De R$ 1,5 mil a R$ 1 milhão: economista analisou a afirmação de Bettina

O economista Mauro Chuairi analisou a afirmação da jovem Bettina, que supostamente alcançou o seu primeiro milhão a partir de um investimento de R$ 1,5 mil

Crédito: Unsplash

Na última semana, a jovem Bettina Rudolph foi o assunto das redes sociais, com direito a memes e críticas. Aos 22 anos, a garota formada em administração virou estrela de uma propaganda onde afirma ter transformado R$ 1,5 mil em pouco mais de R$1 milhão após investir na Bolsa de Valores pelo período de três anos. Mas seria realmente possível dar esse salto de ganhos com esse tipo de investimento?

O economista e sócio da G2W Investimentos, Mauro Chuairi, analisou o caso e concluiu: a afirmação é totalmente inimaginável. “Rentabilidade nunca anda sozinha. A renda fixa é um investimento seguro e rende 6,5% ao ano. Quando o investidor quer um percentual de lucro mais alto, os consultores precisam agregar mais volatilidade e risco aos investimentos. Por exemplo: a bolsa de valores. Se eu pegar a bolsa no início de 2016 até hoje, ela rendeu aproximadamente 130% de lucro e tem uma volatilidade ao ano em torno de 24%. Em outras palavras, isso significa dizer que o seu patrimônio, a partir dessa volatilidade, pode cair entre 20% e 40% em um ano”, esclarece. “Assim, para se expor a volatilidade necessária para alcançar rentabilidades astronômicas acima do normal, o investidor colocaria inúmeras vezes o patrimônio total em risco com 99% de chance de perder tudo. Seria como jogar na Mega Sena, e sem dúvida, essa não é a forma correta de se investir”, conclui.

Sem milagres

Mauro afirma ainda que o vídeo induz o consumidor a acreditar que obteve um rendimento superior a 66.000% em três, o que é praticamente impossível. “Para os R$ 1,5 mil virarem R$1 milhão em três anos isso teria que render 66.000%. É algo totalmente inimaginável. Se ela mantivesse essa estratégia pelos próximos três anos, ela alcançaria a cifra de R$ 700 milhões. Ou seja, isso não existe financeiramente. Mesmo acertando todas as operações que dão entre 50% e 100% e tendo acesso às informações privilegiadas, dificilmente ela conseguiria essa rentabilidade, inclusive seria crime se ela tivesse acesso à isso”, ressalta o Diretor da G2W.

Por fim, Mauro esse tipo de conduta. “Quem é do mercado financeiro vê essa ação de forma muito negativa. É uma forma de você trazer o cliente para o mundo irreal. Como o brasileiro não entende sobre risco e volatilidade, e ele acaba sendo enganado”, lamenta.

Veja um dos poucos vídeos que restou de Bettina:






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