Você já pensou em ser um gestor de empatia de robôs?

Em artigo exclusivo, Romeo Busarello, CMO da Tecnisa e professor do Insper, fala sobre o futuro do trabalho diante do avanço da Inteligência Artificial.

Por: - 6 meses atrás

O tempo perdido: como lidar com a era do superficial

*Por Romeo Deon Busarello

Estou convicto de que a inteligência artificial vai dizimar muitos empregos em todos os setores da economia, no entanto vale ressaltar que o problema não é o desemprego e sim o desempregado que descasou competências e não evoluiu com o seu grid de competências, acompanhando as demandas que o mercado impõe. A inteligência artificial está ainda na sua tenra infância, o salto acontecerá quando as máquinas alcançarem a singularidade e a capacidade de auto produzir uma segunda geração ainda mais sofisticada e inteligente do que ela própria. Isto não é ficção, a singularidade tem data marcada: 2030. Isso terá implicações no mercado de trabalho, será cada vez mais difícil arrumar emprego. Quem disse isso não é quem está escrevendo este texto, quem disse isso não é nenhum ermitão isolado em alguma região erma do mundo, mas sim Bill Gates.

No entanto, se de um lado profissões e atividades repetitivas desaparecerão, por outro lado emergem profissões novas em torno da indústria de IA. Brotam mensalmente empresas que se especializaram em vender soluções de IA, e pasmem, uma profissão que começa a despontar nessas empresas é o profissional formado em letras, sim o professor que se formava na universidade e invariavelmente o seu destino seria lecionar em alguma escola pública e/ou privada, hoje ele pode vislumbrar a possibilidade de trabalhar como “gestor de empatia” de robôs. Humanizar o robô, dar um toque mais pessoal nas interações com o interlocutor, tentar se aproximar da “consciência artificial”.

Vale uma breve definição entre inteligência e consciência artificial: a inteligência artificial é a capacidade de resolver problemas, a consciência artificial é capacidade de sentir problemas. No entanto, não são indícios de que os computadores se tornarão conscientes ao menos tão cedo, pois eles não poderão sentir. Se de fato é isso que vai nos diferenciar dos robôs, temos então que desenvolver mais a consciência humana.

O World Economic Fórum listou os 10 princípios das competências do profissional do futuro. Todas sem exceção são competências comportamentais, sociais e com forte viés de consciência. Estas competências nos remetem a uma outra reflexão: não deveremos mais nos preocupar em O QUE pensar, mais COMO pensar. Teremos grandes desafios educacionais pela frente e esta conta está chegando mais pesada para o nosso Brasil. Um exemplo atual para qualificar o meu ponto de vista: neste momento o cidadão paulistano está enfrentado um drama com um viaduto que cedeu em parte de sua estrutura. Resposta dos gestores públicos: prazo indeterminado para resolver o problema. No Japão, em um problema similar, a resposta do gestor público: em 10 dias tudo será resolvido. Capacidade de resolver problemas complexos é a primeira grande habilidade listada no ranking de habilidades listadas pelo WE Forum. Este problema a inteligência artificial não resolve, é uma questão de consciência humana.

*Romeo Deon Busarello é Diretor de Marketing e Ambientes Digitais da Tecnisa e Professor do Insper