Onde a inovação em meios de pagamento acontece? Se você pensou nos EUA, errou

O ecossistema de fintechs da Europa avança largamente sobre o mercado dos bancos tradicionais. Quais as lições que o Brasil pode tirar desse movimento? Saiba mais

Por: - 3 semanas atrás

O futuro dos meios pagamentos é objeto de um ruidoso debate, ainda assim, uma certeza prevalece: se quisermos saber mais sobre o futuro, precisamos de uma perspectiva global. A Europa, em particular, tem sido uma pioneira na evolução dos meios de pagamento, desde os cartões sem contato até as carteiras digitais. Taavet Hinrikus foi protagonista em duas das mais bem-sucedidas empresas disruptivas da Europa, Skype e TransferWise, um serviço global de transferência de dinheiro já avaliada em US$ 1,6 bilhão.

Como investidor-anjo em mais de 40 startups europeias e membro do Conselho do Alto Comitê do Grupo de Inovadores, este empreendedor está voltado para acelerar a próxima onda de inovação em pagamentos e fazer da Europa a líder dessa iniciativa. Hinrikus compartilhou sua visão com a audiência do Money 20/20, comentando de que forma o setor bancário dos Estados Unidos pode obter aprendizados com o boom atual do mercado europeu, bem como o clima geopolítico afeta hoje os negócios no país, no Reino Unido e outros mercados. Taavet conversou com Anna Irrera, da Reuters, no painel “O que há de novo em pagamentos? Um olhar mais amplo”.

Fintechs na Europa já capturam 40% do montante depositado nos bancos do mercado comum. Para Hinrikus, esse número não é surpresa. Ele credita esse sucesso ao fato de que na Europa as fintechs são mais avançadas do que nos EUA. Isso porque a regulação no país da América do Norte é mais complexa, pois há 50 legislações diferentes, uma por estado, mais o FED (Federal Reserve), enquanto na Europa há apenas uma respondendo ao mercado comum, o que torna o ambiente mais promissor à inovação e mais confiável para a população.

Taavet tem certeza de que os EUA são um grande mercado, mas as fintechs do país precisam de uma regulação estável, que ajude os consumidores a ter mais acesso a inovações e a produtos financeiros mais amigáveis. No mundo de hoje, obrigar as pessoas a irem a um espaço físico para fornecer documento é um contrassenso e isso ainda está presente em muitos estados americanos. O empreendedor diz que até o Brasil é ambiente mais propício para desenvolvimento de fintechs do que os EUA, em certos aspectos.

Um dos ingredientes mais relevantes para desenvolver negócios disruptivos é o talento. Este é um dos gargalos no Reino Unido, na Inglaterra, por exemplo. Por conta o do Brexit, muitos talentos não querem mais morar na ilha, pois não veem ali um ambiente amigável para empreender. “Há muitas cidades legais para fintechs na Europa, Berlim, Madri, cidades receptivas à inovação e que atraem pessoas com disposição para inovar”, diz o executivo. Taavet também destaca os ambientes da Índia, Japão, Austrália, Singapura e Brasil, onde há consumidores ansiosos por melhores serviços financeiros, o que motiva a criação de fintechs.

E quais as grandes conquistas das fintechs depois da evolução dos últimos anos? O empreendedor da TransferWise afirma que as fintechs são uma realidade a serviço dos consumidores, um ecossistema que trabalha como um organismo que oferece novas escolhas para os cidadãos e um novo olhar sobre produtos financeiros.