Os assistentes pessoais precisam ser ainda mais pessoais

Raros no Brasil, os assistentes pessoais comandados por voz já estão migrando para uma segunda (ou terceira) geração. Compreenda por que o Web Summit fala tanto sobre essa tendência

Por: - 1 semana atrás

Existem muitos indícios de que a tecnologia de linguagem predicativa é o grande futuro para negócios diversos. Mas é importante compreender que um assistente pessoal com sistema de inteligência artificial não deve apenas falar a torto e a direito. Ele deve mimetizar horas a inteligência humana e também aprender o que os dados mostram. No Web Summit, Xabi Uribe-Etxebarria, CEO da Sherpafalou com Mike Butcher, Editor do TechCrunch no painel “Beyond Siri and Alexa: The next generation of digital assistants get personal”. A premissa foi mostrar onde estão os avanços mais excitantes dessa nova tecnologia dos assistentes pessoais. Vale lembrar que Xabi Uribe é um empreendedor serial, premiado e reconhecido internacionalmente. Sua nova empresa, a Sherpa, é protagonista da tendência dos assistentes pessoais. Sua IA é um assistente pessoal virtual preditivo que opera baseado em algoritmos poderosos.

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A Sherpa foi criada em Bilbao, na Espanha, e sua tecnologia hoje ombreia com aquela desenvolvida no Vale do Silício. A empresa já obteve 15 milhões de euros em investimentos para desenvolvimento de sua solução. A Sherpa tem como vantagem o fato de que sua assistente fala espanhol fluente e agora também se comunica em inglês. É incrível que uma empresa de IA tenha criado um assistente virtual endereçado primeiramente para uma língua não dominante para somente depois partir para a oferta em inglês.

O foco da Sherpa é predição. Ela não responde apenas perguntas. “Percebemos que 88% das interações com os assinantes baseavam-se em buscar piadas, pedir músicas, e saber do clima”, observa Etxebarria. Por isso, sua empresa desenvolveu um assistente que mimetiza a comunicação humana e que pode prever, profetizar e antecipar informações mais amplas e inteligentes para os usuários. A ideia é realmente possibilitar uma comunicação de maior qualidade entre humanos e máquinas. O CEO credita que a Sherpa consegue oferecer uma experiência mais completa do que Alexa, Siri ou Google Talk. Sua capacidade preditiva vem sendo olhada com atenção pelas montadoras europeias, que preferem montar sistemas híbridos para seus automóveis autônomos, que não dependa de alianças incômodas com as Big Techs.

Em um pensamento mais profundo, a Sherpa também observa com atenção o desenvolvimento do blockchain como elemento de autenticação de transações e interações, com efeitos positivos na privacidade dos consumidores. Estamos totalmente empenhados em preservar a privacidade dos nossos clientes. A Sherpa está completamente alinhada com os dispositivos do GDPR”, afirma Etxebarria. É a forma que vislumbramos de tornar os assistentes realmente mais pessoas, por se dedicarem a compreender e a aprender continuamente com os usuários, organizando realmente a vida deles e não oferecendo serviços de baixo valor. Sherpa não obedece ordens apenas. Ela quer sempre aprender sobre seus usuários e pode antecipar suas necessidades, defende o CEO. E conclui “espero que nossa solução seja a escolhida para parcerias diversas com empresas que não querem depender apenas de Amazon, Apple ou Google”.

Está aí uma boa aposta. Criarmos um assistente virtual com alma brasileira, capaz de se comunicar com pessoas comuns, dentro de uma perspectiva que rapidamente aprenda como agir diante das diferenças regionais. De preferência sem nenhuma condição de aprender ou aplicar o nosso “famoso” (e descartável) “jeitinho”.