Eleições: esquecimento X compromisso

Em artigo, Marcelo Sodré fala sobre a criação de uma plataforma na internet orientada a registrar e acompanhar as promessas dos políticos . Entenda

Por: - 2 meses atrás

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SOMOS O PAÍS DO ESQUECIMENTO. Ficamos indignados, reclamamos, esperneamos e depois esquecemos. A tragédia do Museu Nacional já é fato passado. Alguém foi punido? Alguém foi responsabilizado? Não sabemos e, passados dois meses, olhamos nossa recente indignação como algo que parece ter acontecido há muitos meses. O esquecimento é emburrecedor.

NÃO SOMOS O PAÍS DO PERDÃO. O perdão implica olhar o problema de frente, enfrentá-lo, para depois continuar o caminho. No perdão se aprende: quem errou sofreu e tem uma razão para não errar mais; quem perdoou aceitou a realidade, mas está atento a tudo o que acontece.

SOMOS O PAÍS DO VALE-TUDO. De todos os esquecimentos que nos assola, um me parece muito grave: passados poucos meses das eleições, já não sabemos em quem votamos e muito menos quais eram as propostas dos candidatos. Ninguém representa mais ninguém e os eleitos se sentem livres para somente pensar em como se eleger novamente. Cumprir o prometido? Para quê? As pessoas nem se lembram em quem votaram e muito menos quais eram as promessas. E os eleitos ficam livres, leves e soltos…

PRECISAMOS SER O PAÍS DO COMPROMISSO. Pensando nesta nossa realidade, as entidades de defesa dos consumidores, capitaneadas pelo IDEC, acabam de apresentar uma plataforma mínima para que os candidatos possam se comprometer com a defesa dos consumidores e para que as promessas tenham alguma possibilidade de não cair no esquecimento. Vou deixar registrado neste espaço um resumo das dez propostas mais importantes aos candidatos:

DEFESA EFETIVA DO CONSUMIDOR: fortalecimento da política de defesa do consumidor e escolha de dirigentes dos órgãos públicos entre especialistas comprometidos com essa causa.

AGÊNCIAS REGULADORAS A SERVIÇO DA POPULAÇÃO: autonomia e a transparência das agências reguladoras, que devem reafirmar o compromisso com o interesse público.

DIREITO À SAÚDE: preservação e fortalecimento do Sistema Único de Saúde (SUS) e efetiva regulação dos planos de saúde, para coibir práticas e reajustes abusivos.

COMIDA SAUDÁVEL: alimentação adequada e saudável, com a adoção de iniciativas para reduzir o uso de agrotóxicos, informações nos rótulos, restrição da publicidade infantil e medidas fiscais, de forma que promova a Comida de Verdade.

BANCOS RESPONSÁVEIS: criação de uma agência reguladora de serviços financeiros e adoção de políticas para prevenir o superendividamento e disciplinar a publicidade e a oferta de crédito.

ENERGIA BARATA E SUSTENTÁVEL: tarifas mais baixas de energia elétrica, com transparência nos tributos e encargos, além do estímulo ao uso de fontes renováveis.

MAIS TRANSPORTES: investimentos efetivos em infraestrutura de transporte público sobre trilhos, corredores de ônibus e ciclovias e garantia de tarifas de transporte acessíveis à população.

ACESSO E QUALIDADE EM TELECOMUNICAÇÕES: acesso aos serviços de telecomunicações e Internet para todos, com a aprovação de uma nova política nacional de banda.

DADOS PESSOAIS PROTEGIDOS: consolidação da proteção de dados pessoais e criação de um órgão responsável, com autonomia técnica, financeira e poder de fiscalização.

CONSUMO SUSTENTÁVEL E MEIO AMBIENTE SEGURO: adoção de políticas para a promoção do consumo sustentável e do uso racional dos recursos naturais, com a melhoria da qualidade de vida e da saúde e redução de impactos sociais e ambientais.