Tecnologia e novos sistemas de plantio podem garantir comida na mesa das próximas gerações

Você já parou para pensar o futuro dos alimentos? Entenda o que está mudando e quais as soluções para uma agricultura mais sustentável e eficaz

Por: - 2 semanas atrás

Foto: Natália Oliveira

Quando falamos de inovação, conseguimos imaginar sua aplicação nas mais variadas áreas da economia. Mas, muitas vezes, nos esquecemos de uma essencial, que segundo Mariana Vasconcelos, CEO da Agrosmart, é uma das mais tecnológicas do país: a agricultura.

Esse foi o tema da palestra “O Futuro dos Alimentos”, no Wired Festival 2018. “Pensar sobre o futuro da alimentação é responsabilidade de todos, afinal todos consumimos alimentos”, enfatizou Rodrigo Meyer, que é criador de fazendas urbanas.

Inovar para sobreviver

O mundo vem passando por uma série de transformações. As mudanças climáticas, por exemplo, afetam direto a produção de alimentos. A elevação da temperatura aumenta o número de pestes e insetos, muda o ciclo de algumas culturas e ainda causa um aumento do nível do mar, alagando áreas cultivadas.

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Outra questão que impacta diretamente os produtores é o crescimento da população. Os agricultores terão que produzir cada vez mais e para consumidores mais exigentes. Rodrigo Meyer relatou que a população brasileira tem aumentado o consumo de verduras e frutas, além de estar mais preocupada com a origem dos alimentos e com a sustentabilidade.

Para os palestrantes, a implantação de tecnologias disruptivas no campo é a resposta para todos esses problemas. “A solução é unir o conhecimento e a experiência dos produtores com os dados gerados pelas novas tecnologias”, constata Rodrigo.

Novos caminhos

A captação de dados através de drones, sensores e satélites tem se mostrado eficiente para que o produtor consiga prever mudanças no clima e evitar a contaminação do cultivo por pragas. Além disso, o acesso aos dados também auxilia na escolha das melhores sementes a serem utilizadas.

Em relação ao mercado, a dica da CEO Mariana Vasconcelos é pensar todas as etapas do processo e todos os envolvidos como um grande ecossistema. Neste sentido, o Blockchain e o e-commerce têm aparecido como alternativas para conectar o pequeno agricultor com as outras engrenagens do mercado.

Repensar os sistemas de plantio e os locais utilizados para o cultivo também são opções para buscar uma agricultura mais sustentável e eficiente. “Pelo menos 30% dos alimentos produzidos não chegam no prato que alguém. Estragam antes”, conta Rodrigo Meyer que acredita que o atual modelo global de alimento está quebrado.

Uma solução proposta por ele é a criação de fazendas urbanas, que aproximem o produtor do consumidor, reduzindo assim o desperdício. “As fazendas urbanas são uma necessidade estratégica para as cidades. Dão independência para os países e empoderam comunidades”, afirma.