As cidades e consumidores mudam. A mobilidade urbana precisa mudar também

Diretor da Michelin mostra importância da resiliência e da inovação para empresas sobreviverem às transformações da sociedade

Por: - 4 meses atrás

Foto: Natália Oliveira

“Repensar a mobilidade nas novas cidades é essencial para o desenvolvimento ”, afirma Rodrigo Santiago, diretor de relações institucionais e governança da Michelin para América Latina. Rodrigo comandou a roda de conversa sobre o tema na sala de negócios inovadores do Wired Festival 2018, nesta sexta-feira. A forma com que os indivíduos se deslocam no território dependem de uma série de questões culturais, sociais e de comportamento que impactam tanto na qualidade de vida, quanto na economia dos países.

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O diretor da Michelin lembra que na década de 1980 os chineses andarem de bicicleta era um indicativo de subdesenvolvimento. A pergunta que era feita na época era como essas pessoas ainda não tinham carros. Com a chegada dos anos 2000, a China deixou a bicicleta de lado e encheu as ruas de automóveis, sem estar adaptada para receber esse fluxo de veículos. O resultado, tanto na China, como na maioria dos países do mundo, foi um trânsito congestionado e uma alta produção de gases poluentes.

Segundo dados da Organização Mundial da Saúde atualmente a qualidade de ar das cidades mata quase 4 milhões de pessoas por ano, e no mesmo período, os acidentes de carro fazem mais de um milhão de vítimas. Com esse novo contexto, a bicicleta passou a ser sinônimo de modernidade e desenvolvimento sustentável.

Redução do uso de automóveis

A preocupação com a sustentabilidade e com a preservação do planeta, além da redução de custos, tem feito a população abrir mão de ter seu próprio carro. Outra razão para essa mudança de comportamento é a redução de áreas urbanas disponíveis para estacionar os automóveis nas cidades.

A Michelin, como produtora de pneus, poderia ser afetada por essa transformação do mercado, mas, segundo Santiago, os clientes da empresa vão além dos donos de automóveis. “Avião tem pneu, ônibus precisa de pneu, a maioria dos modais ainda precisa do pneu”, afirma. Além disso, o diretor enfatiza que nos 129 anos de existência, a Michelin ofereceu muito mais que um produto, teve como foco o serviço e os valores que transmitia a seus clientes, o que sempre ajudou a empresa no processo de resiliência.

Pensando na sustentabilidade a Michelin desenvolveu projetos como o Moobilty, que pretende incentivar uma mobilidade sustentável e para todos. “Pensar mobilidade é pensar inclusão. É pensar como um jovem vai fazer para chegar na escola. Como uma pessoa se uma zona rural vai chegar na cidade”, explica Rodrigo. O Moobity tem três pilares segurança, eficiência e um transporte mais “verde”, o que inclui incorporar materiais renováveis nos pneus, desenvolver um eco-design e numa eco-eficiencia sem perda de performance

Estar sempre se adaptando ao tempo e ao comportamento dos consumidores permitem que a Michelin compreenda as novas demandas e pense no futuro. Para Rodrigo Santiago, há três grandes tendências para os próximos dois anos: a eletrificação, os carros autônomos e a mudança no uso dos automóveis. No caso dos carros autonomos, por exemplo, os pneus assumem novas funções. “O carro vai estar conectado com o aparelho do usuário, com as rodovias e as concessionárias. O pneu vai ter que conversar com tudo isso e já estamos trabalhando pra isso”.