Após fechamento de lojas, Saraiva entra com pedido de recuperação judicial

Rede entra com pedido um mês após tentativa de renegociação pela Livraria Cultura. Plano de reestruturação deve ser entregue em até 60 dias

Foto: Wikimedia Commons

A crise no setor de livrarias brasileiro parece seguir para um final trágico. A Saraiva, uma das principais redes do país, anunciou o pedido de recuperação judicial. De acordo com informações que circulam no mercado financeiro, a empresa acumula uma dívida de R$ 674 milhões. A decisão segue roteiro de outra gigante do segmento, a Livraria Cultura. A rede recorreu a instrumento semelhante para reestruturar seus débitos no mês de outubro.

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O pedido de recuperação foi entregue à 2ª Vara de Falências e Recuperações Judiciais de São Paulo.  No documento, a empresa relata todas as ações tomadas na tentativa de reequilíbrio das contas. O grupo destaca que, em 2014, decidiu sair do mercado de comercialização de eletroeletrônicos, principalmente televisores. A empresa avaliou que não tinha mais como disputar consumidores com as redes varejistas especializadas nesses produtos

“Visando deixar sua estrutura mais enxuta e dinâmica, o grupo deixou de trabalhar diretamente com categorias de produtos de menor rentabilidade e maior demanda de capital de giro, como o de tecnologia. A medida ainda reduzirá substancialmente a geração de créditos tributários, uma das principais razões do consumo de caixa nos últimos anos”, detalha o pedido feito à Justiça.

Em uma tentativa de aumento de sua liquidez, a Saraiva lembra que, em 2015, optou pela venda de 100% dos ativos editorais e de educação da Saraiva Educação S.A para o grupo Somos Educação por R$ 725 milhões.  O montante, explica o documento, foi destinado à redução do endividamento bancário e um aumento de capital para investimento “no negócio varejo”. No entanto, a medida, que inicialmente parecia positiva, tirou a empresa de um de seus principais nichos de atuação, a edição de livros jurídicos.

Os controladores ainda colocam em destaque as medidas tomadas após a contratação da assessoria Galeazzi & Associados. Entre elas estão: o fechamento de 11 lojas, de 8 unidades iTown, unidades especializadas em produtos da Apple, e o corte de 700 colaboradores.

A rede ainda credita a sua situação ao avanço do mercado de streamings, em especial serviços como o “Napster, Spotify, Deezer, Netflix e Apple Music”. A crise financeira, agravada a partir de 2014, a greve dos caminhoneiros, em maio, e a Copa do Mundo, em junho, também impactaram negativamente os resultados da empresa.

A Saraiva informa que, no prazo de 60 dias, entregará à Justiça o plano de recuperação financeira, no qual  irá detalhar sua viabilidade econômica, apresentará um laudo econômico-financeiro e uma avaliação de seus bens e ativos. Fundada em 1947, a rede informa que conta hoje com 3 mil colaboradores e 85 lojas próprias.

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