5G, AI,IoT e o futuro do Mobile

Natanael Sena apresenta dados sobre o futuro do Mobile e conversa com Jesper Rhode sobre este novo cenário com a chegada do 5G

Por: - 6 meses atrás

A conectividade inteligente é um unificador entre distancias e uma ferramenta para empreendedores e inovadores.

À medida que os recursos de conectividade melhoram o nosso relacionamento com os dispositivos se expande e se torna uma parte cada vez maior de nossas vidas. A próxima geração de serviços, pessoas e empresas está tornando o mundo digital um ambiente próprio e se distanciando dos ambientes de interação estritamente físicos.

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A web passou de uma representação on-line da rua principal para uma experiência totalmente digital de ponta a ponta. De lojas que não têm endereço físico, para serviços de carro sem motoristas, conectividade passou de ser um canal de distribuição para se tornar um modelo de negócios conectado de forma inteligente.

A tecnologia de rede móvel 5G reduzirá os períodos de latência e aumentará a qualidade e a definição da imagem, fatores-chave que mudam questões simples de nossos hábitos alimentares até questões mais complexas onde possibilita que equipes médicas tomem decisões com o máximo de informações possível antes e durante um processo cirúrgico.

Chegamos a um ponto em que a tecnologia física (dispositivos, sensores e conectividade onipresente) e as tecnologias digitais (inteligência artificial, blockchain e big data analytics) convergirão para criar um mundo verdadeiramente conectado de forma inteligente.

A profundidade e complexidade dessa cadeia de valor é incomparável, mas é mais do que compensada, pela escala da oportunidade para governos, indústrias e cidadãos do mundo

A AI (inteligência artificial) será fundamental para futuros negócios e transformação digital.

Segundo o relatório ‘The Mobile Economy 2019’ o número de conexões globais de IoT (internet das coisas) triplicará para 25 bilhões até 2025. Apesar dos smartphones continuarem sendo o ponto focal da economia da internet do consumidor, a gama de dispositivos conectados (e, portanto, canais de acesso à internet) está superando as conexões pessoais três vezes.

O The Mobile Economy revela que:

 

Conversei com Jesper Rhode que frequenta o Mobile Word Conference há aproximadamente 15 anos (desde que o evento se chamava GSM World Congress), sendo este um dos principais eventos do segmento mobile mundial, reuniu aproximadamente 110.000 pessoas na edição deste ano que ocorreu em Barcelona.


Natanael Sena: Em uma leitura mais profunda, porque o 5G traz uma mudança maior do que os lançamentos anteriores (4G, 3G)?
Jesper Rhode: Quando falamos de 5G, podemos destacar que o grau de maturidade das tecnologias e infraestrutura que fazem parte desse ecossistema está em um nível muito superior, além das novas tecnologias de transmissão sem fio, a 5G também é um conceito de orquestração das tecnologias anteriores focando na prestação do serviço para cada usuário, sendo essa uma pessoa, maquina, ou um sensor ao que encontramos.
Hoje a indústria produz e possui dispositivos que necessitam e que farão uso desta nova tecnologia. Quando o 3G chegou ao mercado a tecnologia existia, as redes foram levantadas, mas não tinha telefones prontos no lançamento de 3G. Apenas modems (USB, etc..)

NS: Então o usuário perceberá a diferença muito além da questão da velocidade que trafegam os dados, ele poderá ter serviços mais rápidos e inteligentes?
JR: Agora, o hardware está muito mais rápido, passando a controlar qualquer padrão, desta forma o usuário terá o serviço que ele precisa, o olhar volta para o usuário e ele assume o controle.

 

NS: O ecossistema que são desenvolvidos produtos inovadores e de certa forma disruptivo como veículos autônomos ou transporte por drone muitas vezes são atingidos por muitas variáveis (financeiras ou legas) que inviabilizam o ganho de escala e as vezes o que é aparentemente simples se torna o inicio de uma grande inovação. Como você enxerga esse ecossistema e esses novos produtos?
JR: O ecossistema de inovações como essas demoram muito para se desenvolver, um exemplo mais básico e pratico é o VR (realidade virtual), que ainda não foi aproveitado em sua totalidade, o número de usuários e soluções que utilizam o VR é extremamente baixo.
Os custos do crescimento e da conexão industrial necessária para que as empresas façam essas novas tecnologias presentes ao usuário final é elevada, o que algumas vezes faz o acesso a essas novas tecnologias ser um pouco mais lento.
Existem projetos super inovadores, que não acontecem e existem projetos extremamente simples, como o “sms” que foi desenvolvido para ser um canal de comunicação para os técnicos que montavam rede (infraestrutura), e quando perceberam que isso era um canal que poderia ser compartilhado algo que era super simples e tímido, foi usado para as pessoas mandarem mensagens e hoje vemos a evolução disso com a existência de diversos aplicativos de troca de mensagem.


NS: Jesper, mas e o Brasil, alguma empresa presente no MWC?

JR: “Podemos encontrar a ZUP como empresa expositora no MWC.  Poucos anos atrás eles eram uma startup, hoje  atuam nas Américas e Europa e contam com mais de 800 funcionários. Eles são uma empresa de transformação digital que eu conheci quando estavam instalados no Cubo”, finaliza.

A conectividade inteligente é uma poderosa combinação de redes 5G flexíveis de alta velocidade, IoT, IA e Big Data. Isso impactará positivamente nossas vidas e mudará a forma como nos relacionamos, trabalhamos e produzimos, em todo o mundo.

Entretenimento, transporte, meio ambiente e robótica serão os primeiros a vivenciarem essa transformação de modo que seja perceptível e acessível á nós.

Entendendo esse cenário conseguimos afirmar que geramos dados hoje, para em breve, vivermos experiências altamente contextualizadas e personalizadas, entregues como e quando quisermos e da forma que quisermos.

Essas tecnologias estão moldando o futuro da indústria.  Nosso mundo, com essas inovações, passa a ligar de forma inteligente tudo e todos.

Cabe a nós zelar para que estas conexões e novas possibilidades não nos afastem de quem está próximo.

*Jesper Rhoede é Formado pelo MIT, Singularity, London Business School, Thunderbird School of Global Management e Copenhagen Tech Faculty, foi VP da Ericsson Multi Media, CMO da Ericson Latin America além de posições como executivo sênior em diversas empresas globais.
Impulsionou o crescimento do comércio entre Dinamarca e Brasil, recebendo condecoração de Sua Alteza Real o Príncipe Joachim da Dinamarca.
Atualmente é membro de conselhos de empresas de tecnologia, energia e inovação, além de associado a Copenhagen Institute for Future Studies e Management Consultant na Hyper Island. Seu trabalho gira em torno da Transformação Digital, e no impacto da tecnologia na vida humana.