Intuição x algoritmo: quem vence este jogo? E o que se ganha com ele?

A criatividade e a capacidade humana de oferecer soluções inesperadas e ilógicas podem fazer frente ao poder dos algoritmos? Ou é possível conciliar esses dois fatores para criar estratégias efetivas?

Por: - 7 dias atrás

Studio71 e EndemolShineGroup administram alguns dos protagonistas mais famosos do mundo em conteúdo de valor – de Lily Singh e Dwayne Johnson a Mr. Bean, MasterChef e Black Mirror. Reza Izad, CEO do Studio71, Wim Ponnet, Chief Strategy Officer da EndemolShineGroup e Kit Eaton, repórter de tecnologia, conversaram sobre “Criatividade em um mundo de algoritmos” no Web Summit. Em pauta, buscar o entendimento da força do conteúdo em um mundo onde ele é ao mesmo tempo onipresente e precioso, muito além do clique bait. Será que a criatividade ou o algoritmo podem individualmente trazer mais inovação?

“Vivemos em um mundo regido por algoritmos. Eles nos acompanham no Twitter e no trânsito. Como é viver em um mundo no qual esses algoritmos são poderosos”, provoca Kit Eaton. Mas será essa uma falsa provocação. Reza Izad considera que os algoritmos permitem direcionar com precisão extrema a criatividade humana para as audiências mais predispostas a consumirem o conteúdo que procuram. Wim Ponnet segue a mesma linha: sua empresa usa os dados para compreender o que os consumidores querem. A EndemolShine interpreta os milhares de comentários e interações para endereçar o conteúdo para a comunidade adequada.

Pela perspectiva de um produtor, a área de marketing e de geração de insights pode ser substituída por um sistema que roda algoritmos poderosos. Mas é preciso considerar como endereçar conteúdos criativos nos meios corretos para os consumidores corretos. Os algoritmos indicam como atraímos consumidores para e audiência para o YouTube e depois de volta para outra plataforma. Izad destaca que os algoritmos permitem otimizar a distruibuição do conteúdo por plataformas distintas com o máximo de engajamento. Ponnet lembra que quando uma plataforma muda seu algoritmo, essa mudança percorre todo o ecossistema e os cientistas de dados e empresas de conteúdo precisam estar preparadas para responder às novas características e regras dessa nova formulação.

Os algoritmos, por seu lado, permitem captar informações que podem ser direcionadas para o trabalho criativo, para a produção de roteiros. Sistemas de machine learning já são utilizados para que aprendizados sobre reações e expectativas da plateia sejam levadas ao conhecimento dos criadores. Trata-se de uma orientação que traz algum nível de predição sobre a performance do conteúdo e não necessariamente para ser um elemento integrante do processo criativo, concordam os executivos, Wim e Reza.

“Acredito que os dados podem ajudar os criadores a serem cada vez mais originais, podem não depender apenas de suas referências. É possível expandir os limites da criatividade a partir de algoritmos que fundamentam o trabalho criativoP, afirma Reza Izad.

O algoritmo não é então uma força do mal, que irá substituir a criatividade? Definitivamente não. É uma forca a favor do talento e que pode expandir os limites da imaginação no rumo de novas e excitantes histórias. Esse é um jogo que pode trazer ganhos para toda a indústria de conteúdo e entretenimento.