A moda que nos faz pensar

A obra da designer de moda holandesa Iris van Herpen e uma reflexão sobre o caminho “product machine” da sociedade contemporânea. Confira

Por: - 6 meses atrás

Foto: Natanel Sena

As novas tecnologias se fazem cada vez mais presentes no mundo fashion e isso nos convida a repensar a relação entre o nosso corpo e o espaço ao nosso redor, através das roupas, calçados e acessórios que usamos. A moda é o meio usado por muitos criadores para expressar uma pluralidade em sentir e refletir o caminho que estamos seguindo.

Pioneira na utilização de impressão 3D como uma técnica de construção de vestuário, Iris van Herpen,  designer de moda holandesa, criou figurinos para a Ópera de Paris e para o New York City Ballet, sempre questionando intrinsicamente a relação máquina versus homem.

 

Foto: Natanel Sena

Com algumas peças expostas no Museu Real de Ontario, a designer mistura o passado e o futuro, fundindo tecnologia e artesanato tradicional.

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Quem constantemente pensa de forma disruptiva e ultrapassa padrões estabelecidos em mercados tradicionais ganha notoriedade. Por isso, Iris, é constantemente convidada a participar de projetos especiais, vestindo Cara Delvingne, Miley Cyrus, Lady Gaga, Naomi Campbell, Scarlett Johannson e Beyoncé para gravações de filmes, programas e clipes, sempre com a finalidade de primeiro impactar e depois gerar reflexão.

Este conceito de gerar reflexão por meio de um produto é tão forte, principalmente no segmento da alta costura, que seis de seus vestidos foram adquiridos pelo Metropolitan Museum of Art, em Nova York. Dentre estes, encontramos, o vestido Dome  criado usando rendas de metal delicado e volumoso cortado a laser que foi moldado à mão em cúpulas tridimensionais. As cúpulas semelhantes a rosas imitam bolhas de ar que refletem a luz e ondulam ao redor do corpo, produzindo o movimento leve e arejado do vestido que foi criado a partir do metal, material pesado:

 

Foto: Natanael Sena

Em 2009, tive a honra de assistir a uma aula com uma grande professora brasileira, Ana Lucia Pita. Ela constantemente falava que não bastava olhar e sim enxergar o que está a nossa frente. Seja na moda, design, ou em grandes exposições, o que temos a nossa frente é um produto final, do qual precisamos enxergar a composição de cada elemento que ocasionou a construção daquele trabalho e o que podemos extrair de melhor para seguirmos nosso caminhar de forma mais atenta com o futuro que nós estamos criando.

 

Foto: Natanael Sena

O trabalho de Iris, para mim, é um trabalho futurista que nos faz pensar claramente sobre o caminho que estamos seguindo e o quanto mais o “product machine” está presente em nossas vidas.