Os novos caminhos da mobilidade: um design para o futuro 

A mobilidade urbana está à procura de soluções e inovação. Veja a discussão e as ideias o que a brasileira Embraer compartilhou no SXSW

Por: - 5 meses atrás

Pensar em mobilidade urbana é fazer um exercício permanente para explorar como as pessoas e tecnologias irão interagir na nova era de cidades inteligentes e veículos autônomos. No SXSW, a reflexão sobre mobilidade é uma constante. Este ano, vários conteúdos procuraram discutir esse contexto. Um dos mais interessantes envolveu Peter Berger, o diretor de inovação da EmbraerX no Vale do Silício e Paula Macedo, Head de UX da própria EmbraerX. Um painel com o melhor da inovação brasileira, a partir da divisão da empresa brasileira de jatos voltada para soluções de mobilidade. Os executivos debateram como podemos realmente construir um transporte futuro seguro para todos? Quais usuários serão os primeiros a se beneficiar dessas novas tecnologias e serviços revolucionários? Quais serão as implicações na mobilidade e no design de novas tecnologias sem atrito?

Confira a edição online da revista Consumidor Moderno!

Paula destacou os desafios da mobilidade a partir de um exemplo brasileiro bem conhecido: o trânsito de São Paulo, as dificuldades que a cidade impõe às pessoas comuns e àquelas com necessidades especiais. Mobilidade deve contemplar as jornadas das crianças, mães, idosos, trabalhadores. Por isso, a Embraer promoveu a criação da vertical “X”, que tem muitos resolvedores de problemas e técnicos com grandes habilidades para propor novas ideas em mobilidade. O desafio é trabalhar a mobilidade sempre de forma inclusiva, e a Embraer vê múltiplas oportunidades de explorar os diversos ângulos dessa questão e desenvolver soluções interessantes. A partir da atuação da empresa, sua expertise em jatos regionais de médio alcance, de grande sucesso global (a parte de jatos da empresa está em processo de aquisição pela Boeing, negócio que exclui as áreas de defesa, pesquisa, inovação e mobilidade) para vislumbrar um veículo urbano aéreo. Segunda Paula Macedo, a Embraer trabalha em um veículo que pode ser entendido como “carro voador”, mas não se trata de carro na verdade. Há muitas empresas buscando soluções de veículos capazes de promover deslocamentos urbanos a custos razoáveis para usuários diversos.

As vias de trafego terrestre dividem espaço com muitos modais – automóveis, táxis, ônibus, caminhões, vans, bicicletas, patinetes – e próximas da saturação. O investimento em trens metropolitanos apresenta custos explosivos o que aponta para o ar como uma possibilidade. Logo, estamos assistindo à criação de um ecossistema voltado para a criação de soluções de mobilidade que se baseiem em veículos capazes de serem embarcando-nos na superfície e possam transportar pessoas do ponto “A” para o ponto “B” por via aérea, seguindo protocolos rígidos de tráfego. Há muitas instituições governamentais e não-governamentais que procuram estipular as regras para uso do tráfego aéreo e viabilização de soluções de mobilidade.

A ideia doo ecossistema engloba muitas pessoas de tecnologia trabalhando juntas, parcerias e colaboração para co-criar novas tecnologias e trazer diferentes perspectivas para o deslocamento das pessoas no espaço urbano. Uma das questões mais agudas é sobre o perfil dos motoristas/pilotos para um veículo de transporte aéreo urbano. Não falamos de helicópteros aqui, nem de aviões. Como então criar os recursos para que esse modal de transporte ganhe escala?

E com relação à experiência do usuário em um veículo aéreo urbano? Seria simples dizer que seria simples colocar o cliente na frente, mas antes de tudo a tecnologia precisa ser muito testada para que a segurança seja absoluta. Como as pessoas veriam um veículo assim? Que tipo de experiência ele teria internamente? Segundo Paula Macedo, estamos falando de um novo meio de transporte e todas as respostas e pesquisas estão no início. Mas o fundamento é trazer confiança e segurança totais. Além disso, a infraestrutura das cidades, sistemas de tráfego aéreo urbano, pontos de partida e chegada, rotas aéreas precisarão ser criadas e implementadas.

De todo modo, temos aqui, literalmente, uma avenida oportunidades e um novo negócio em incubação. Talvez em pouco mais de uma década essa visão pode estar acontecendo diante de nossos olhos.