“Inovar é entender que as coisas não são, as coisas estão”, diz vice-presidente da Google

Na abertura do Wired Festival, Fábio Coelho destaca o poder da inteligência artificial e como ela vem sendo incorporada no dia-a-dia dos brasileiros

Por: - 2 semanas atrás

Foto: Natália Oliveira

O futuro do homem e o homem do futuro. Esse é o tema do Wired Festival 2018, que acontece hoje e amanhã no centro do Rio de Janeiro. Quem abriu a maratona de palestras e exposições da 4° edição do festival foi Fábio Coelho, vice-presidente do Google, falando sobre Inteligência Artificial e visão de futuro. Coelho afirmou, logo no início de sua apresentação,  que precisamos pensar  sempre que “as coisas não são, as coisas estão”. Segundo ele, inovar aos olhos do Google é ter a humildade de entender que por mais que já saibamos muito, sempre será pouco em relação ao que temos a aprender.

A própria Google passou por inúmeras mudanças desde que surgiu. A primeira delas foi em relação ao suporte. Em 2011, a empresa passou a ser “mobile-first”, deixando de focar em plataformas fixas, desktop, e dando prioridade para  celulares, smartphones, tablets. Desde 2016,  a Google está  passando por mais uma transformação importante. Motivada pela explosão da Inteligência Artificial, que apesar de ter surgido em 1956 está vivendo seu boom nos últimos 3 anos, a empresa quer se tornar  AI-first, pensando máquinas inteligentes capazes de aprender por repetição, tentativa e erro.

Para Fábio Coelho, a inteligência artificial é muito mais do que uma forma de acesso, é uma nova maneira de utilizar a informação e, por isso, seu impacto na sociedade vai além de grandes invenções como drones, robôs e assistentes virtuais. A inteligência artificial e o machine learning precisam ser pensados como uma forma de ajudar a resolver os problemas do mundo. “Desenvolvendo produtos de inteligência artificial não melhoramos apenas a condição dos usuários, abrimos grandes oportunidades de negócio em várias áreas: na saúde, na educação, na personalização das comunicações”, afirma o vice-presidente da Google.

Eu-Robô

A relação entre máquinas e pessoas sempre gerou discussão e causou medo na sociedade. Coelho lembra que no século passado, a Robotização fez muita gente acreditar que os robôs controlariam os humanos. “Temos que apostar na complementaridade”, defende o palestrante.

A Inteligência Artificial hoje está no nosso dia a dia, nas coisas mais simples como ver fotos no celular. Você pesquisa pela palavra “sol” e aparece uma seleção de imagens suas com seus filhos na praia porque o Google Photos é capaz de identificar pessoas e lugares com um comando.

Essa ferramenta pode não parecer genial quando a utilizamos diariamente, mas na medicina por exemplo, a capacidade  de entender e correlacionar imagens de retinas humanas, possibilitou que médicos possam descobrir quais as possibilidades de determinado paciente vir a ter problemas cardiovasculares. Fábio Coelho acredita que essa combinação da máquina com o ser humano é capaz de fazer coisas incríveis através da análise de padrões unida a capacidade humana de inventar, julgar, flexibilizar.

Um Brasil mais competitivo

Podemos dizer que recentemente vivemos três grandes ondas: a inclusão digital, a mobilidade e, agora, a inteligência artificial. No Brasil, os consumidores vem “surfando” todas essas ondas e intencionalmente ou não já usufruem da IA no dia-a-dia. O grande desafio, de acordo com o CEO da Google,, é trazer as tecnologias que já são adotadas pelos brasileiros para dentro das empresas e do governo. “Para não perdermos espaço no mercado precisamos: integrar a tecnologia ao nosso sistema educacional, continuar estimulando o empreendedorismo com diversidade e diminuir o abismo entre inovações e geração de novos negócios”.

Atualmente o Governo brasileiro está investindo no desenvolvimento de cerca de 1400 aplicativos. O vice-presidente da Google acredita que a tecnologia, usada de forma não invasiva, pode ajudar a melhorar nosso país e cita como exemplo o aplicativo que está sendo criado para facilitar o alistamento militar. “Muitas pessoas perdiam dias para ir até o quartel mais próximo, entregar a documentação, sendo que apenas 5% realmente seriam pré-selecionados para o serviço. O app poupa esse tempo e esse desgaste, fazendo uma seleção prévia dessas pessoas”.