Direcionando a inclusão financeira: por que a tecnologia de ponta não é uma panaceia

Será que o avanço tecnológico traz respostas para todos os problemas? Será que as Fintechs podem fazer mais pelos clientes do que as empresas tradicionais? Veja o que Money 20/20 trouxe de reflexões sobre essas questões

As novas gerações correm o risco de se tornarem mais pobres que seus pais. Os governos não respondem de modo adequado para minimizar esse risco e os bancos simplesmente não têm incentivo para ajudar. Nesse sentido, as novas tecnologias e plataformas digitais seriam uma solução? Para Tim Chen, CEO da NerdWallet, essa ideia é apenas uma utopia, quando não uma tolice. No Money 20/20 ele falou que a desejada inclusão financeira requer muito foco nos fundamentos do problema – transparência, habilidade de comerciar e transacionar, credibilidade e o empoderamento do consumidor. Conversando com Angela Strange, sócia da Andeersen Horowitz no painel “Direcionando a inclusão financeira: por que a tecnologia de ponta não é uma panaceia”, Chen foi atraído para área de produtos financeiros a partir de conversas com sua irmã. De maneira geral, é curioso perceber como é difícil, para as pessoas comuns, comparar produtos serviços financeiros diversos. Não por acaso, as pessoas pouco verificam suas contas. Nos EUA, mais pessoas pedem divórcio em um ano do que checam suas contas no mesmo período, o que só mostra como nos sentimos desconfortáveis, em geral, para lidar com dinheiro.

A revista NOVAREJO digital está com conteúdo novo. Acesse agora!

O executivo diz que é realmente complexo entender as diferenças entre produtos financeiros e a tecnologia pode facilitar e tornar mais acessível o uso e escolha das melhores opções de acordo com o perfil individual. Outro dado espantoso: mais da metade dos americanos não tem sequer US$ 400,00 em economias e estão totalmente vulneráveis a imprevistos. Ou seja, insegurança financeira não é privilégio do mercado brasileiro.

Exatamente por essas características e pelo comportamento dos consumidores, em geral, na sua relação com o dinheiro, que Tim Chen criou a NerdWallet, uma empresa que funciona como uma central de informações para trazer clareza às decisões pessoais que envolvam o uso do dinheiro. Depois de uma carreira de sucesso em fundos de investimento, Chen fez da NerdWallet uma plataforma de conteúdo para finanças pessoais com mais de 100 milhões de usuários.

No entender deste empreendedor, as Fintechs têm a função de ajudar consumidores a andarem por si sós, a terem autonomia e mais consciência no uso do dinheiro. Independentemente dos limites da regulação, as fintechs podem funcionar como a porta de entrada, um acesso mais amigável a serviços financeiros diversos.

Chen conclui dizendo que há alguns passos básicos para que toda instituição financeira deva adotar para tornar seu negócio mais acessível e seguro para o cliente: colocar clientes em conexão, usar heurísticas e exemplos que sirvam de base para tomada de decisão. O CEO da NerdWallet afirma que a maior parte das pessoas não está realmente interessada em entender produtos financeiros. Toda a tecnologia existente deve servir para dar suporte à uma decisão segura. Essa necessidade e direcionamento são particularmente sensíveis quando envolvem o público millennial, notadamente inábil para lidar com finanças pessoais. Ainda assim, há milhões de pessoas procurando acesso e produtos financeiros que possam trazer benefícios reais e isso faz com que Chen veja o futuro com entusiasmo. “Em 10 anos, as pessoas farão escolhas melhores com seu dinheiro. Os serviços financeiros serão mais amigáveis, claros e simples e o mercado estará mais democratizado”.




Acesse a edição:

MAIS LIDAS

VEJA MAIS

ÚLTIMAS

VEJA MAIS