Com tanto robô querendo ser gente, o que sobrará para nós no futuro?

O avanço da inteligência artificial sobre as atividade humanas é um fato. Mas até que ponto isso é verdade ou mito? Uma futuróloga falou sobre isso na Campus Party

Por: - 3 meses atrás

Crédito: Unsplash

A transformação digital sobre tudo ao nosso redor  tem levado a questionamentos sobre o papel do ser humano na Terra – inclusive se teremos emprego no futuro. Afinal, em um mundo recheado de muita inteligência artificial, qual será o papel do advogado, um atendente de call center ou mesmo de um jornalista? Para alguns, é possível ter uma visão otimista.

Ligia Zotini, ex-executiva de uma grande empresa de tecnologia e hoje uma pesquisadora sobre o futuro pela Voicers, esteve na Campus Party deste ano e falou sobre o assunto do emprego de uma maneira surpreendente: o futuro também será dos super humanos.

No início do painel, ela lançou uma provocação ao público: “Com as máquinas nos libertando de sermos usados como máquinas, o que nós faremos no futuro?”

Segundo ela, o ponto-chave será entender quais atividades são automatizadas e quais delas são mecanizadas ou que não dependem de humanidade. “Há uma tendência no futuro para a existência de supermáquinas, mas, ao mesmo tempo, teremos  super humanos. Eu vejo uma tendência por um aumento das das relações humanas”, afirma.

Grau de invasão

Ela citou, por exemplo, os ensinamentos do professor chinês Kai-Fu Lee, uma das maiores autoridades do mundo em inteligência artificial. Lee entende que o grau de “invasão” da inteligência artificial nas atividades humanas depende do grau de elevação sobre quatro fatores: empatia, não empatia, otimização e a criatividade/ estratégia.  vão ditar o futuro da nossa humanidade.

Agora, pense em um quadrante. A empatia e não empatia formariam os extremos de uma linha. No meio, outra linha, desta vez com otimização e criatividade/ estratégia. A partir desses eixos, Lee pega todos os empregos e lança nesse quadrante. Assim, é possível dizer que existem empregos que serão totalmente ocupados por máquinas, outros serão aprimorados com o auxílio da I.A. Há também atividades que vão ditar os rumos da I.A. Nesse caso, as atividades se complementam, mas há maior necessidade humana do que o contrário. Por fim, temos as atividades que não podem ser feitas por máquinas.

Complicado? “O professor Lee acredita que apenas um quarto dos trabalhos serão ocupados por máquinas. Os outros 3/4 serão aprimorados por meio da inteligência artificial”, explica.

Na prática

Na prática, basta pensarmos sobre as atividades exercidas hoje e se elas são humanas ou meramente robóticas. O agendamento feito por uma secretária ou o atendimento feito por um profissional de call center podem ser automatizados, segundo Lee. Já as atividades exercidas por advogados e professores seriam aprimoradas com o auxílio da I.A, seja na distribuição de conteúdo em sala de aula ou uso das melhores palavras ou argumentos diante do judiciário.

O jornalismo vive entre o mundo da automação e trabalho essencialmente humano. Segundo Ligia, o hard news ou o fato/ cotidiano será ocupado por um robô. Ponto. “Mas o jornalista que utiliza a sua criatividade para escrever, refletir ou idealizar o futuro será fundamental em um mundo com muita I.A. O importante é pensar no tamanho da humanidade exercida por esse profissão”.

Por fim, Ligia cita os casos de profissões que, hoje, dificilmente serão ocupados por máquinas. Isso ocorre pelo alto grau de complexidade de raciocínio que uma máquina deverá executar. Na lista, estão o CEO de uma empresa (pelo seu papel decisório), o economista, escritor, cientista e também o artista. Ser um humano não é fácil, mesmo para uma máquina.