Consumidores negros não se reconhecem na comunicação das empresas

Embora seja um público que movimenta R$ 1 trilhão por ano, pesquisa revela que 72% dos respondentes não se vêem representados em campanhas. Entenda

Por: - 1 mês atrás

O Dia Nacional da Consciência Negra, celebrado em 20 de novembro, faz parte da história brasileira oficialmente desde 10 de novembro de 2011. Para muitos, este é um dia de resistência, que recorda uma história com tantos altos e baixos. Nos últimos anos, nesta era que intitulamos como digital, as bandeiras ganharam força na sociedade e cada vez mais grupos se mobilizam com o intuito de garantir a visibilidade para questões tão sensíveis em nossos dias atuais. A pesquisa A voz e a vez – diversidade no mercado de consumo e empreendedorismo, realizada pela agência de pesquisa Locomotiva, de certa forma faz parte desse movimento. O levantamento traz números sobre a realidade dos negros no Brasil enquanto consumidores e empreendedores.

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Um dos destaques do estudo fica para o fato de que 72% dos negros acreditam que as pessoas que aparecem nas campanhas das marcas são muito diferentes deles. Para 67% do público, as propagandas não representam adequadamente a população preta.

E essa visão não está equivocada. Conforme lembra o instituto, apesar de a população negra representar 54% do povo brasileiro (segundo o PNAD 2017, do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), mais de 90% dos protagonistas de campanhas publicitárias são brancos. Nesse sentido, 77% desses consumidores acreditam que as propagandas deveriam representar melhor a diversidade nacional.

Representatividade

Em um momento histórico em que as empresas tanto falam sobre engajamento e experiência do cliente, é importante lembrar que a representatividade é um fator essencial de identificação com a marca. E esse público é uma das principais engrenagens da economia. Segundo a pesquisa, a população negra movimenta, em renda própria, R$ 1,7 trilhão por ano.

Sua atividade de consumo, assim como toda a população, é intensa. De acordo com os dados, por exemplo, 26,4 milhões de consumidores negros pediram comida delivery no último mês enquanto 79,2 milhões fizeram compras em farmácias neste período.

Pensando nos planos de compras para o próximo ano, 19,5 milhões têm a intenção de comprar uma casa nova e outros 44,7 milhões querem reformar sua casa. Além disso, 53,1 milhões pretendem viajar pelo Brasil em 2019, fora os 11,5 milhões que viajarão para o exterior.

A apresentação do estudo marcou o início da Feira Preta 2018, um dos mais importantes eventos de empreendedorismo voltado à comunidade negra do país, realizada de 18 a 20 de novembro, na Praça das Artes, em São Paulo.