Automação em Serviços Financeiros: o frisson x realidade

A inovação voltada para serviços financeiros e varejo vêm de todos os lados, mostra o Money 20/20. A estrela é a automação

Por: - 3 semanas atrás

A automação e a ciência avançada de dados, incluindo IA e machine learning, são elementos centrais da transformação digital, o que gera euforia em todos os segmentos do mercado. Para a indústria financeira, o momento é de encarar a incerteza econômica e a crescente influência da regulação. As instituições financeiras estão vendo a revolução tecnológica como um caminho para criar novos padrões de eficiência e permitir novas aplicações no negócio. Mas há um risco de se deixar levar por essa euforia? O Money 20/20 trouxe um painel com experts de diversas áreas do mercado financeiro para compartilhar sua experiencia e visão de mercado para ajudar os participantes a separar o sinal real dos ruídos crescentes.

O primeiro debate dessa sala, denominado “Cyber Dome”, trouxe Kartik Gada, Diretor Executivo Iownit Capital Markets; Sriniketh Chakravarthi, Vice-Presidente Sênior e Serviços Financeiros da Cognizant; Martina King, CEO da Featurespace; Gregory Simpson, VP Sênior e CTO da Sychrony; Greg Michaelson, Diretor Geral de Bancos da DataRobot; Bob Legters, Chief Product Officer da FIS e David Herberich, Ph.D e Head de Analytics e Data Science da Marqeta.

Kartik Gada deu início ao painel procurando contextualizar o que significa IA atualmente. Para o executivo, estamos vivendo uma era de tendências exponenciais, pelo grau de disrupção que provocam. Ele entende que poucas pessoas conseguem compreender o impacto que os sistemas de IA provocarão nos negócios de maneira geral. É importante notar que o poder da IA não se limita a vencer humanos em jogos de xadrez ou Go!, ou funcionar como mecanismos de busca e ou compreender linguagens. A Inteligência Artificial é como o ar que respiramos, ela nos cerca e nos envolve, mas só a sentimos realmente, quando ela falta. Ela é tão difusa que não notamos o quanto ela avança rapidamente sobre nossos trabalhos e como está alterando nosso mindset. Kartik afirma que muitos empregos serão eliminados para sempre, mais do que aqueles que serão criados. Curiosamente, muitos empregos do setor público poderão ser preservados pelos institutos naturais desse grupo, para se auto preservar.

É sempre bom ressaltar que as IAs não tem vieses ou as limitações morais que muitas vezes impedem os seres humanos de tomar as decisões mais qualificadas. Quando aplicadas aos serviços financeiros, no trabalho das Fintechs, há uma possibilidade gigantesca de desenvolvimento das IAs em negócios financeiros diversos – empréstimos, investimentos, gestão, cobrança.

“A perda de empregos causada pela IA somente é perceptível na parte básica da produtividade impulsionada pela IA. E quando as IAs conseguem avançar para além do dobro da produtividade humana, os modelos de negócios mudam de forma que forma que os humanos não tenham feito esse trabalho antes”, diz, taxativo, o executivo.

Inteligência Automática

Na sequência, Kartik comandou um debate com 6 experts em IA. Greg Michaelson, defende que toda atividade que possa ser automatizada, será. Para ele, o curso da inovação é inevitável. “As coisas estão ficando diferentes. Eu não posso prever se empregos serão criados ou eliminados. Estamos dispostos aqui a definir o que a Inteligência Artificial é e não medir possibilidades incertas”. Para Martina King, todos estão aprendendo lições dessa revolução tecnológica. Em sua empresa, ela costuma lidar diariamente com seus analistas, pensando sobre os impactos de cada nova tecnologia. Gregory Simpson afirma que a Inteligência é Automática e não Artificial e isso muda um pouco da perspectiva da eliminação de empregos. Em tese, poderemos trabalhar menos e nos dedicar mais ao lazer se tarefas repetitivas forem conduzidas por IAs, No entender de Srikineth, da Cognizant, há possibilidades incríveis de recriação das experiências dos clientes, mais customizadas e isso permitirá a criação de novos empregos.

IA é apenas um instrumento de eliminação de empregos?

Michaelson diz que enquanto existirem sistemas imbecilidades haverá muitos empregos para humanos. “chega a ser irônico que uma empresa saiba exatamente o que faço durante o dia, mas não consiga saber qual é o melhor horário de me ligar. Isso mostra que há Inteligências de fato e outras nem tanto”.

Podemos falar em Revolução das Fintechs?

“Eu não penso que os negócios das Fintechs sejam apenas recortes do negócio principal dos bancos. Eles são respostas para clientes que querem valor real e um relacionamento mais efetivo com instituições financeiras”, afirma Bob Letgers, da FIS.

David Herberich, por sua vez, diz que as fintechs estão acostumadas a pensar inovação em power points e isso normalmente não significa bons negócios. O VP da Cognizant, Srikineth, fala que é necessário compreender que os bancos sofrem disrupção de Fintechs pela qualidade com que estas usam os dados. Mas Simpson não enxerga uma disputa entre esses dois polos. “Os efeitos da regulação mais aproximam do que afastam bancos e fintechs. Essas startups estão foçadas em experiência do cliente e os grandes bancos estão continuamente voltados para ganhos de eficiência e redução de custos. Mas emm algum ponto, essas expectativas convergem em benefício do mercado”, diz o Vice-Presidente da Sychrony.

O foco é entender que a penetração da IA é veloz e não apresenta sinais de acomodação. Em tese, as pessoas gostam de saber que serviços financeiros conseguem ser melhores, por conta da atuação das Fintechs. Os bancos, por sua vez, enxergam nesses sistemas instrumentos poderosos de ganhos de eficiência e, consequentemente, de aumento da rentabilidade. As fintechs não são exatamente uma revolução, mas antes negócios criados a partir das aspirações dos consumidores por melhores experiências.