Brasileiros confiam mais em CEOs do que nos políticos, diz pesquisa

Levantamento Edelman Trust Barometer 2019 indica que os líderes das empresas passam a assumir um papel importante na condução de mudanças sociais no País.

Por: - 6 meses atrás

O estudo Edelman Trust Barometer de 2019 trouxe um importante termômetro sobre a descrença das pessoas em figuras políticas e instituições. Embora tenha apresentado alta de 10% por conta do período eleitoral, atingindo a marca de 28%, o setor político ainda não se mostra como uma instituição confiável aos brasileiros.

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A 19ª edição do estudo ouviu 33 mil pessoas de 27 países – incluindo o Brasil -, e tem o objetivo de mapear a confiança dos cidadãos em ONGs, governo, empresas e mídia. No recorte brasileiro, as pessoas demonstram mais confiabilidade no que dizem os CEOs de suas empresas do que nas promessas vindas de instituições tradicionais do governo.

Fonte: Edelman

Neste contexto, os líderes de empresas ocupam um vácuo de protagonismo que se criou pela descrença na política, de modo que o setor empresarial assume papel importante para conduzir mudanças sociais no país. “Temos observado importantes quedas na confiança nas instituições ONGs, Empresas, Governo e Mídia, enquanto a confiança no empregador cresce no Brasil e no mundo”, destaca Cristina Schachtitz, vice-presidente da Edelman.

Na amostragem global, aqueles que afirmam “confiar em meu empregador” representam 75% dos respondentes. Esse número é significativamente maior do que ONGs (57%), empresas (56%) e mídia (47%).

Medo do desemprego e desejo por mudanças

Apesar da divergência de confiança entre o público mais informado e a população em massa, todos compartilham um anseio em comum: um desejo urgente de mudança. Apenas um em cada cinco entrevistados considera que o sistema político está trabalhando para eles, de modo que quase metade da população acredita que eles estão falhando.

Fonte: Edelman

O estudo também destaca que 77% dos brasileiros confiam em seus empregadores e acreditam que eles devem estar à frente de processos de mudança no país, ao invés de esperarem condições pré-estabelecidas do governo. A crença de que eles podem ir muito além de fazer sua empresa prosperar também é uma tendência apontada no levantamento. 65% dos respondentes brasileiros acreditam que os CEOs podem trazer transformações em áreas que vão além de seu negócio.

Outro recorte importante no Brasil é que 74% da população geral e 78% do público informado sentem falta de confiança, enquanto 74% da população geral e 77% do público informado sentem-se injustiçados pelo sistema e manifestam um anseio por mudanças. O medo do desemprego também é recorrente, com 73% dos empregados preocupados em perder seus postos de trabalho.

A importância do propósito

Outro dado importante levantado no estudo se refere ao jeito que a empresa participa de transformações que acontecem fora dos portões da companhia. Para os funcionários, um propósito maior do empresário com a sociedade ganha cada vez mais importância. 58% dos funcionários dizem que esperam que seu empregador se apresente como uma fonte confiável de informações sobre questões sociais.

Fonte: Edelman

Os funcionários que depositam confiança em seu empregador têm mais probabilidade de se engajarem. Além disso, 71% dos funcionários acreditam que é extremamente importante para o “meu CEO” apresentar respostas a tempos difíceis. Nessa mesma tendência, 76% da população concordam com esse raciocínio e esperam que os CEOs assumam a liderança em processos de mudança em vez de esperar que políticos o façam.

“Com a queda da confiança nos sistemas de busca e nas redes sociais, as pessoas têm se voltado cada vez mais para as pessoas que conhecem e com quem se relacionam, o que inclui seus empregadores”, explica Cristina.

A mídia também está em momento de contestação. O índice teve queda de dois pontos, chegando a 41%. A expectativa dos respondentes, quando o assunto é “fake news”, é de que o CEO esteja mais próximo da verdade do que a mídia e o governo. A mudança de governo e a esperança por mudanças também mobilizou os brasileiros na busca por informações, resultando em um aumento no consumo de mídia (25%) e no compartilhamento de notícias (58%) de 22 pontos.