As cifras bilionárias do Fortnite, o game queridinho dos millennials

Celebridades e Jogadores de futebol não pensam em outra coisa senão no Fortnite. Conheça as cifras e empresa por trás desse game que virou uma febre mundial

Por: - 8 meses atrás

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Se você é um fã atento de futebol, é possível que tenha notado o jeito estranho que o atacante do Corinthians, Gustavo Henrique da Silva Sousa, o Gustagol, tem comemorado os seus gols – o último deles no domingo, contra o São Paulo. Ele salta de um jeito estranho e exibe o que parecer ser a letra “L” com uma das mãos. Os mais jovens provavelmente entenderam a referência, mas e quanto a você?

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O tal movimento leva o nome de “take the L” e está presente no Fortnite, um jogo de tiro em terceira pessoa (chamado pelos jogadores de crossfire) e que foi desenvolvido pela empresa Epic Games – hoje disponível para PlayStation 4, Nintendo Switch, Xbox One, Mobile e PC.

Gustavo, aliás, não foi o unico jogador a homenagear o jogo. O atacante francês Antoine Griezmann, o brasileiro Neymar e celebridades do cinema ajudam a entender o assombroso sucesso do Fortnite. Mais do que isso, o sucesso do jogo de holofotes ao responsável pelo jogo: a Epic Games. Mas qual o segredo do sucesso de criador e criatura?

 

Fortnite e o modelo freemium

O Fortnite é um jogo gratuito em terceira pessoa e que lembra uma espécie de paintball virtual. Ele é um dos grandes produtos da Epic Games, que oferece o game por meio de uma mecânica chamada “freemium”. Ou seja, o jogo é de graça, mas é possível incrementar o seu personagem com roupas e equipamentos para o seu personagem. E isso, sim, tem um custo.

Hoje, muitas consultorias apontam o modelo “freemium” como o principa meio de oferta de game e um dos mais lucrativos desse mercado – e que mercado!

Um estudo produzido pela consultoria DigiCapital (especializada em mercado de games) mostra que toda a indústria de games deverá movimentar US$ 170 bilhões até o fim de 2019.

No Brasil, o fenômeno dos games chamou a atenção de consultorias mais tradicionais, caso do PricewaterhouseCoopers (PwC). Em 2016, a PwC produziu um estudo chamado Somos Gamers onde a ideia foi projetar o mercado de games no País para os próximos anos. O resultado é animador. Mesmo em uma nação onde a carga tributária de games (consoles, jogos e acessórios) pode alcançar o incrível percentual de 72% sobre o preço do produto, o gasto com videogame no Brasil chegou a US$ 644 milhões em 2016.

O otimismo é ainda maior para 2021, segundo a PwC. Estima-se que o consumo de tudo o que cerca o mercado de games no País alcançará a cifra de US$ 1,4 bilhão – um crescimento de 17% por ano desde 2016.

O segredo desse crescimento está intimamente ligado à fórmula do Fortnite – ou o freemium. Segundo o mesmo levantamento da PwC, quase 100% da receita de games no Brasil vem (e virá) justamente da oferta de serviços dentro das plataformas digitais, a maioria delas impulsionada por “roupinhas” para jogos de dispositivos móveis. O Fortnite também está presente em dispositivos móveis.

O império Epic Games

Dentro desse cenário, a Epic Games se tornou uma das mais promissoras e bem sucedidas empresas de freemium, muito embora, como ocorre no mundo dos negócios,  ela nao é afeita a divulgar os seus resultados e detalhes do seu core business.

O qu se sabe é que o Brasil é um dos mercados importante para a Epic Games, mas o seu maior mercado está na Ásia. Uma das recentes e raras informações divulgadas pela empresa mostra que a comunidade Fortnite conta com 200 milhões de jogadores ativos no mundo todo. Além disso, o game se tornou o 10º jogo mais popular da história e alcançou uma cifra raríssima para jogos online: ele chegou a reunir 20 milhões de jogadores conectados ao mesmo tempo.

Já sobre o seu desempenho financeiro da Epic existem poucas informações. No entanto, a consultoria SuperData (uma das empresas da Nielsen Company) e pessoas da própria empresa não identificadas e entrevistadas em uma reportagem do site TechCrunch chegaram a uma conclusão parecida: o Fortnite, sozinho, teria rendido US$ 2,4 bilhões em vendas de acessórios e comemorações para os personagens somente em 2018. Mais: o sucesso do jogo teria elevado a Epic para um valor de mercado de US$ 15 bilhões, segundo estimativas feitas no fim do ano passado.

O próprio estudo da SuperData mostra que outros games que utilizaram a mesma ideia de negócio freemium também alcançaram cifras importantes. É o caso do concorrente do Fortnite, o PLAYERUNKNOWN’s Battlegrounds, que teria faturado US$ 1,028 bilhão no ano passado.

Investimentos

Mas a Epic Games é mais do que o Fortnite. A empresa também é uma conhecida  fornecedora de tecnologia para a indústria do videogame. Um dos seus produtos mais conhecidos é o Unreal Engine, um conhecido e praticamente indispensável motor de jogo usado por praticamente todos os  desenvolvedores de jogos.

Diante disso, faz sentido que investidores estejam de olho nessa empresa. Em outubro do ano passado, a Epic Games recebeu uma rodada de investimentos de US$ 1,25 bilhões por meio de um grupo de investidores que incluem empresas de capital como KKR, Iconiq Capital, Smash Ventures, Vulcan Capital, Kleiner Perkins e a Lightspeed Venture Partners.

Além disso, gigantes como a chinesa Tencent, a Disney e até mesmo da Endeavor também investiram na companhia e são sócios minoritários. A julgar pelo apetite de gols do atacante corintiano e suas comemorações em homenagem a Fortnite, o sucesso da Epic Games deve continuar por muito tempo.