Há riqueza além dos ricos?

O novo sentido da riqueza vai além da simples acumulação e da filantropia: é preciso pensar também em gerar valor por meio do bem-estar coletivo. O Money 20/20 quis saber o que os ricos podem fazer por essa aspiração

Combinando novas tecnologias, empatia e uma visão madura, derivada de sua própria expertise, a indústria de serviços financeiros teve uma oportunidade sem precedentes de atender segmentos mais amplos da sociedade. Não importa quem está à frente das políticas econômicas, para Frank Coopper III, Diretor Geral Sênior e Chief Marketing Officer da BlackRock, a indústria pode ajudar as pessoas a pensarem grande e sentirem um maior senso de sua potência, segurança, controle, autoestima e dignidade. A riqueza é um conceito que se aplica para além da ideia básica de acumulação.

Em seu melhor, essa indústria corresponde às necessidades das pessoas, para aqueles que buscam apenas US$ 1,000 de economias para emergências até aqueles que investem milhões e milhões no mercado financeiro. Esse foi o contexto da sessão plenária apresentada por Cooper no Money 20/20 – “Há riqueza além dos ricos?”. Para o executivo, atingir essa meta pressupõe entender antes de mais nada como ajudar as pessoas a decifrarem a relação entre riqueza e bem-estar.

“Qual a relação das pessoas com seu dinheiro? Essa é a questão que mais me motiva atualmente”, afirmou Frank. O executivo de marketing acredita que toda empresa deve buscar oferecer algo mais para seus clientes. “Quando estive na Pepsi, ajudei a modelar o Pepsi refreshment, que colaborou com a vida de muitas pessoas”. Na Blackrock, Frank teve uma inspiração a partir de uma frase de Kenny West: “espera até eu ter o meu dinheiro merecido”, que despertou em sua mente a necessidade de repensar essa relação das pessoas com seu dinheiro. Por associação com outras ideias, Frank comentou que muitas vezes somos forçados a comer alimentos que não gostamos, que não têm tanto sabor, mas que nos ajudam muito com nossa saúde e nosso bem-estar. E é sobre bem-estar que Frank Cooper quer direcionar a forma pela qual a Blackrock trabalha com o dinheiro que recebe de investidores.

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“Não podemos desconectar o dinheiro do estilo de vida que temos. Devemos mudar o conceito de que ter dinheiro, ao invés de respeitar sucesso, na verdade significa excesso”, comenta. A ideia de riqueza é um ponto de chegada, mas não necessariamente de bem-estar. Mas é precisamente essa ideia que o mercado precisa trabalhar. Dinheiro, riqueza, devem manifestar generosidade e incrementar o nosso senso de viver bem, de bem-estar, segundo o executivo.

Segundo sua visão, riqueza não está associada a ter muito dinheiro, o que não significa que as pessoas devem prescindir dele. Mas sim que dinheiro precisa, tanto quanto praticar atividades esportivas, estar associado, conectado à saúde e bem-estar. Frank reconhece que essa concepção é contraintuitiva, mas permite a todos repensarem seu modo de viver, não necessariamente abraçar a felicidade, mas repensar como vivem, agem, escutam e aprendem.

“Riqueza é ter empatia, é a pedra fundamental de um novo padrão de confiança. É o que pode modificar a forma pela qual as pessoas economizam, investem, consomem e se relacionam com o dinheiro”, enfatiza. O CMO é um entusiasta da ideia de que os americanos podem ter uma consciência mais clara de que podem investir para seu bem-estar e não simplesmente para se proteger do futuro ou para acumular capital.

E por que essa reconexão entre “riqueza e bem-estar” está no centro do negócio de uma empresa como a Blackrock? “Os últimos tempos colocaram em xeque nossa confiança no mercado e nos sistemas. Os escândalos do Facebook, dos Panama Papers, fazem com que as atividades comerciais devam enfaticamente procurar atender as necessidades humanas para resgatar essa confiança. É o nosso desafio e uma oportunidade excepcional para criar um novo caminho na relação das pessoas com seu dinheiro e, sobretudo, das empresas com seus clientes.

Frank Cooper III mostrou um posicionamento corajoso e francamente distinto do que costumamos ver em instituições financeiras. Vejam como exemplo a série “Billions”, onde uma empresa, a Axel Capital é alvo de investigações do Judiciário americano. O enfoque é o relativismo moral que motiva ambas as instituições, o fundo e o poder do Estado, no qual o que menos importa é o bem-estar de clientes e cidadãos.

Será que esse senso de propósito demonstrado por Frank Cooper à frente da Blackrock se tornará uma tendência ou será visto, no futuro próximo, como uma iniciativa pueril?

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