Quem primeiro pode perder o emprego para as máquinas? Saiba o que o Walmart diz

Em estudo, Walmart investiga como promover a automação sem destruir emprego e renda. Saiba qual perfil de trabalhador deve sofrer os primeiros impactos

Foto: Unsplash

A cada revolução industrial, uma quantidade enorme de postos de trabalho é extinta e esses serão substituídos por outros. Porém, entre um momento e outro existe uma janela que traz crises sociais e econômicas profundas. O Walmart lançou um estudo para entender como reduzir os efeitos danosos da revolução tecnológica sobre o emprego e por consequência sobre a renda e o consumo.

Um think tank foi criado no estado de Indiana para entender como regiões daquele estado vão se comportar com as novas tecnologias. O estudo apontou que, em regiões pós-industriais (como áreas dedicadas a serviços e comércio) os trabalhadores mais atingidos pela automação serão os de escritórios ou restaurantes de fast-food.

Mas o grande problema pode estar nas regiões que ainda dependem da produção. “É o cara de capacete, o cara da linha de montagem que está mais em perigo”, afirma Molly Martin, diretor do think tank.

O relatório do Walmart apontou que cada estado requer ações específicas que contemplam arquétipos próprios daquela localidade. O varejista percebeu oito arquétipos diferentes. Por vezes, o mesmo estado é capaz de concentrar uma boa quantidade deles. A Pensilvânia, por exemplo, concentra sete dos oito. Em média, cada estado tem cinco. “Cada arquétipo tem pontos fortes e desafios distintos que determinarão sua resiliência e moldarão sua resposta à automação”, avalia o estudo.

Isolamento social

Outro estudo sobre o impacto da automação sobre a economia, da Brookings, aponta que a tecnologia não vai acabar com a maioria dos trabalhos, mas vai mudar profundamente as características do emprego e destaca que existe um grande risco de boa parte dos cidadãos americanos ficarem para trás financeiramente e isolados socialmente.

O estudo do Walmart destaca a necessidade de fortalecer programas de segurança social para vencer o desemprego e a indigência, além de gastos com educação profissional e treinamento. Ainda assim, há um desafio macro considerável nessa solução. “A construção de habilidades só tem valor se uma comunidade tiver empregos para explorar as novas habilidades”, aponta o relatório. Desde os anos 80, o PIB americano cresce abaixo dos 2% na média e a disparidade social cresce, com agravamento depois da crise de 2008. Além disso, a desindustrialização acelerada do País dificulta a retomada na criação de postos de trabalho.

As regiões interioranas dos Estados Unidos é onde está concentrada a maior parte do que sobrou da indústria americana, setor que mais deve sofrer com a automação. É nas regiões suburbanas, semi-rurais e rurais que moram 190 milhões de americanos, ou seja, 60% da população. “Fora das grandes áreas metropolitanas, pode ser quase impossível mobilizar capacidade organizacional suficiente”, alerta o relatório.

Para barrar esse agravante, o estudo indica a necessidade de “uma abordagem integrada e cooperação entre diversas partes interessadas”, que reúne os setores público, privado e as iniciativas sem fins lucrativos. Mas, segundo o estudo, “essa colaboração está acontecendo em seu mínimo nas comunidades que mais precisam dela”.

A Hope Street Group trabalha para colocar os diferentes agentes econômicos na mesma página em tempos de transformação digital. A organização sem fins lucrativos lançou o programa “Sincronizar Nossos Sinais” para acelerar a adaptação de processos e a preparação dos trabalhadores para a era da robotização.

Apesar dos esforços individuais, o que se vê nos Estados Unidos é uma redução dos programas de treinamento. O Walmart, especialmente interessado em mudar o cenário por ser o principal empregador nos EUA, tem tentado ser o ponto fora da curva. A empresa começou a subsidiar o custo de um diploma universitário on-line para seus funcionários e colocou 1 milhão (dos 1,5 milhão) de empregados em programas de treinamento.

O relatório aponta que algum resultado já pode ser observado. O negócio de mercearia on-line do Walmart gerou 35 mil vagas para “personal shopper”, profissão que há três anos sequer existia.

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