Mercado vegano preocupa indústria láctea, aponta estudo

CEOs da indústria láctea estão mais conscientes do avanço de empresas como a NotCo, que chega ao Brasil com maionese sem ovo e leite de origem vegetal

Por: - 3 meses atrás

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Os laticínios são quase onipresentes na mesa do brasileiro, seja como produto final (leite ou iorgurte) ou como insumo para outros produtos, como acontece com as pizzas. Grandes empresas do setor, porém, enfrentam dificuldades, aponta um estudo da consultoria McKinsey.

As empresas de laticínios tiveram uma queda média de 3% no retorno sobre o capital investido (ROIC) entre 2008 e 2017. O indicador passou de 9,5% para 6,5% no período. Mesmo assim, as cinco maiores empresas analisadas conseguiram aumentar a margem de lucro em 4,1% entre 2013 e 2017.

Mais de 2.700 propriedades leiteiras encerram as operações nos Estados Unidos em 2018, de acordo com o Departamento de Agricultura do país (USDA). A agência disse que os produtores enfrentam preços mais baixos de leite e custos mais altos de produção.

No Brasil, o preço do leite ao produtor subiu 33,8% em fevereiro na comparação com o mesmo período do ano passado. A expectativa do Cepea (Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada) é que o preço continue subindo em março, mas em menor intensidade.

Mudança de pensamento

O crescente movimento vegano provocou o nascimento de soluções que substituem os produtos derivados de animais, como o leite e o ovo. Empresas apostam em substitutos extraídos de plantas e nozes.

O estudo feito pela McKinsey com 56 CEOs da indústria láctea mostrou que os líderes das empresas do setor estão mais atentos ao movimento de outras companhias que não têm animais em sua cadeia de produção. Em 2015, 36% dos CEOs acreditavam que as empresas com soluções não lácteas cresceriam a partir daquele momento. Em 2018, a maioria (51%) dos profissionais disse acreditar no crescimento de suas concorrentes.

A participação de mercado de bebidas à base de vegetais foi de 10% em 2015 para 13% em julho de 2018. Nesse período, a participação de bebidas lácteas tradicionais caiu de 90% para 87% em 2018. Ou seja, os 20 CEOs (36%) que acreditavam no crescimento deste mercado em 2015 estavam certos.

Queda no consumo

De acordo com o USDA, o consumo de leite por pessoa chegou ao seu menor nível em 2016 nos Estados Unidos. No ano, o consumo per capita foi de 60 litros.

Enquanto isso, a venda de bebidas à base de vegetais e nozes cresceram 9% em dois anos. Em 2017, o varejo faturou US$ 1,6 bilhão com a venda dos produtos, crescimento de US$ 141 milhões na comparação com 2015. Foi nesse período que houve a queda da participação de mercado das bebidas lácteas.

NotCo

Em abril, chega ao Brasil uma maionese sem ovo, feita pela Not Company, ou NotCo. A startup chilena é um grande exemplo de empresa que pode incomodar companhias que trabalham com laticínios. Ainda neste ano, chegam o leite de origem vegetal e os sorvetes feitos a partir desse leite, nos sabores baunilha, morango e chocolate.

O objetivo de Pablo Zamora, cientista e fundador da NotCo é permitir que qualquer pessoa cozinhe o que quiser, sem restrições, sem usar qualquer ingrediente de origem animal. Segundo ele, sua empresa está perto de atingir este objetivo.

A startup chilena atraiu a atenção do fundador da Amazon, Jeff Bezos, que investiu US$ 30 milhões na empresa. O portfólio da NotCo é composto pela NotMayo (maionese sem ovo), NotCheese e NotYorgurt (sem leite de vaca) e a NotMeat (carne de origem não animal).

A maionese sem ovo já conquistou 10% do mercado de molho no Chile. O produto chegou ao mercado em 2017 e está disponível em mais de mil lojas no país.