Tesla: muito além do desenvolvimento de carros

O que uma experiência na Tesla pode ensinar sobre posicionamento de marca e visão de futuro? Confira em novo artigo de Natanael Sena

Por: - 3 semanas atrás

Foram quatro dias de visitas em dois países diferentes (Canadá, EUA). Muito além de carros autônomos, que se deslocam sem intervenção humana, ou soluções energéticas para residências (que contaremos em uma próxima matéria,) pude entender o que faz a Tesla ser uma das empresas mais inovadoras do mundo e consequentemente uma das que conquistam cada vez mais fãs pelo mundo.

O fator humano é o centro de qualquer relação, produto ou ação que eles venham fazer. Ao visitar o escritório como convidado tive o mesmo tratamento ao visitar uma de suas lojas sem me identificar.

A inovação pressupõe sanar uma necessidade humana, seja essa aparente ou não. E o que a Tesla faz é sanar necessidades que possam vir a existir em um futuro próximo. E a ponta desse “iceberg” são seus produtos (veículos, conversores e armazenamento de energia solar), ou melhor, suas soluções, como seus funcionários dizem.

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Em uma das primeiras visitas, ouvi que os veículos desenvolvidos ali não eram carros e sim soluções para deslocamento. Meu primeiro pensamento dizia “mais uma jogada de marketing”, porém, mais para frente eu entendi que não era jogada e que a tecnologia empregada naqueles veículos de fato não os fazia serem apenas carros, e sim algo tecnológico, interativo e móvel, que estava invólucro em uma aparência de um carro. A mesma linha de pensamento seguia para as placas de energia solar.

Algo muito similar ocorreu quando a Apple lançou o iPhone, em 2007. Jobs em seu famoso discurso fez a convergência de três produtos (iPod, Phone, Internet) em um único device.

Em 1984, um dos comerciais de lançamento Machintosh dizia que a real genialidade do Machintosh é que você não precisa ser um gênio para usá-lo. Portanto, é necessário ter um olhar mais profundo para entender que da mesma forma que o iPhone quando lançado não era apenas um celular. A Tesla não vem apenas para competir com a indústria automobilística.

Notamos essa semelhança de posicionamento também na loja de North York que fica dentro do Yorkdale Mall, um shopping de luxo em Toronto. A loja segue uma identidade parecida com as lojas da Apple. Paredes brancas, produtos (dois veículos) ao centro, pouco material de comunicação e os vendedores te oferecem ajuda em vez de oferecer produtos. O posicionamento de estar dentro de um shopping, dividindo corredor com marcas de referência mundial, deixa claro que a Tesla vai muito além de carros.

Empresas inovadoras entendem que não se faz mais produtos e sim soluções, soluções que aproximam pessoas e facilitam a vida. Clientes e funcionários se misturam em si e acabam criando uma grande comunidade de fãs da marca e da disruptura que ela representa frente ao mercado e a sociedade.

Os funcionários da Tesla em suas maioria são fãs da marca. Em nossa conversa, Clyde me falava com brilho nos olhos das funções do Model 3 (versão de entrada das soluções para deslocamento). Ele me contava os detalhes, as diferenças de autonomia das baterias, falava sobre a ausência de “marchas” e as altas velocidades que o carro alcança. Agora, vocês imaginam que ele era um gerente, vendedor ou funcionário administrativo? Errado! Ele faz parte da equipe de limpeza dos carros da loja localizada em Eatonville, Orlando.

O resultado de toda essa somatória são soluções extremamente avançadas tecnologicamente, porém, com uma interface amigável e extremamente simples.

Os detalhes dessas soluções e suas funcionalidades contaremos na próxima matéria, com exclusividade, aqui na coluna.