As cifras bilionárias do Fortnite, o game queridinho dos millennials

Celebridades e Jogadores de futebol não pensam em outra coisa senão no Fortnite. Conheça as cifras e empresa por trás desse game que virou uma febre mundial

Por: - 5 meses atrás

Crédito: Tenor

Se você é um fã atento de futebol, é possível que tenha notado o jeito estranho que o atacante do Corinthians, Gustavo Henrique da Silva Sousa, mais conhecido como Gustagol, tem comemorado os seus gols – o último deles no domingo, contra o São Paulo. Ele salta de um jeito estranho e exibe o que parecer ser a letra “L” com uma das mãos. Os mais jovens provavelmente entenderam a referência, mas e quanto a você?

Crédito: UOL

O tal movimento leva o nome de “take the L” e está presente no jogo Fortnite, um game de tiro em terceira pessoa (chamado pelos jogadores de crossfire) e que foi desenvolvido pela empresa Epic Games – disponível para PlayStation 4, Nintendo Switch, Xbox One, Mobile e PC. Gustavo não foi o unico jogador, aliás, a homenagear o jogo. O mesmo fizeram o atacante francês Antoine Griezmann e ate mesmo o brasileiro Neymar. Veja:

Todos esses jogadores de futebol, celebridades de outros esportes e até artistas exibem o assombroso sucesso mundial do game Fortnite e sua influência na vida cultural aqui no mundo real. De quebra, evidencia uma força emergente nesse negócio: a Epic Games.

Mas o que é exatamente o Fortnite. Basicamente é um jogo distribuído gratuitamente onde pessoas se enfrentam dentro de um imenso eapaxo virtual. Ganha quem sobrevive a essa espécie de paintball virtual. Mas como é possivek ganhar dinheiro com esse modelo? O segredo é serviço.

A Epic Games, assim como outros players desse mercado, oferecem jogos “freemium” (uma mistura de grátis e Premium), ou seja, o jogo é gratuito, mas é possível incrementar o seu personagem com roupas e equipamentos para o seu personagem ou avatar. E isso, sim, tem um custo.

Hoje, muitas consultorias apontam que esse modelo de negócio “freemium” pode se replicar entre as empresas gamers. Mas qual o tamanho desse mercado?

Um estudo produzido pela consultoria DigiCapital (especializada em mercado de games) mostra que toda a indústria de games deverá movimentar US$ 170 bilhões até o fim de 2019.

No Brasil, o fenômeno dos games, inclusive, chamou a atenção de consultorias mais tradicionais, como é o caso do PricewaterhouseCoopers (PwC). Em 2016, a PwC produziu um estudo chamado Somos Gamers onde a ideia foi projetar o mercado de games no País para os próximos anos. O resultado é animador. Mesmo em uma nação onde a carga tributária de games (consoles, jogos e acessórios) pode alcançar o incrivei percentual de 72% sobre o preço do produto, o gasto com videogame do Brasil chegou a US$ 644 milhões em 2016. O otimismo é ainda maior para 2021: a PwC estima que o consumo de tudo relacionado a game no País alcançará a cifra de US$ 1,4 bilhão – um crescimento de 17% por ano desde 2016.

O segredo desse crescimento está justamente na fórmula do Fortnite e os jogos freemium, ou seja, “jogo gratuito + serviço oferecido dentro de uma plataforma digital”. Segundo o mesmo levantamento da PwC, quase 100% da receita de games no Brasil vem (e virá) justamente das plataformas digitais, a maioria delas impulsionada por jogos para dispositivos móveis. O Fortnite também está presente em dispositivos móveis, mas vai além e também está disponível para consoles de games e computadores.

O império Epic Games

Dentro desse cenário, a Epic Games se tornou uma das mais promissoras e bem sucedidas empresas de freemium, muito embora, como ocorre no mundo dos negócios,  ela nao é afeita a divulgar os seus resultados e detalhes do seu core business.

Sabe-se, no entanto, que o Brasil é um mercado importante para a Epic Games, mas o seu sucesso está realmente relacionado ao seu desempenho nos mercados asiático, norte-americano e europeu. Uma das recentes e raras informações divulgadas pela empresa mostra que a comunidade Fortnite conta com 200 milhões de jogadores ativos no mundo todo. Além disso, o game se tornou o 10º jogo mais popular da história e alcançou uma cifra raríssima para jogos online: ele chegou a reunir 20 milhões de jogadores conectados ao mesmo tempo.

Já sobre o seu desempenho financeiro da Epic existem poucas informações. No entanto, a consultoria SuperData (uma das empresas da Nielsen Company) e pessoas da própria empresa não identificadas e entrevistadas em uma reportagem do site TechCrunch chegaram a uma conclusão parecida: o Fortnite, sozinho, teria rendido US$ 2,4 bilhões em vendas de acessórios e comemorações para os personagens somente em 2018. Mais: o sucesso do jogo teria elevado a Epic para um valor de mercado de US$ 15 bilhões, segundo estimativas feitas no fim do ano passado.

O próprio estudo da SuperData mostra que outros games que utilizaram a mesma ideia de negócio freemium também alcançaram cifras importantes. É o caso do concorrente do Fortnite, o PLAYERUNKNOWN’s Battlegrounds, que teria faturado US$ 1,028 bilhão no ano passado.

Investimentos

Mas a Epic Games é mais do que o Fortnite. A empresa também é uma conhecida  fornecedora de tecnologia para a indústria do videogame. Um dos seus produtos mais conhecidos é o Unreal Engine, um conhecido e praticamente indispensável motor de jogo usado por praticamente todos os  desenvolvedores de jogos.

Diante disso, faz sentido que investidores estejam de olho nessa empresa. Em outubro do ano passado, a Epic Games recebeu uma rodada de investimentos de US$ 1,25 bilhões por meio de um grupo de investidores que incluem empresas de capital como KKR, Iconiq Capital, Smash Ventures, Vulcan Capital, Kleiner Perkins e a Lightspeed Venture Partners.

Além disso, gigantes como a chinesa Tencent, a Disney e até mesmo da Endeavor também investiram na companhia e são sócios minoritários. A julgar pelo apetite de gols do atacante corintiano e suas comemorações em homenagem a Fortnite, o sucesso da Epic Games deve continuar por muito tempo.