores talentos? Onde queremos chegar: Ter os melhores talentos jovens trabalhando felizes e motivados na minha organização.
Pergunta-desafio positiva: Como podemos ter os melhores talentos trabalhando felizes e
motivados aqui?
c) Problema: Como manter meu negócio relevante na era digital? Onde queremos chegar: Prosperar na era digital com muita relevância para os meus clientes e parceiros.
Pergunta-desafio positiva: Como podemos ser a empresa do setor mais relevante no meio digital? Enfim, espero que com essas dicas o seu próximo programa de inovação prospere, alcance muito engajamento e boas ideias!

Clara Bianchini é mestre em Inovação de Cultura Organizacional pela Imagineering Academy na
Holanda e bacharel em Comunicação Social pela PUC/SP. É co-fundadora da consultoria de
inovação para organizações chamada CO-VIVA. Professora de Inovação da Escola Superior de
Engenharia ESEG e professora convidada da INSEEC Business School em Paris.