Transparência radical na sala de reunião: vale a pena?

Inteligência Artificial e algoritmos que se combinam para apoiar a tomada de decisões e garantir maior índice de acerto. Um dos maiores investidores da história falou sobre essa inovação no Web Summit

Por: - 1 semana atrás

Ray Dalio, fundador e Chief Investment Officer da Bridgewater Associates, fala sobre o uso da inteligência artificial no processo de tomada de decisões. Uma nova capacidade que pode limitar o uso e o alcance da intuição e do viés humano. Uma apresentação extremamente relevante para quem quer conhecer novos formatos de tomada de decisão para reorientar negócios. Vimos Ray Dalio no SXSW este ano. Sua forma de encarar a tomada de decisões, que deu origem ao livro “Princípios” é consistente e traz ensinamentos valiosos.

“A coisa mais importante que qualquer pessoa pode ter são princípios que façam sentido para sua vida. Fui esse que fiz em minha vida. E nessa fase da minha, o final da segunda fase dessa minha jornada, eu transformei esses princípios que me ajudaram a tomar decisões em algoritmos que ajudam a tomar decisões ainda melhores”, explicou Dalio. Ele diz que usou as falhas, os erros, as más decisões como aprendizados para refinar cada vez mais seus princípios. E quanto mais aplicou e usou esses princípios mais aumentou as chances de sucesso.
Ele enumera 5 princípios essenciais para lidar com os desafios pessoas e profissionais. São eles:

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1- Tenha objetivos claros;

2- Saiba lidar com os problemas, enquadre cada um na perspectiva correta;

3- Faça o diagnóstico das causas reais que geraram os problemas;

4- Desenhe a solução;

5- Faça o que é necessário fazer.

A Bridgewater, sua empresa, se propõe a oferecer um trabalho com significado, tanto quanto relacionamentos significativos. E isso só é possível aplicando o princípio da transparência radical. “E como sei que estou certo hoje em dia? Estou constantemente buscando aplicar os princípios sobre a tomada de decisões, para criar uma sistema de meritocracia confiável. É necessário sistematizar os princípios, para criar um ciclo contínuo de aprimoramento de tomada de decisões”. Para ele, a meritocracia só funciona com base em três princípios que precisam estar presentes e serem exercitados nas salas de reunião:

1- Colocar seus pensamentos na mesa honestamente;

2- Guardar os pensamentos discordantes;

3- Respeitar o que foi acertado entre as partes após a rodada de discordâncias.

Essa é a única forma, segundo Dalio, de aumentar a credibilidade das decisões. Quando as pessoas se sentem confortáveis em discordar e têm um contrato claro de que as discordâncias foram superadas após uma conversa clara e transparente, a meritocracia aparece naturalmente. Normalmente, as pessoas têm tendência a abrir mão de suas convicções como forma de defesa.

Dalio defende que empresas que acreditam no poder real da tomada de decisões, precisam saber o que as pessoas realmente querem, precisam estimular confiança radical entre as pessoas e transparência radical e realmente sistematizar a tomada de decisões na forma de algoritmos que possam ser aplicados a cada situação. Seus algoritmos fizerem parte da programação de uma IA, tanto melhor. Mas mesmo para abordagens mais convencionais, a tomada de decisões depende de princípios claros, transparentes, aceitos e praticados incondicionalmente. Para Dalio, essa estratégia vale a pena.