Você sabe o que é catfishing?

Um recente levantamento do FTC, uma agência de proteção dos consumidores dos EUA, estudou o preocupante fenômeno do catfishing. Entenda o que é isso

Por: - 7 meses atrás

Crédito: Pixabay

Se você é um assíduo telespectador do canal americano MTV, é bem possível que tenha ouvido a expressão em inglês Catfishing (nome quase similar ao programa Catfish). Trata-se de um dos mais conhecidos golpes que existem no mundo virtual. Em suma, a ideia é criar uma ou mais identidade virtual falsa para enganar outros usuários emocionalmente. Há diversos motivos para a prática do crime, sendo que uma das mais conhecidas é o financeiro.

O catfishing é uma das modalidades do chamado golpe do amor, um grupo de crimes cibernéticos que vem lesando diversos consumidores ao redor e que foi tema de um recente levantamento da Federal Trade Commission (FTC) – a  agência governamental do governo americano que protege os consumidores. De acordo com o levantamento, o número de “golpes do amor” relatados ao FTC saltou de 8,5 mil em 2015 para mais de 21 mil em 2018. Somente no ano passado, o crime resultou em um prejuízo de quase US$ 143 milhões.

O estudo estima que a perda média das vítimas foi de US$ 2,6 mil, cerca de sete vezes mais do que outras fraudes monitoradas pela FTC.

Mas como isso funciona?

O golpe é relativamente simples e é basicamente o mesmo em diversos lugares do mundo, inclusive no Brasil. Os criminosos normalmente encontram suas vítimas online, em sites de namoro ou nas redes sociais. Os golpistas costumam criar perfis falsos e usam fotos de terceiros. Eles cortejam a vítima, construindo afeição e confiança, até identificarem uma primeira oportunidade de pedir favores em dinheiro.

Entre os apelos dos golpistas estão desde emergência médica ou os custos de viagem para visitar a vítima, mas há outros. O FTC informa que não apenas dinheiro, mas até mesmo cartões de presente e até transferência de empresas de remessa de valores são usados.

Idade

Os dados da FTC revelaram que os golpes de amor nos Estados Unidos ocorrem com mais frequência entre pessoas de 40 a 69 anos. Entretanto, são as vítimas com mais de 70 anos que pagaram os maiores valores aos golpistas, com perdas médias por da ordem de US$ 10 mil. No entanto, qualquer um pode se tornar vítima, alertam os especialistas.

“Pode acontecer com você. Seja lá o que pense ou no que acredite, você pode ser uma vítima”, afirma Alan Brill, Senior Managing Director de Riscos Cibernéticos da Kroll nos Estados Unidos. Os criminosos são “mestres em manipular a emoção humana” e atacam suas vítimas quando elas estão mais vulneráveis, adverte Brill.

Ian Cook, Associate Managing Director da Kroll no Brasil, ressalta que todos estão sujeitos a fraudes na web em algum grau. “É importante manter sempre uma postura crítica e cautelosa no uso e nas interações por redes sociais e sites de relacionamento”, recomenda Cook.

Vale lembrar que, ainda que os golpes relacionados a relacionamentos afetivos existam há muito tempo, eles se tornam mais comuns e bem-sucedidos à medida que as pessoas passam mais tempo se socializando e encontrando pretendentes online. O número de potenciais vítimas também só cresceu. “Hoje o fraudador tem um leque muito maior de oportunidades.”

Dicas para não cair no golpe

O especialista alerta que é possível identificar o golpista a partir de determinados comportamentos. Normalmente, ele se apaixona ou passa a amar a vítima de maneira muito rápida. Além disso, o golpista evita se encontrar pessoalmente com a vítima e pede favores em dinheiro. Outra tática comum é o insistente pedido para que a vítimas saia do site ou fórum de relacionamento para continuar a conversa em mensageiros instantâneos.

Os criminosos também utilizam técnicas indiretas de obter dinheiro das vítimas. Uma delas é coletar informações pessoais e até bancárias das pessoas. “Você não é o primeiro nem será o último a se deixar levar”, diz Brill. “Vem acontecendo muito… É preciso estar disposto a admitir para si mesmo que isso aconteceu e depois fazer a denúncia às autoridades.”