Professor de Harvard dá dicas para alcançar a felicidade no trabalho

Tal Ben-Shahar, também conhecido como “professor da felicidade”, ministra aulas sobre o tema em Havard. Ele falou à Consumidor Moderno sobre o que move a felicidade das pessoas no trabalho. Confira

Por: - 1 mês atrás

Responsável por ministrar alguns dos cursos mais concorridos da universidade americana de Harvard – Psicologia Positiva e Psicologia da Liderança –, o israelense Tal Ben-Shahar virou uma espécie de guru de executivos pelo mundo. PhD em comportamento organizacional e autor de vários best-sellers, como “Seja Mais Feliz – Aprenda a Ver Alegria nas Pequenas Coisas Para uma Satisfação Permanente”, ele falou, em entrevista à Consumidor Moderno, como a autoconfiança, a resiliência e a prática de mindfulness podem contribuir para uma vida mais feliz.

Confira:

Consumidor Moderno: É papel das empresas motivar seus funcionários a buscar a felicidade?
Tal Ben-Shahar: Elas podem atuar de várias formas. Em primeiro lugar, ajudando seus funcionários a identificar – e a exercitar – seus pontos fortes. As pessoas que conhecem e usam seus pontos fortes são mais felizes, mais motivadas e mais bem-sucedidas no ambiente de trabalho. Em segundo lugar, podem oferecer o que a professora Amy Edmondson, de Harvard, chama de segurança psicológica. Isso diz respeito à certeza de que nenhum membro da equipe será constrangido ou punido ao falar, pedir ajuda ou falhar em alguma tarefa. Quando os líderes de equipe criam um clima de segurança psicológica e os colaboradores se sentem à vontade para “falhar” e depois compartilhar e discutir seus erros, todos podem aprender e melhorar. Ao contrário, quando os erros são ocultados, além de não haver aprendizado, a probabilidade de que os erros se repitam é bem maior.

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CM: O que mais as empresas podem fazer para tornar a rotina de trabalho menos estressante?
TB: Incentivar os funcionários para que se exercitem regularmente é outra medida que surte efeito. O exercício físico regular – três sessões semanais, de 30 minutos cada – tem o mesmo efeito da medicação psiquiátrica mais poderosa. O local de trabalho se torna um lugar mais feliz, mais criativo e menos estressante quando os funcionários começam um regime de exercícios físicos.

CM: Pesquisas recentes mostram que a técnica de mindfulness também ajuda a reduzir o estresse e a ansiedade, além de melhorar a atenção, a memória e a empatia. Qual é a sua opinião sobre essa prática dentro e fora das empresas?
TB: Há muita pesquisa sobre mindfulness e seu impacto na saúde física e mental. No local de trabalho, essa prática ajuda, sem dúvida, a melhorar os relacionamentos, a aumentar os níveis de envolvimento, a produtividade e a criatividade.

CM: Algum outro conselho para as empresas?
TB: Sim. É preciso incentivar os funcionários a fazerem intervalos regulares durante o dia e permitir que eles realmente descansem quando estão em casa. Ficar “ligado” o tempo todo não é bom para o funcionário nem para a organização. Mais não é necessariamente melhor. Precisamos recarregar nossas baterias psicológicas. Criatividade e produtividade, na verdade, diminuem quando não há tempo para recuperação ao longo do dia (15 minutos de inatividade a cada hora ou duas), ao menos um dia de folga por semana e, claro, férias reais a cada 6 ou 12 meses.

CM: O futuro do trabalho caminha para um mundo com mais propósito?
TB: Sim. As pessoas estão procurando no seu local de trabalho mais do que um contracheque. Elas buscam significado e propósito, relacionamentos fortes e um lugar que lhes proporcione felicidade.

As 7 lições de Tal Ben-Shahar

1. Permita-se ser human0

Quando aceitamos nossas emoções – como medo, tristeza ou ansiedade – como naturais, é mais fácil lidar com elas. Rejeitá-las, seja quando forem positivas, seja quando forem negativas, leva à frustração e à infelicidade. Vivemos em uma cultura obcecada pelo prazer e acreditamos que a marca de uma vida digna é a ausência de desconforto, mas a verdade é que errado é não sentir tristeza ou ansiedade. Portanto, permita-se ser humano e vivencie suas emoções

2. A felicidade está na intersecção entre prazer e significado

Seja no trabalho, seja em casa, envolva-se em atividades que sejam pessoalmente significativas e agradáveis. Quando isso não for viável, assegure-se de ter impulsionadores da felicidade, como momentos que lhe proporcionem prazer e significado. Pesquisas mostram que uma hora ou duas de uma experiência significativa e prazerosa podem afetar a qualidade de um dia ou mesmo uma semana inteira

3. A felicidade depende do nosso estado de espírito, não de nosso status ou conta bancária

Excluindo as circunstâncias extremas, nosso nível de bem-estar é determinado pelo que escolhemos focar e por nossa interpretação dos eventos externos. Você olha para a parte cheia ou vazia do copo? Consideramos os fracassos como catastróficos ou os vemos como oportunidades de aprendizado?

4. Simplifique!

Geralmente estamos ocupados demais, tentando espremer mais e mais atividades no menor tempo possível. Lembre-se de que a quantidade influencia a qualidade e que comprometemos nossa felicidade tentando fazer muito. Ou seja, saber quando dizer “não” aos outros geralmente significa dizer “sim” para nós mesmos

5. Lembre-se da conexão mente-corpo

O que fazemos – ou não fazemos – com nossos corpos influencia nossa mente. Exercício regular, sono adequado e hábitos alimentares saudáveis levam à saúde física e mental

6. Expresse gratidão, sempre que possível

Muitas vezes, tomamos nossas vidas como garantidas. Aprenda a apreciar e a saborear as coisas maravilhosas da vida, das pessoas à comida, da natureza a um sorriso.

7. Priorize relacionamentos

O maior motivador da felicidade é o tempo que passamos com pessoas de quem gostamos e que se preocupam conosco. Essa fonte pode ser a pessoa sentada ao seu lado. Aprecie-a e saboreie o tempo que passam juntos